Começou. E vai piorar

Se começaram com a Veja, preparem-se. Comentei ontem mesmo sobre o tratamento que a imprensa poderia esperar no segundo governo Lula: "com os precedentes abertos pelos processos contra jornalistas blogueiros no Brasil e a sanha dos sindicatos de jornalistas espalhados pelo país em tentar emplacar o controle da imprensa através de um novo projeto do CFJ, prevejo um horizonte nebuloso tanto para os grandes grupos de comunicação quanto para o jornalismo alternativo".

Pois bem, jornalistas são agredidos e ameaçados por militantes petistas desde o resultado da eleição no domingo. Hoje, cinco jornalistas da revista Veja foram intimados pela Polícia Federal a prestar depoimentos. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da Republica, da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo. Três dos cinco jornalistas intimados – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro – foram ouvidos na tarde de terça-feira pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira. Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. Texto completo abaixo.

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À procura dos financiadores das campanhas

Enquanto os candidatos vencedores e derrotados não fornecem informações sobre os doadores da campanha de 2006, resta pesquisar os financiadores da eleição de 2002 para depois comparar quem continuou a acreditar nos financiados de quatro anos atrás. A governadora eleita do RS, Yeda Crusius (PSDB), por exemplo, recebeu a maior quantia de dinheiro da Copesul: R$ 60 mil. Defendeu os interesses do pólo petroquímico em audiência pública no dia 7/10/2004, destinada a discutir a evolução dos preços dos produtos derivados de petróleo e royalties. Yeda também recebeu R$ 6.857,37 da Klabin Riocell na sua campanha para deputada federal. Em 2004, integrou a Bancada da Celulose e fez lobby no Congresso para a defesa dos interesses da empresa.

O site doTSE mostra que a campanha de Yeda fechou o mês de agosto com um déficit de quase R$ 8 mil. Em setembro, a receita quadruplicou e ainda encerrou as despesas com R$ 113 mil sobrando na conta. Estou curioso para saber quem apostou no milagre tucano, dado o calote anunciado por Chico Santa Rita.




Fim de uma era?

O Jornal da Globo desta segunda-feira veiculou matéria em clima de obituário sobre as perdas do PFL, evidentes com o balanço final das urnas. As mais simbólicas talvez tenham sido o fim dos 16 anos de carlismo na Bahia e de 40 anos de sarnismo no Maranhão, com a derrota de Roseana Sarney. Além disso, a bancada pefelista na Câmara de Deputados encolheu.

O que mudou da última eleição para cá? O povo que tem dado votos ao PFL continua o mesmo, os candidatos continuam os mesmos. A única mudança é que, pela primeira vez em 500 anos, os coronéis se viram na oposição frente ao governo federal. A única conclusão a que se pode chegar é que em toda sua história o PFL usou a máquina federal para manter o poder. Sendo mais claro: é um partido que só se sustentava pelo fisiologismo. Demonstra ainda que algum nível de aparelhamento do Estado também aconteceu nos governos tucanos, apesar do que as carpideiras de Alckmin gostam de pensar. Afinal, agora que perdeu a influência sobre o presidente, o PFL perdeu votos.

O pefelê já vai tarde. O lado irônico da história toda é que o William Waack tentou dar uma força e classificou o partido na "centro-direita". A paixão pela Fabiana Scaranzi deve estar cegando o apresentador.




Criança não tem direito a nada

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PPS/ RS) foi o maior beneficiado com as crises em Brasília e financeira do Rio Grande do Sul. Eleito para “Continuar o que está bom e mudar o que está ruim”, Fogaça passou os dois primeiros anos incólume no noticiário local. Não que não estejamos de olho nele. Hoje, ele deu entrevista ao Gaúcha Atualidade, no qual citou alguns programas que serão colocados em prática no ano que vem.

Entre eles, propôs a “Descentralização do acolhimento das crianças de rua” ou algo do gênero. Dividir a cidade em 17 microrregiões para que agentes do município atuassem e encaminhassem de volta para quem merece o menor que estiver vagando. Isso estaria inclusive no projeto orçamentário do ano que vem. Uau. Isso é que é arrojo administrativo. Só precisou de uns dois anos para notar o problema.

Seria a solução para tirar a gurizada à solta pela cidade que tanto incomoda as pessoas, muito mais pelo descaso das autoridades do que pela situação social delas. Essa é uma das questões que Fogaça deveria ter começado a resolver nos primeiros meses no Paço, mas como todos dizem: “Nem sempre a pessoa quer se ajudar”. Não que o PT tenha feito algum esforço nesse sentido – lembro da responsável pela Juventude da prefeitura declarar em 2004 que as crianças tinham o direito de ficar nas ruas porque era um espaço lúdico –, mas foi esse o caminho que Porto Alegre escolheu.

E continuo esperando a Escolinha do Gasômetro, que Fogaça prometeu reconstruir caso fosse eleito.




Antecipando a demência

Mal acabou o segundo turno e o novo Congresso já está antecipando a demência. Assim ninguém agüenta. O povo precisa de algumas semanas de férias, peloamordedeus.

"Em entrevista à "Rádio Tupi", na sexta-feira, Clodovil disse que os judeus manipularam o holocausto e que os americanos forjaram o atentado de 11 de setembro de 2001. Ele também se referiu a um negro como "crioulo cheio de complexo".

Clodovil disse não ter nenhum interesse em visitar os Estados Unidos. Contou que da última vez se sentiu ofendido ao ser abordado por um guarda negro: "Na última vez que tive lá tinha um crioulo, no sentido pejorativo mesmo, cheio de complexo por coisas dele, eu não tenho nada com isso, que implicou comigo na Alfândega."

