Contra o PT

Melhor coluna de todas sobre as maracutaias governo/PTB aí embaixo:

Folha de São Paulo

São Paulo, terça-feira, 17 de maio de 2005

CLÓVIS ROSSI

De herdeiro a cúmplice

SÃO PAULO - Digamos que a revista "Veja" houvesse flagrado em cenas explícitas de alta corrupção um alto funcionário dos Correios, em nome da alta cúpula do PTB, durante o governo anterior. O que diria você, petista roxo, mas ainda honesto nas suas convicções? Baita escândalo, não é? Mas perfeitamente possível e até previsível. Vejamos:
1 - O PTB era aliado de Fernando Henrique da mesma forma que ficou aliado de Lula.
2 - O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, foi membro ativo da tropa de choque do governo Fernando Collor de Mello, aquele presidente deposto por falta de decoro.
Quem é aliado de um político indecoroso não é boa companhia para gente que se pretende decente, não é mesmo?
Ainda mais que Jefferson foi aliado de Collor também em todas as canalhices cometidas pelo então candidato contra seu principal adversário, casualmente chamado Luiz Inácio Lula da Silva.
O que você, petista roxo, mas honesto, esperaria de quem tem tal tipo de comportamento e de quem se alia a um governante notória e publicamente carente de decoro?
Se fosse no governo passado -e poderia perfeitamente ter sido-, você babaria de indignação, pediria todas as CPIs possíveis, exigiria o garrote vil para o presidente da República e por aí vai.
E agora? Se você é petista roxo, mas conseguiu conservar-se honesto (espero que haja muito assim, embora silenciosos), tudo o que pode fazer é mais silêncio ainda.
Por um motivo simples: o seu partido aceitou toda a chamada "herança maldita", até a parte podre dela. Não é mais herdeiro que pode tirar o corpo fora culpando o legado recebido.
Agora, é cúmplice.

@ - crossi@uol.com.br

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