Comentários sarcásticos, crítica vitriólica e jornalismo a golpes de martelo por Marcelo Träsel


cada eleição tem os fatos que merece

É impossível ficar entediado nesta vida, entre outras coisas, porque o mundo vive ironizando a si mesmo. Em 1993, Lula comandava a Caravana da Cidadania, visitando os cafundós mais perdidos do Brasil para conhecer a realidade das pessoas. Em uma chicana da direita, imagens externas foram proibidas no horário eleitoral gratuito, e por isso o candidato então de esquerda ficou sem seu melhor material.

2006. A mesma Globo, no mesmo Jornal Nacional que detonou as chances de Lula com uma matéria distorcida sobre o debate final em 1989, faz a sua própria Caravana pelo Brasil. O objetivo é mostrar os anseios dos brasileiros em todos os cantos. Comanda a empreitada o mestre de cerimônias, poeta esportivo e jornalista áulico Pedro Bial. O primeiro texto dele dá o tom do que está por vir:

Alô, alô, segura aí as últimas, ou melhor, as primeiras da “Caravana Rolidei”! Eu sei que certo povo de língua grande, excitável como só, prefere chamar nossa expedição de “Priscilão”, tudo certo, cada um dá o que quer, inclusive o apelido que bem lhe apraz. Prefiro citar o belo filme de meu sogro Cacá Diegues, “Bye Bye Brasil”, pois naquela história de ficção o Brasil se reconheceu – ou melhor não se reconheceu, e se surpreendeu...

Sim, continuaremos suportando poeminhas como aquelas narrações em câmera lenta da Copa. Interessante que não há em lugar algum menção à Caravana da Esperança. Talvez a Globo não queira deixar tão patente a reapropriação marqueteira da idéia. Reapropriação que não é condenável em si. As reportagens inclusive são muito boas, quando o Bial fica de boca fechada. Só é triste ver que a esperança de um país melhor pela via política se tornou um carnaval midiático inócuo, em que as celebridades televisivas substituem os representantes do povo.

31 de julho de 2006, 20:38 | Comentários (17)

cotas raciais ou sociais?

Quando o sujeito se pega concordando com Ali Kamel, contra Elio Gaspari, algo está muito errado. Mas o diretor de redação do Globo tem toda razão em ser contra as cotas para negros nas universidades — ou para índios, judeus, maoris, seja lá o que for. Até reproduziria alguns trechos de sua coluna, se a versão digital do jornal permitisse copiar texto, ou ao menos gerasse páginas estáticas para as colunas. Pelo jeito, estão em guerra contra os blogueiros. Em todo caso, o argumento principal é que nem todos os excluídos brasileiros são negros. Por isso, as cotas deveriam ser dadas conforme a renda, não conforme a cor.

É verdade. Quem mora no Rio Grande do Sul sabe que no Vale do Taquari, por exemplo, há descendentes de alemães tão pobres quanto os negros. Dar benefícios a uns e não a outros é, no mínimo, imoral. Por outro lado, reforça as diferenças baseadas na cor da pele, quando o objetivo é ter o efeito contrário. Outro problema, no Brasil ao menos, é definir onde começa e onde termina a negritude. Se meu pai fosse negro e minha mãe branca, e eu fosse um pouco moreno, teria direito a cotas? O avô do ruivo Cardoso é negro. Ou seja, ele é 1/4 negro. Teria direito? Aliás, negros e brancos não têm DNA igualzinho, exceto por um gene ou dois em meio a trilhões? Então, tecnicamente, todo mundo é negro, ou ninguém é. Outra questão é a diferença entre os Estados. Uma pessoa considerada branca no Rio de Janeiro ou Salvador poderia virar mulata ao chegar em Porto Alegre.

As cotas sociais são baseadas no currículo escolar e, por isso, precisas. Não há espaço, salvo fraude, para discussão. Quem cursou escola pública ganha pontos e pronto. Inclusive, incluiria um mecanismo para levar em conta a renda familiar e impedir que filhinhos de papai entrassem em uma escola pública no último ano de ensino médio, bem como para diferenciar os remediados, que poderiam fazer cursinho, dos miseráveis. A Unicamp vem usando cotas sociais com muito sucesso. Em geral, os alunos são muito mais disciplinados e motivados que os outros. Claro que, ao propor cotas sociais, o governo admite que não cuida direito de suas escolas. Melhor faria destinando mais recursos a elas. Mas levaria tempo até consertar toda a lambança que se instaurou, então, ao menos por enquanto, dar um empurrãozinho aos mais pobres é a melhor opção.