Não é a primeira vez que Clodovil é acusado de racismo. Ele responde a dois processos criminais no Tribunal de Justiça de São Paulo. Ambos tiveram como origem uma queixa-crime da vereadora Claudete Alves (PT-SP), que foi chamada por Clodovil de "macaca de tailleur metida à besta", no programa de TV "A Casa é Sua", da rede TV, em 2004." (G1)




Nas fileiras do Esquadrão da Tarja Preta

Agora que soube do tratamento psicoanalítico ao qual a governadora eleita se submeteu antes das eleições, cabe perguntar novamente o que não foi respondido na famigerada Não Entrevista publicada no dia 27/10:

9) A senhora teve problemas estomacais durante a campanha e cancelou diversos compromissos e debates, o que gerou desconfiança sobre a sua saúde. A senhora faz algum tratamento médico? Se sim, quais remédios toma?

O povo gaúcho tem o direito de saber se a senhora toma boletas, governadora.

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Quem te viu, quem te vê

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Yeda, nos bons tempos de ministra do Planejamento, pelo traço de Angeli.




Aqui se faz, aqui se paga

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A revista Veja usou charge do cartunista gaúcho Santiago – sem a autorização do autor, diga-se – de mote para o editorial da edição dessa semana. O texto pede para o leitor usar a imaginação e substituir Lula por Fernando Collor ou até mesmo Fernando Henrique. Acrescentaria José Sarney, que também levou pancadas corrosivas do semanário. Lembrei de uma reportagem baixando o sarrafo em João Figueiredo – mais exatamente sobre a exuberante viagem de sua esposa a São Paulo. Mas como Marilena Chauí costuma dizer aos jornalistas: “Vocês são jovens. Não se lembram de como era aquela época”. Abaixo, o editorial da revista.

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Para refletir

Paulo Moreira Leite, em seu blog no Estadão: "Uma das promessas para um segundo governo Lula envolve uma melhoria das relações com a imprensa. É uma boa idéia, num governo que costuma encarar jornais e revistas como órgãos de propaganda e não faltam autoridades habituadas a queixar-se da "imprensa burguesa." Entender toda dimensão do conceito de liberdade de imprensa representa um grande desafio, até para muitos leitores, pois envolve idéias e padrões de comportamento. (...)

Autoridades interessadas em liberdade de imprensa poderiam fazer um curso de férias com a coleção de reportagens e entrevistas de O Pasquim, disponível na forma de livro. Eis ali um ótimo exemplo de imprensa livre, irreverente, saudável, que não dava trégua para ninguém. Boa parte dos ministros e personalidades deste governo leu o Pasquim em seu tempo e deve ter-se divertido muito. O mandamento do Pasquim era o seguinte: "Hay gobierno? Soy contra." Entender imprensa livre é entender isso. Quando os herdeiros do Pasquim esqueceram esta lição, o jornal acabou."

Gostaria de ter esse otimismo, mas com os precedentes abertos pelos processos contra jornalistas blogueiros no Brasil e a sanha dos sindicatos de jornalistas espalhados pelo país em tentar emplacar o controle da imprensa através de um novo projeto do CFJ, prevejo um horizonte nebuloso tanto para os grandes grupos de comunicação quanto para o jornalismo alternativo. Se o PPS emplacar na assessoria de imprensa no governo Yeda o mesmo estilo de José Fogaça na prefeitura, podem se preparar para a castração.




Choque de gestão

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"Governadora eleita do RS, Yeda Crusius começa a compor sua equipe de governo"




Jesus me abane muito

"Prováveis secretários de Yeda...

Vieira da Cunha - Deputado federal mais votado do PDT, pode ser chamado para a Segurança, cargo que recusou em 2002." (Rosane de Oliveira, ZH)




Inclusão popular

Frase proferida por um fiscal petista agora há pouco no Cacau Lanches, na rua Santo Antônio: "Agora que a Yeda ganhou, eu quero mais é que o Rio Grande do Sul se foda".




Caça aos petistas parisienses

Estou no exílio, não sou obrigado a votar. Ainda bem. Escolher entre Lula e Alckmin não dá. Mesmo assim, me dei ao trabalho de ir até a Embaixada do Brasil em Paris para ver o movimento e investigar onde seria a festa petista. Caçada implacável aos petistas parisienses. Porque comemorar a vitória na Avenida Paulista é coisa de pobre. O Lula esperou o resultado final no Hotel Intercontinental, nos Jardins, em São Paulo. Pobre.

Em 2002, lembro de ter visto imagens de Paris EM CHAMAS com a festa petista. Desta vez foi difícil, os petistas estavam todos escondidos. Mas encontrei. Tirei as fotos que foram possíveis tirar com a câmera do celular. Enquanto o Lula não deposita o meu dinheiro, não posso comprar uma câmera decente para trabalhar direito. Cobertura completa no "Continue lendo..."


"Joga a bóia que tá afundando."

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Ponto Zero da segunda Onda Demente

13h06: saio de casa para almoçar. Tem um colégio estadual na minha rua e vejo militantes do PT e do PSDB nas duas esquinas.

Para o petista: "Hã, oi. Tu sabe que não pode agitar bandeira tão perto da zona eleitoral, né?"

Petista: "Que o quê. Some da minha frente, ô privatista".

Atravesso a rua.

Para a tucana: "Hã, oi. Tu sabe que não pode agitar bandeira tão perto da zona eleitoral, né?"

Tucana: "Por que tu não vai reclamar para o Lula, seu mensaleiro de merda?".

15h37: converso com dois pesquisadores de boca de urna na frente do colégio IPA – em uma das regiões mais conservadoras de Porto Alegre. Os dois admitem que Lula está disparado contra Alckmin e que Yeda e Olívio estão empatados. Eleição no RS é assim: maragato x chimango, Grêmio x Inter. Mas todos felizes pela choradeira ao vivo de Germano Rigotto quando ficou fora do segundo turno. Nisso, ele realmente uniu os gaúchos. Méritos para o Guri Chorão.

