por Marcelo Firpo

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Despite all my rage I´m still just a rat in the cage

Certa vez, viajando de trem de Barcelona pra Milão (uau, que PESSOA VIAJADA), conheci um PEDREIRO UCRANIANO. Ele sentou na poltrona do lado da minha, remexeu na sua valise surrada - foi aí que percebi que era um trabalhador braçal, pelo pretume das unhas - e puxou papo, numa mistura de português de Portugal com espanhol. Tinha o pior hálito do mundo, os dentes podres, mas uma história interessante: trabalhava regularmente como pedreiro no Porto e estava viajando de trem até alguma cidade italiana pra fazer um trabalho extra, melhor remunerado. Me mostrou o horrendo passaporte ucraniano, que, além de ser ROXO, tinha um efeito 3D fajuto de MADREPÉROLA. Contou que teve que deixar a Ucrânia porque não havia nenhum trabalho por lá, e que decidiu emigrar quando viu que a família corria o risco de passar fome.

Foi então, depois de uns 20 minutos de conversa, que eu me dei conta que ele tinha uma família, e que esta tinha ficado na Ucrânia. Até então, ouvindo histórias de idas e vindas, uma obra no Porto, uma reforma em Cascais, um muro em Sintra, jurava que o cara, de seus 40 anos, mas bem sovado pela vida, era sozinho. Perguntei pela família, e ele me disse que tinha mulher e dois filhos, com idades de 5 e 7 anos, se não me falha a memória.

Fazia quase um ano que ele não via a família.

Se tudo desse certo, imaginava revê-los por algumas semanas dentro de uns 5 meses. Fora isso, trocavam telefonemas toda a semana, mas por pouco tempo, porque era caro falar demais.

Paramos numa estação, conversamos mais um pouco, ele comeu um sanduíche que trazia enrolado em papel alumínio, ajudei-o a se entender com o pessoal da estação e me despedi, sentindo uma tristeza absurda pela vida de bosta que aquele sujeito levava.

Lembro de ter pensado na hora: "Espero nunca ter que passar por uma situação dessas."

Amanhã embarco pra Porto Alegre, pelo fim-de-semana, pra rever meus ucranianos.

14/04/2005 13:48 | Comentários (9) | TrackBack (0)