Raramente aparece nestas discussões o argumento de que, em termos raciais, o vestibular é uma das seleções mais igualitárias existentes. O computador que analisa as folhas óticas com respostas não sabe se o candidato é branco ou negro, muito menos teria capacidade de discriminar uns ou outros. A lógica das cotas raciais é que, como são discriminados desde a infância, como seus pais tiveram menos chances por ser negros e por isso não puderam lhes dar maiores confortos e educação em escolas particulares, os candidatos negros teriam direito a preferência. Mas isso é cota social, não racial, mesmo que a causa mais anterior da pobreza seja a discriminação. Outro objetivo seria aumentar a representatividade dos negros na formação superior, já que são metade da população. No entanto, como em geral fazem parte também da metade mais pobre, acabariam recebendo preferência de qualquer maneira. E os brancos pobres do Vale do Taquari não teriam motivos para detestá-los.

A Raquel Recuero lançou há um tempo a pergunta sobre como fazer quanto ao ingresso em mestrado e doutorado. Seriam necessárias cotas? Não. Em tese, quem já passou por uma universidade e se graduou está no mesmo nível dos outros candidatos, seja qual for a cor. Inclusive, quem se formou em universidade pública tem vantagens, ao contrário do que ocorre no ensino básico. Este argumento fecha a questão por si mesmo, mas há mais.

Uma pós-graduação pressupõe um tipo de relação diferente entre a instituição e o aluno. O comprometimento das duas partes é muito maior. Um aluno da graduação pode abandonar o curso quando quiser e o problema é dele. Se um mestrando ou doutorando não defende sua tese, porém, a instituição é penalizada. O candidato precisa se adequar às linhas de pesquisa, aos projetos do orientador e, pode ser chato dizer isso, mas é preciso haver uma relação de simpatia entre um e outro. Não se passa dois ou quatro anos trabalhando com alguém com quem se antipatiza. Uma seleção para pós-graduação não pode ficar refém de um mecanismo que a obrigue a aceitar um aluno sob qualquer outro critério que não o de uma união de conhecimento, carisma e histórico que podem ser sintetizados na palavra competência.

29 de julho de 2006, 20:32 | Comentários (47)

O_o

Adote um clitóris. Como se sabe, muitas mulheres muçulmanas da África têm seus clitóris cortados, para evitar que gostem de sexo e pulem a cerca quando o marido não estiver olhando. Se isso lhe causa angústia, como aliás deveria causar a qualquer um, você pode ajudar a construir o Hospital do Prazer. Os raelianos garantem que vão usar todo o dinheiro para reconstruir clitóris na África — embora não expliquem como funciona o procedimento —, e não para comprar champanhe para seu líder.

28 de julho de 2006, 12:23 | Comentários (4)

a volta dos mortos-vivos

Acabou-se o exílio nas regiões abaixo dos 56 kbps. Posso lhes dizer que é uma zona selvagem e tediosa da existência, em que não se pode nem assistir a um vídeo de 10 segundos no Você Entuba. Muito menos fazer as pesquisas necessárias para a conclusão de um projeto de qualificação de mestrado. Por outro lado, há tempos o dia não rendia tanto em termos de leitura e escritura.

Resta ainda um prazer imenso: telefonar à GVT e mandar cancelarem o serviço, gargalhando frente ao desespero dos operadores do atendimento ao cliente. Ah, os milagres da telefonia móvel e do VoIP!

27 de julho de 2006, 18:25 | Comentários (4)

não existe vida fora da banda larga

Graças a uma operadora de telemarketing imbecil, ainda estou sem banda larga em casa. Porém, dois assuntos exigem comentários imediatos.

  • Não é preciso ler o site da Fenaj e dos sindicatos, ou a Carta Capital, para saber que vão acusar Lula de ter se dobrado aos interesses da "grande mídia" ao vetar a lei que ampliava o leque de atividades que exigiriam diploma de jornalista. Talvez. Por outro lado, ainda não encontrei nenhum bom jornalista que defendesse a idéia.