16h54: alguém avise ao comitê de Yeda que militantes dela foram vistos comprando cerveja no mercadinho Progresso – esquina da rua 24 de Outubro com a Ramiro Barcelos. Em humilde análise, eles já estavam devidamente entragolados.

17h43: com 16% dos votos apurados, Yeda Crusius lidera com folgados 150 mil a mais que Olívio Dutra.

17h53: a RBS declara Yeda governadora eleita do RS e os jornalistas começam a conjecturar como ela dialogará com o – suposto – presidente reeleito Lula. Com 31% dos votos apurados, a diferença já é de mais de 200 mil votos.

18h04: militantes petistas debandaram do comitê de Olívio e só devem voltar quando saírem os números da votação de Lula.

18h13: com 50% das urnas apuradas, Yeda amplia a vantagem para 300 mil votos em relação a Olívio. Praticamente garantido que o Rio Grande do Sul manterá a tradição de seguir na vanguarda da contramão: eleger governadores opositores ao ocupante do Palácio da Alvorada.

18h40: pode ser uma avaliação precipitada, mas o PT gaúcho sai fortalecido dessa eleição. A inesperada entrada no segundo turno e a perspectiva de ficar com cerca de 46% dos votos válidos – e a vitória em Porto Alegre – ressucita o partido com um resultado em uma eleição que era dada como perdida há menos de um ano. Mesmo com os escândalos que envolveram o diretório regional, petistas gaúchos saem com uma boa cotação em nível nacional dessa campanha e começam a se preparar para as eleições de 2008 na capital gaúcha. Se quiserem acabar com a miopia que impera no partido desde 1998, que aproveitem e apresentem um nome novo para disputar por Porto Alegre.

18h47: meu dia está ganho. Raul Pont (PT-RS) acaba de admitir a derrota de Olívio Dutra. Espero que amanhã não se arrependa da declaração e decida processar a imprensa.

19h09: Yeda Crusius é a nova governadora do Rio Grande do Sul. Aguardo ansiosamente a foto de Germano Rigotto (PMDB-RS) passando a bomba para ela depois de ter sido espinafrado durante todo o segundo turno e ficado magoadinho. Isso nenhum gaúcho esquece.

19h19: Lula está matematicamente reeleito presidente e o Rio Grande do Sul prossegue na luta contra o Império. Mais quatro anos de diversão. Ah, e 2007 é o ano do Fogaça no calendário A Nova Corja.

19h23: conversa com o Walter via MSN:

Rodrigo Alvares diz:
Estranho: nada de buzinaço pela vitória da yoda

Walter diz:
CLARO

Walter diz:
A YODA NÃO EXISTE

Walter diz:
ALUCINAÇÃO COLETIVA




ZH = PT ou RBS mente

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Campanha pelo voto nu toma as ruas

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Para quem duvidou da força da campanha Insanus pelo VOTO NU, aí está um registro feito no sábado à tarde, no viaduto da Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre. Amanhã, faça a sua parte: não vote em Lula, não vote em Alckmin, não vote nulo. VOTE NU.




A saga da Foice de Plástico da Verdade

Tempos dementes exigem medidas dementes. Adoro andar no centro de Porto Alegre nos sábados à tarde, mas hoje precisei reagir à loucura eleitoral que assola o Estado. Diante dos derradeiros acossamentos de funcionários públicos petistas ressurgidos das cinzas e o desespero geral dos tucanos, me deram tantos panfletos e adesivos que comecei a imaginar o calote que as gráficas vão levar. Decidi me refugiar nas Lojas Americanas da Rua da Praia. Saí de lá com uma arma.

Na Esquina Democrática, uma aposentada com bandeira do PTB veio me entregar outro flyer da Yeda e empunhei contra ela a Foice de Plástico da Verdade, comprada por R$ 4,99 na promoção do Dia das Bruxas. Ela se assustou e voltou ao seu grupo. Alguns metros adiante, petistas haviam assistido à cena e me abordaram. Segui firme e disse "Não te ilude. Sai da minha frente ou sofra as conseqüências da Foice de Plástico da Verdade. Ceifarei os CCs de todos vocês". Fiz o teste e caminhei até minha casa no Bom Fim com a foice no ombro. Não só passavam longe de mim como algumas pessoas cheias de bandeiras atravessavam a rua para me evitar. Acho que finalmente entenderam a mensagem.




Opus Dei tocando o horror

Bateu o desespero na Opus Dei com a vitória do Lula. Recebi por email a seguinte carta de recomendação:

"Mensagem aos jovens e aos homens e mulheres de bem.

O que vimos ontem no debate?

O debate entre um homem digno, um homem de caráter, um estadista, um cristão ético, no confronto com um bandido, um canalha, um mentiroso, um prevaricador, um estelionatário, um corrupto, um mafioso, que poderá continuar governando o país pela vontade de uma massa de ignorantes que são feitos de palhaços e sustentados com doações de pratos de comida – compradores de votos – mas sem chances de lutar por uma vida digna e justa, se resignando a perpetuar-se como casta inferior da sociedade com direito apenas ao assistencialismo da bolsa-família.

Os caminhos de Deus podem ser incompreendidos, mas sempre chegarão às fontes da luz da libertação dos homens e mulheres de bem do jugo dos canalhas."

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Copy/Paste do dia

Chaui + Janine + Mangabeira = PT

"Mangabeira, o consultor - Há duas semanas, o polêmico dublê de cientista político e consultor Mangabeira Unger (que já quis até ser candidato a presidente, lembram-se?) esteve ao lado de Lula num palanque. Sem alarde, o mesmo Mangabeira acaba de ser contratado como consultor da Santos Brasil, a empresa que opera o terminal de contêineres no Porto de Santos. Um dos controladores da empresa é nada menos que Daniel Dantas. Quem soube da contratação já especula: Dantas quer aproximar-se do governo Lula." (Radar, Veja, 01/11/06)




Last Blogging

Em tempo surreal

22h12: William Bonner explica que os eleitores indecisos farão as perguntas de uma forma que conseguiu me deixar mais confuso.

22h14: os candidatos entram no palco.

22h16: Alckmin será o primeiro a responder. Ele toca em um quadradinho e aparece a pergunta de Rutilene, de Belém (PA), sobre educação básica.

22h17: Lula não tira os olhos de Alckmin durante a explicação sobre o Fundeb.

22h21: o formato do debate é igual e dinâmico como o do segundo turno de 2002. Os candidatos ficam dando umas bandas pelo palco com um olhar de "Te esgano" para o outro. Projac Fashion Week total.

22h25: os candidatos têm muito pouco tempo para replicar.

22h28: Lula começa o biriri habitual e Alckmin e pouco resta a Alckmin a não ser se sentar na cadeira e esperar sua vez.

22h37: "Fiz a maior obra de saneamento básico do país", diz Alckmin, em resposta a um coitado que perdeu todos os móveis de casa nas enchentes costumeiras em São Paulo. Chegou a mencioanr a criação de 22 piscinões no Estado.

22h45: quatro eleitores perguntarão aos candidatos. Cristiane é cabeleira e fala do desemprego. Quer saber quando de fato essa praga vai diminuir. Acorda, mulher.

22h49: ainda não falaram de São Paulo. Que milagre.

22h50: "O Serra tá ali. Pergunta para o Serra sobre o Paraguai", acusa Lula.

22h53: Jucilene quer fazer uma pergunta sobre o Meio Ambiente e pergunta o plano dos senhores a respeito disso. Para variar, Alckmin diz que sua pergunta é "extremamente importante".

22h56: Lula menciona os números do desmatamento na Amazônia e Alckmin circunda o presidente pela arena rindo da resposta.

22h58: o tempo está SEMPRE esgotado para os dois candidatos.

23h03: enquanto Alckmin fala que as fronteiras estão abandonadas, Lula passa em segundo plano rindo da resposta tucana.

23h15: um morador de Porto Alegre pergunta sobre corrupção para Alckmin.

23h21: Chuchu vai para o ataque e fala do Mensalão, Francenildo e afins.

23h24: Lula chamou Alckmin de "Meu Querido". Assim não dá.

23h39: deus, biriri interminável. Tempo esgotado, candidato.

23h45: último bloco do debate. Alckmin fala sobre os problemas elencados pelos espectadores. É cortado por Bonner. Lula pode dar a conversa mole que quiser, mas ainda tem uma puta empatia com a câmera. o Chuchu elenca os problemas do Brasil e é cortado de novo por Bonner.

23h50: finalmente, Lula fala do PCC. Alckmin responde perguntando sobre o dinheiro do Dossiê Tabajara – risadas na platéia.

23h59: encerra o debate. Bonner agradece esse exemplo de democracia. ABRASSO.




A seguir: Last Blogging

21h22: Quando a Globo anuncia a transmissão ao vivo do último debate recai a desconfiança que surgiu durante as eleições: se tu precisa chamar um estilista, psicólogas e políticos – além da reportagem on-line direto do estúdio –, é um sinal de que esse formato de cobertura está desgastado. Geraldo Alckmin (PSDB) acaba de apresentar seu último programa eleitoral em um clima de velório. Não creio que o debate retire a cal.




Chama o Zveiter

O site de Yeda Crusius já está desativado por determinação do TSE, que proíbe a veiculação de propaganda política na internet desde 48 horas antes da eleição. Enquanto isso, Olívio Dutra – torcedor assumido do Inter – aproveita os minutos finais para mostrar o apoio recebido pelo árbitro Carlos Simon.

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Simon:não há outro candidato com melhores propostas e capacidade para governar o RS




A Nova Corja NÃO entrevista Yeda Crusius

Cerca de duas semanas atrás, recebi mensagem no Orkut de uma assessora da candidata Yeda Crusius (PSDB/ RS) na qual ela admitia que “Eu leio teu blog. Mesmo quando tu detonas a minha candidata..rs!!”. Aproveitei a brecha e negociei com ela uma entrevista via e-mail. Como a equipe de imprensa estava realmente atolada de pedidos de entrevistas – mais de 130 apenas para rádios do interior, na primeira vez que liguei para lá –, as questões enviadas na terça-feira da semana passada (17/10) continuam sem resposta. Abaixo, a não entrevista com Yeda Crusius:

1) A senhora pretende honrar os contratos e manter o patrocínio do Banrisul nos uniformes de Grêmio e Inter no seu governo?

Yeda: ...

2) O governador Germano Rigotto (PMDB/ RS) declarou que o Desfile da Semana Farroupilha seria um dos maiores eventos turísticos do Brasil em poucos anos. A senhora pretende mantê-lo ou não existem formas mais criativas para divulgar a cultura do Estado?

Yeda: ...

3) Qual a sua opinião sobre os debates do segundo turno? O excesso de discussões sobre o Banrisul e a Ford não acaba por esvaziar o interesse das pessoas para, assim, evitar assuntos que demarcariam melhor suas diferenças em relação a Olívio Dutra e manter sua posição nas pesquisas?

Yeda: ...

4) O PT vendeu a tese de que o povo gaúcho é contra a privatização do Banrisul e a sua campanha comprou-a prontamente, mesmo indo contra o histórico do seu partido. A senhora não considera a possibilidade de que muitos gaúchos - talvez a maioria - sejam a favor da privatização?

Yeda: ...

5) Caso o Banrisul fosse mesmo privatizado – seja pela senhora ou por Olívio Dutra –, como o Estado faria para honrar a folha de pagamentos do décimo-terceiro ao funcionalismo público, por exemplo? De onde sairia o dinheiro?

Yeda: ...