  • Se ataque "inteligente" de Israel acerta até prédios da ONU, mesmo com diversos alertas das forças de paz, imagine-se o quanto conseguem separar os civis inocentes dos terroristas.

    Porém, existe esperança nessa vida.

    ATUALIZAÇÃO: Quem diria, nem o Mino Carta. De fato, nenhum bom jornalista defende a proposta.

    26 de julho de 2006, 21:18 | Comentários (22)

    pinta lá, magrão

    25 de julho de 2006, 10:13 | Comentários (2)

    ausência

    broca.jpg

    Observe bem a foto aí em cima. Tem a ver com as férias forçadas deste blog nos últimos dias.

    Acontece é que decidi pendurar algumas coisas nas paredes de casa. Bem ao lado do computador. Como se faz nestes casos, peguei uma furadeira emprestada com minha mãe. Marquei os pontos na parede, engatei a broca do diâmetro mais adequado e me preparei para fazer o que os homens prendados fazem. Só que a extensão da furadeira não chegava a nenhuma das tomadas do recinto. Olhei para baixo e vi o filtro de linha do computador. Na hora, chegou a soar um alarme na cabeça, mas homens de verdade ignoram essas frescuras.

    Até teria dado certo, não fosse o evento que levou à foto acima. No final do primeiro furo, a broca travou em alguma coisa na parede. Isso causou uma sobrecarga na furadeira, que tentava continuar girando. A demanda extra de energia fez o fusível de 3 ampéres do filtro de linha sacrificar sua vida em nome de meu computador. Infelizmente, não sem antes torrar o modem ADSL, que suportava apenas 1.9 ampéres. Quando liguei o filtro de linha, esqueci que o modem e o monitor ligariam junto, um convite à tragédia.

    No entanto, só fui descobrir mais tarde sobre a morte do modem. Naquele momento, fiquei mais preocupado com o fato de não conseguir arrancar a broca da parede de jeito nenhum. Puxar com um alicate não adiantou. Dar pancadinhas para os lados, de forma a alargar um pouco o espaço, tampouco. Sem outra opção, fiz os furos necessários com outra broca e agora tenho um parafuso no mínimo interessante prendendo um mural à parede.

    22 de julho de 2006, 16:08 | Comentários (28)

    sindicato dos jornalistas não existe

    Sinto-me compelido a responder em público à circular do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, pedindo apoio a um projeto de lei completamente idiota, que exige diploma até de cinegrafistas. Francamente, um cinegrafista vai aproveitar como as aulas de Estatística ou Teoria da Comunicação? E quem vai se dispor a fazer faculdade por quatro anos para ganhar a merreca que um cinegrafista ganha, esmola ainda mais ofensiva do que o piso dos jornalistas? Quem sabe, o pessoal da Fenaj.

    O projeto também exige diploma dos comentaristas. Ou seja, enquanto deveriam estar aprendendo sobre alguma coisa qualquer, para poder comentá-la depois, os especialistas terão de passar quatro anos aprendendo a redigir reportagens, editar uma página de jornal ou revista, produzir um telejornal. Salta aos olhos a utilidade deste conhecimento para quem só pretende dar uma opinião embasada sobre coisas que os jornalistas não têm tempo de entender, porque estão preocupados em editar páginas, redigir suas matérias ou produzir um telejornal. A Fenaj diz que o projeto prevê a figura do colaborador, especialista que poderia fazer os tais comentários. Mas então, qual a importância disso, se fica tudo na mesma?

    Finalmente, o projeto exige diploma de professores de técnicas jornalísticas. Isso implica que professores de fotografia, cinegrafia, edição de audiovisual, diagramação, deverão todos ser formados em jornalismo. Infelizmente, muitos dos profissionais mais talentosos nessas áreas não são jornalistas e provavelmente não têm motivo algum para tirar outro diploma. Os prejudicados serão os alunos, óbvio, que poderão ser privados de aprender com bons técnicos. Não apenas essa determinação promete trazer prejuízos à formação dos repórteres — cuja melhora é o objetivo principal do projeto — como atenta seriamente contra o debate de idéias na universidade e, enfim, contra qualquer visão esclarecida do que seja a educação.

    O Sindicato fez circular uma mensagem em que pede aos jornalistas e "simpatizantes" que encaminhem com seu nome ao presidente da República, à Casa Civil e a outros órgãos do Governo Federal. Carta que aliás continha um erro, o verbo "apoio" sem acento na primeira pessoa do singular. Já se vê o quanto o diploma ajudou esse pessoal. A íntegra está abaixo, citarei só os melhores momentos:

    Chegou a hora dos verdadeiros jornalistas se mobilizarem.