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A Nova Corja NÃO entrevista Olívio Dutra

Enviamos na quinta-feira passada 11 perguntas ao candidato Olívio Dutra. Infelizmente, não foram respondidas até a manhã desta sexta-feira, mais de uma semana depois. Assim, publicamos apenas a metade da entrevista que é composta pelas perguntas. Essa metade fica em aberto para o caso do Galo Missioneiro conseguir a virada e se eleger governador. A seguir, publicaremos a não entrevista de Yeda Crusius.

1) O senhor tem se mostrado contrário ao projeto de florestamento na metade sul do Estado. Admtindo-se que tem razão, qual seria a alternativa ao florestamento? O senhor poderia citar alguma idéia concreta para substituir esse projeto?

Olívio: ...

2) O senhor defende o Banrisul, mas a única utilidade aparente do banco do Estado é fazer empréstimos ao governo para pagar o 13º salário dos servidores e patrocinar o Grêmio e o Internacional. De fato, o Banrisul é considerado um péssimo banco, basta perguntar nas ruas. Será que a maioria dos gaúchos não apóia a privatização? Por que não privatizá-lo, afinal?

Olívio: ...

3) Por falar na questão dos empréstimos, o senhor pretende continuar usando essa tática? Qual será o método de seu eventual governo para equilibrar as contas do Estado?

Olívio: ...

4) O PT colocou a privatização do Banrisul no centro do debate neste segundo turno e o PSDB responde com o caso Ford. Isso não acaba por relegar a segundo plano a discussão das diferenças concretas entre as duas propostas e afastar o interesse do eleitor na campanha?

Olívio: ...

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Lasier Martins vence o debate

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Live blogging pela metade

Só consegui chegar em casa agora, então começo um live blogging bem pela metade. Trata-se do debate mais importante do segundo turno no Rio Grande do Sul, Olívio Dutra versus Yeda Crusius. O debate ganhou outra dimensão ao longo do dia de hoje depois da divulgação da pesquisa Voto/Methodus, que indica que a diferença entre os dois candidatos caiu em mais de 25%. A disputa será emocionante nestes últimos três dias de campanha. Mesmo atrasado (perdi um bloco inteiro) e sem os comentários dos outros colegas, começo este live bloging:

23h02min: enquanto eu entrava em casa e colocava a cerveja na geladeira, ouvi a briga sobre a política de segurança. Yeda disse que associar o PSDB ao PCC (por casa do governo Alckmin) é "forçar a barra". Outra coisa que meu ouvido conseguia captar lá da cozinha sem parar era a voz mala do Lasier dizendo "tempo, candidato, tempo, tempo...". MALA.

23h06min. "Essa é uma falácia, dona Yeda", falando da irrigação para o campo. Yeda diz que o PT não quer irrigação. O chato de morar no RS é ter que aguentar mais da metade dos debates centrados no campo. Para um porto-alegrense, isso fica bem chato. Mas ok, é justo. Vamos lá.

23h13min: "Eu vou contar o que eu fiz no caso do Polão!" Yeda ameaça abrir o jogo. Ela afirma que recebeu três projetos diferentes, na verdade não aprovou nenhum. Na verdade optou pelo menos ruim. Muito mal explicado. Para quem é de fora: o Polão é um sistema de estradas na região metropolitana que aumentaria a quantidade de pedágios.

23h15min: Finalmente a Ford entra no debate! A perda da fábrica da Ford é a questão política mais importante no Rio Grande do Sul nos útimos 20 e nos próximos 20 anos. Yeda diz que não votou a tal emenda na congresso que ajudaria a Ford a sair do RS e ir pra Bahia. "A senhora votou a favor das oligarquias da Bahia! Nós estávamos CHINCHANDO a Ford pra ela ficar aqui." Olívio impagável.

23h18min: "Nós queremos a Toyota!", acredite, frase de Olívio Dutra.

23h23min: "Queremos metas com indicadores de resultado". Precisa dizer de quem é a frase? Ela estava falando sobre educação, agricultura ou saúde? A frase serve pra todos.

23h26min: Lasier entra no clima terrorismo que deve tomar conta dos próximos três dias aqui na província: COMEÇAMOS MAIS UM BLOCO, SUA ÚLTIMA CHANCE DE DEFINIR O SEU VOTO.

23h28min: Yeda parte pra cima: "Que oportunismo, candidato!". A conversa é sobre aumento de impostos. A Nova Corja simplifica para o leitor: Olívio tentou aumentar impostos. Yeda e seu partido aprovaram o aumento de impostos no governo Rigotto. TODOS OS POLÍTICOS SÃO A FAVOR DO AUMENTO DE IMPOSTOS. De nada.

23h31min: "Esse seu economês o povo não entende", afirma Olívio. Se dependesse o "papo que o povo entende", esse país tava perdido, Olívio.

23h35min: Há uma mulher (que não quer ser identificada) ao meu lado, e ela faz uma análise sobre o cabelo de Yeda. Diz ela que, no primeiro debate, o cabelo de Yeda parecia o de uma AVE DE RAPINA. Agora está menos armado, não chama a atenção. Pelo menos em alguma coisa a desastrosa equipe de marqueting de Yeda acertou.

23h41min: Sobre a Aracruz e as empresas de florestamento, Olívio diz que quer uma relação HOLÍSTICA com a natureza. Que lindo. Um comunista hippie.

23h47min: Laiser anuncia o último bloco. Po, eu tava recém aquecendo. E vamos para as considerações finais. Yeda diz que o debate está apelando para a depreciação da pessoa. Agora Olívio: queremos ampliar o protagonismo do povo, e bla bla bla bla.. de sempre.

Acabou meio sem pé nem cabeça. O clima tava quente, mas o Lasier, seguindo a sua vocação de velho corta-clima caretão, acabou com a festa. Uh, fracasso. Mas os próximos dias serão quentes aqui no Rio Grande do Sul. Acompanhe pela Nova Corja, caro leitor, e não perca nenhum detalhe.




2006: Uma Odisséia na Demência

Geraldo Alckmin (PSDB/ SP) declarou há pouco, durante sabatina no jornal Estado de São Paulo, que "sob o ponto de vista ético, nós retrocedemos à idade das pedras, ao invés de se avançar na política, no princípio e em valores". Partindo desse raciocínio, dá para concluir que os tucanos deixaram a presidência com o Metal Ético tinindo em Brasília.




Alckmin = baita comunista

Enquanto os petistas ficam aí falando nos seus celulares e reclamando das privatizações, aqui na França a VERDADEIRA direita de Jean-Marie Le Pen começa a botar as garras para fora. A próxima convenção da Frente Nacional será de 10 a 12 de novembro:

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Não adianta chorar pelo leite derramado

Ora, Alckmin afirmou que Lula reduziu em 500 milhões os investimentos no Nordeste, que fez uma política de irrigação zero, que prometeu a nova Sudene e não cumpriu, entre outras críticas. Pode ser tudo mentira. Mas Lula não refutou uma só delas, se destemperou nitidamente na resposta, e se agarrou a um discurso sentimentalista do tipo “conheço aquela gente”. Quem ganhou o round?

Fiúza tem razão quando diz que Alckmin venceu o último debate. Só está errado ao partir do princípio que argumentação racional faz alguma diferença em uma campanha eleitoral. Lamentavelmente, os cidadãos costumam seguir muito mais a "impressão" que o candidato lhes deixa do que as idéias transmitidas por ele. O que aliás explica a qualidade de nosso Congresso. É preciso se render à dura realidade: a esfera pública terminou, se é que algum dia existiu, e o único a ainda acreditar nela é Habermas.

É por isso que Alckmin vai perder: enquanto fala em megawatts e juros, Lula apela para as memórias sobre sua mãe, a fome e metáforas de futebol.




Parabéns, Yeda

A última pesquisa Voto/Methodus – única que acertou a tendência de crescimento de Yeda Crusius no primeiro turno – , divulgada hoje deixa claro que a omissão nos debates e a fraca campanha da candidata resultaram em mais uma polarização nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul. Yeda decerto acreditou no próprio hype das primeiras pesquisas e conseguiu o que era praticamente impossível: ressucitou o PT gaúcho.

Yeda (PSDB) - 49,2%
Olívio (PT) - 43,1%
Não sabem/Não opinaram – 4,0%
Brancos/Nulos – 3,8%

A pesquisa foi feita nos dias 23,24 e 25 de outubro junto a 2200 eleitores de 50 cidades gaúchas. A margem de erro é de 2,3 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TRE sob o nº 63.082/2006. Está marcado para hoje à noite debate entre os candidatos na RBS TV depois da novela. Preserve sua sanidade e torça pela afonia de ambos.




Fogo amigo

Uma fonte que evidentemente prefere se manter no anonimato jura que o candidato a vice-governador de Yeda Crusius, o pefelista Paulo Feijó, teria afirmado em uma roda de bate-papo com seus pares no Instituto de Estudos Empresariais, no dia 26 de junho, que teria sido convidado a compor a chapa apenas por seus contatos no meio empresarial (amigo empresário = doação para a campanha). Teria dito ainda que a Yeda não é capaz de organizar nem o orçamento da própria casa.

A assessoria de imprensa de Feijó nega veementemente essa informação, muito embora não tenha interrompido a ligação para perguntar ao candidato se era ou não verdade:

— Isso é calúnia, fuxico. Feijó entrou na candidatura porque acredita na competência de Yeda. Ele é um administrador respeitado, não colocaria seu nome em risco.




Sicofantas, pusilânime, batráquios!

Diogo Mainardi e Marcelo Madureira xingam os petistas em MP3 na esperança de obrigá-los a consultar pela primeira vez o dicionário.




Tocando o Terror

Nas eleições para o governo do Rio Grande do Sul em 1998, a Frente Popular (chapa do então candidato Olívio Dutra) pediu a apreensão da edição de 25 de outubro do jornal Zero Hora. A medida foi interposta pela Justiça Eleitoral porque na capa da edição do mesmo dia da eleição, foi publicada uma nota assinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB/ SP).

Nela, havia um pedido para que eleitores votassem no candidato à reeleição, Antônio Britto (PMDB/ RS), porque ele era amigo do presidente e isto garantiria o ingresso de mais verbas federais no estado. A nota previa um péssimo futuro se o oposicionista Olívio ganhasse o pleito. O texto tinha o seguinte trecho grifado "Eu serei sempre partidário daquilo que for bom para o Rio Grande, mas farei com maior facilidade se o governador for Antônio Britto". Olívio venceu a eleição por uma diferença de 50 mil votos.

Agora, em 2006, o PT gaúcho não só resolveu colar a imagem do Bigode a Lula, como também tem usado as inserções e o horário eleitoral para praticar um recurso parecido. Usando a mesma tática da campanha de Geraldo Alckmin, não é Olívio quem aparece na tela para fazer acusações contra o PSDB. O marketing petista tem usado atores para alertar aos gaúchos que “os problemas econômicos do Estado só serão resolvidos com um governo em sintonia com a presidência, o que facilitaria o diálogo”. Esse terrorismo eleitoral tem acontecido na campanha de Lula, mas o diretório gaúcho resolveu utilizar essa tática depois de ver que o presidente decolou nas pesquisas e esmigalhou Alckmin nos debates. Mais uma vez, o PT deixa claro que é da mesma laia que os outros partidos. Torpeza geral.




Baixou o Lula na Yeda

Yeda Crusius (PSDB/ RS) cancelou diversos compromissos com a imprensa durante o segundo turno. Faltou em cima da hora a debates e entrevistas que só trariam benfícios à sua candidatura. Ontem, desistiu em cima da hora da ir a um debate com Olívio Dutra na Rádio Gaúcha. O petista teve campo livre para falar por duas horas.

Ricardo Duarte/ ZH
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Os eleitores conhecem a Maldição da Cadeira Vazia

A tucana alegou, mais uma vez, problemas de saúde: estaria afônica. Entretanto, discursou na sede do PMDB por 15 minutos à noite. As ausências de Yeda podem ser mesmo por causa do desgaste da campanha, mas passa ao eleitor a mesma sensação de prepotência que marcou o primeiro turno presidencial. A insistência de Lula em não debater – especialmente no debate da Globo – foi o que realmente levou a eleição ao segundo turno. Se agora Yeda acha que a eleição está ganha e só deve satisfação a seus aliados e não aos eleitores, dá uma amostra do que acontecerá quando estiver no Palácio Piratini.

Debates e entrevistas que Yeda cancelou

Gaúcha Repórter (Rádio Gaúcha)
Confirmou, depois desmarcou, voltou a confirmar e desmarcou novamente, minutos antes do programa de ontem.

Polêmica (Rádio Gaúcha)
O debate estava agendado para o dia 18. Yeda cancelou no dia 11, durante a reunião que trataria das regras.

Gaúcha Hoje (Rádio Gaúcha)
Olívio deu entrevista no dia 9. Yeda falaria no dia 10, mas adiou para o dia 13 e não compareceu.

Programa Linha Aberta (Rádio Farroupilha)
Olívio concedeu entrevista no dia 11, às 17h30min. Ela deveria entrar no programa às 18h do mesmo dia. Cancelou a participação, marcou para o dia 17 e também não compareceu.

ClicRBS
Yeda não participou da entrevista marcada para o dia 18.

TV Bandeirantes
Não foi à entrevista ontem, às 19h.

Rádio Ipanema
Olívio falou no dia 11. Yeda tinha entrevista no dia 17, mas não foi.

Rádio Guaíba
Cancelou a entrevista de ontem.




Perguntinha

Em qual candidato vocês depositarão seu voto para governador de São Paulo, Lula ou Alckmin?




Banrisul financiou Paulo Maluf

Entre todos os argumentos usados e gritados por petistas e tucanos a respeito da função pública do Banrisul, até agora não ouvi de nenhum lado o fato de que o banco estatal doou R$ 5,51 à campanha de Paulo Maluf ao governo de São Paulo em 2002 – durante o governo Olívio Dutra (PT/ RS). Caso alguém queira averiguar os detalhes, o CGC é 92.702.067-96.




Parcialidade heterogênea

Muita gente chiou quando foi descoberto que em 2002 a Editora Abril financiou com R$ 80.695,00 as campanhas de Alberto Goldman (PSDB/ SP), Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB/ SP) e Emerson Kapaz (PPS/ RS). Vale mencionar que este último não foi eleito e recebeu dinheiro da Máfia dos Sanguessugas, fato que não deixou de ser destacado na revista Veja.

Ao menos no Rio Grande do Sul, rola uma certa heterogeneidade. A Empresa Jornalística Pampa LTDA – que publica o jornal O Sul – distribuiu da seguinte forma os R$ 70.866,90 entre os candidatos gaúchos:

Yeda Crusius (PSDB/ dep. federal): R$ 17.022,40

Sérgio Zambiasi (PTB/ senador): R$ 12.306,00

João Augusto Nardes (PTB/ dep. federal): R$ 6.930,00

Vieira da Cunha (PDT/ dep. estadual): R$ 6.930,00

Paulo Paim (PT/ senador): R$ 5.940,00

Mendes Ribeiro Filho (PMDB/ dep. federal): R$ 5.544,00

Cezar Schirmer (PMDB/ dep. federal): R$ 4.536

Luiz Augusto Lara (PTB/ dep. estadual): R$ 4.536

Jair Soares (PP/ dep. estadual): R$ 3.118,50

Sanchotene Felice (PSDB/ dep. estadual): R$ 1.592,00

José Carlos Weber (PMDB/ dep. estadual): R$ 1.584,00

Osmar Terra (PMDB/ dep. estadual): R$ 1.188,00




Existimos

Nestes poucos anos de existência de A Nova Corja já fomos acusados de tudo: tucanos, petistas, veados, machistas e até, acredite, já fomos acusados de não existir. Sabiamente, o Rodrigo Alvares fez um álbum de fotos com alguns momentos de A Nova Corja. Este site está agora disponível. Vejam nossas caras, não somos pseudônimos, acreditem.

A Nova Corja é:

Walter Valdevino (filósofo, radicado em Porto Alegre, atualmente cursa doutorado em Paris. Mantém um blog pessoal).
Rodrigo Alvares (jornalista, radicado em Porto Alegre)
Gabriel Brust (jornalista, radicado em Porto Alegre, cursa pós-graduação em Economia na UFRGS)
Marcelo Träsel (jornalista, radicado em Porto Alegre, cursa mestrado em Comunicação na UFRGS. Mantém um blog pessoal).
Renato Parada (jornalista, radicado em Campinas -SP. Mantém um blog pessoal.)




Live mais ou menos blogging

Estamos eu (Brust) e o Rodrigo assistindo ao debate entre os presidenciáveis na Record. Depois de algumas cervejas e poucas palavras, decidimos não fazer um live blogging como em outros debates. Até porque ninguém aguenta mais essa coisa de sempre. Aliás, o Lula começou a sua primeira fala mais ou menos nesse espírito: disse que este já deve ser o décimo debate de que participa desde que disputa a presidência (pena que, no mais importante, ele não foi). Bem, quem quiser acompanhar, vamos lá. Live blogging mais ou menos começando agora.

22h35min: Lula começa dizendo que o candidato tucano evitou 69 CPIs no governo de São Paulo. Que Alckmin não curte um 69, isso ninguém tem dúvida (piada medíocre, avisei que o live blogging seria mais ou menos).

22h39min: Lula diz que ninguém provou nada contra Jefferson. Quem diria, Roberto Jefferson ainda é assunto. Por aqui, o Rodrigo se diverte brincando com o gato, alheio ao debate.

22h40min: Alckmin diz que Lula criou o "Bolsa Banqueiro". Ele tá ficando bom nesse tipo de piada. Lula devolve: "estranho que o banqueiros todos votam no Alckmin". Geraldo chuta de volta: "Lula gosta de ironia. O Brasil tá como carangueijo: andando de lado".

22h45min: Lula se embanana todo. Confunde cego com pobre: "Temos o projeto cão-guia, para deficientes. Antes, pobre não entrava no Planalto. Agora o pobre, se tiver cego, entra no Planalto com cão-guia". O Rodrigo grita aqui: "chama o Jatobá!"

22h51min: Alckmin faz uma lista patética: vou cortar impostos, vou isso, vou aquilo, e vou dar emprego para o seu filho. Lamentável. O amigo Marcus Becker, que acompanha o debate aqui com a gente, define: "Flanders!".

23h: Alckmin revela que José Alencar está cogitando a possibilidade de instalar uma empresa na China. A conferir. Vindo do Zé Alencar, não é de se duvidar.

23h06min: Lula ri, tira onda. "Ô Auquimin... Auquimin...".

23h09min: Auquimin fala em educação. Cristóvão deve estar delirando, sonhando com a "revolução doce". Em seguida diz que a política federal para educação em São Paulo é ineficiente. Aqui, Rodrigo protesta: "Porra, só falam em São Paulo". Lembro agora da piada recorrente ao longo da semana: "Diz que o Alckmin quer botar o MINHOCÃO dele no RODOANEL do Lula".

23h17min: O papo agora é saúde e o bicho pega. Alckmin cita o desastre da saúde no RJ e Lula devolve, sem citar nomes, detonando Garotinho, que apoiou Alckmin. Risos na platéia. Lula, de fato, está exagerando na ironia. Nós da Nova Corja adoramos ironia. Em frente!

23h24min: Começa o terceiro bloco com perguntas dos "jornalistas" da Rede Record. A primeira a perguntar é uma bonitinha, gaguejou, mas perguntou. Não reparei na pergunta. Rodrigo diz que ela perguntou "o que o senhor acha de Alckmin como pessoa pública?". Lula diz que teve grande relações com tucanos, mas ultimamente eles anda meio "nervosos".

23h29min: Começam os aplausos! Tava demorando. Debate em São Paulo tem que ter a chinelagem das palmas, gritos, etc. A jornalista bonitinha de antes volta a perguntar. Pede para Alckmin dizer qual seu principal defeito como homem público. Que amor, só falta ela perguntar qual o prato preferido dele. Ele enrola e não responde. A próxima pergunta deve vir de Monique Evans, para o programa TV FAMA.

23h35min: Bob Fernandes, do excelente Terra Magazine, pergunta sobre as tentativas do governo do PT de amordaçar a imprensa. Lula continua irônico. Diz que o problema no Brasil é que um canal de TV fica com o pai, a estação de rádio fica com o filho, e famílias inteiras comandam as comunicações. E emenda: "quando eu era candidato não tinha debate, agora tá cheio". Segue: "os meios de comunicação abusam! Não é democratização". Lula quer, ele mesmo, "democratizar" os meios de comunicação. Que meda.

23h46min: Alckmin diz que o preço da comida vai aumentar depois da eleição. Lula, supersticioso, bate três vezes na madeira da bancada. Demagogo, emenda: "Por favor, não torça para os preços crescerem. Deixa o pobre comer fié mignon!".

23h49min: O Rio Grande entra no debate! Finalmente. Não com muito efeito, é verdade. Alckmin critica a política agrícola do governo e Lula responde: "no Rio Grande do Sul tivemos uma imensa estiagem, e criamos o seguro agrícola". Alckmin garante que não tem seguro nenhum. Aqui, Rodrigo faz justiça: o seguro agrícola foi criado, no Estado, pelo bigode.

23h51min: Lula: "na pergunta, a perguntadora disse que..."

00h01min: Aerolula entra no debate. Lula diz que "Alckmin vendeu usavião do Estado de São Paulo". Diz que Alckmin quer privatizar até o Aerolula! Genial.

0h13min: O populismo de Lula não tem limites, mas funciona incrivelmente. Alckmin pergunta sobre o Nordeste e Lula larga essa: "você não sabe o que é comer café com farinha. Eu sei o que é um retirante da seca vir pra São Paulo". Alckmin ouve com aquela cara de bundinha de sempre. Game over. Não há o que fazer.




Não é possível votar em Lula

Desisto. Passei as últimas três semanas me confrontando com o dilema: votar em Lula ou não? Uma dúvida que, certamente, deve estar sendo compartilhada por muitos eleitores que se consideram de esquerda, que sempre votaram na esquerda e que sempre rechaçaram o tipo de política representada pelo PSDB e, principalmente, pelo PFL. Fui tendencioso, confesso. Todos os meus esforços mentais foram para me convencer de que, sim, era possível, mais uma vez votar em Lula. O argumento mais forte: a roubalheira sempre existiu e vai continuar existindo – talvez pior – com os tucanos e com o PFL no poder. E o povo foi mais beneficiado com o governo Lula. De fato, as políticas públicas do governo petista me pareceram – e em muitos casos isso é comprovado por números isentos – mais eficientes que as do governo anterior. São visíveis os avanços do país no que diz respeito à redução das desigualdades sociais, além das quantidades de dinheiro aplicados em setores como educação e proteção social serem proporcionalmente muito superiores às do governo Fernando Henrique. Sendo pragmático, fica fácil votar em Lula.

Mas a questão é um pouco mais complicada. Existem sacrifícios que devem ser feitos em nome do futuro do país, em nome de uma política minimamente ética que será herdada por nossos netos. E, senhores, este sacrifício, para o povo brasileiro, significa ser governado durante quatro anos pelo PSDB e pelo PFL.

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Centauro dos Bandeirantes

Mauro Vieira/