    Assim, verdadeiros tipo os aspones que mamam na porcentagem cobrada sobre o salário de cada jornalista empregado do Estado, em troca de arriar sempre as calças para os patrões?

    Trata-se de uma antiga reivindicação da categoria no sentido de avançar em sua organização e atualizar sua regulamentação profissional.

    Nunca precisei de nada disso para conseguir emprego.

    ...longo processo de discussão e luta da FENAJ, dos Sindicatos de Jornalistas de todo o país e dos profissionais que se organizam em torno deles.

    Ninguém me perguntou nada. E eles têm meu email. Poderiam ter feito uma consulta antes de sugerir essa carta aberta.

    Passou por todas as instâncias de debates e deliberações destas entidades.

    Ou seja, foi aclamada pelos "verdadeiros jornalistas" acima, como forma de aumentar a amplitude da mamata, incluindo fotógrafos, cinegrafistas e comentaristas.

    Continue Lendo...

    18 de julho de 2006, 10:33 | Comentários (23)

    aviso aos navegantes

    Na segunda-feira passada, uma mocinha informava a um cliente que o AeroGuion, cinema do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, só apresenta o filme caso haja ao menos três pagantes. Infelizmente, isso não é informado no jornal. Sugere-se telefonar antes de se abalar até o aeroporto: 3358-2620. Por telefone, a atendente confirmou que ao menos o cinema abona o estacionamento, caso o filme não seja apresentado.

    17 de julho de 2006, 17:56 | Comentários (4)

    se amas teu filho, não lhe poupes a vara
    The problem might be, for example, that people have come to believe that the satisfaction of choice, no matter how ill-informed, whimsical or deleterious, however childish or child-like, is the whole meaning of existence, at all the ages of man, from the very moment of birth onwards. Clearly, this has a connection with the notion of consumer choice: it is the wrongful extension of a principle that, in the right context, is obviously an excellent one.

    Theodore Dalrymple destrincha as razões mais óbvias para o surto de obesidade infantil em um artigo na New English Review. É assunto marginal no texto, que trata na verdade do preconceito politicamente correto em artigos científicos, mas levanta uma das questões mais irritantes hoje em dia: a incapacidade de assumir responsabilidades. No caso, a responsabilidade de educar os filhos, aspecto que preocupou o Pedro Doria.

    Como os adultos esperam educar os filhos se eles mesmos agem como pivetes mimados, sem a menor habilidade em lidar com frustrações? Os marqueteiros tiveram sucesso em convencer as pessoas de que a vida DEVE ser só prazer. Pais criados sob o rigor de outro ambiente cultural não querem que seus filhos passem pelo mesmo "sofrimento" de ter suas vontades negadas. Por causa da crença no prazer constante, não conseguem ver o quanto as frustrações formam o caráter de um ser humano. Como criança que levou umas boas palmadas toda vez que mereceu, diria até que, se tivesse de escolher entre pais superrigorosos e pais idiotas, preferiria os primeiros. Poderia crescer com montes de neuroses, mas é mais fácil se livrar delas do que passar a tolerar a frustração depois de ter se tornado um narcisista. A queda é alta quando se entra em contato com a realidade.

    Responsabilidade é tomar atitudes dolorosas no presente, para atingir um bem maior no futuro. Não tenho filhos, mas imagino o quanto é doloroso negar algo a eles. Ter de ouvir deles que você é um fascista, um chato de galochas, que não os ama o suficiente, se não quer dar seja lá o que queiram. Convém não esmorecer nesse momento. Se ser pai é preparar para a vida adulta, mostrar que não se pode ter sempre o que se quer talvez seja a coisa mais importante. Por outro lado, limites costumam incentivar a criatividade. Nenhum pai sensato acha que os filhos se conformam sempre com o "não". É claro que vão tentar driblar de alguma forma aquele limite. Quando conseguem, aí, sim, talvez seja o caso de fechar um olho, deixar estar e admirar em silêncio a inteligência do garoto.

    E, em geral, quando a criança sai pela tangente e faz o que não deveria, logo descobre que os pais tinham bons motivos para negar alguma coisa.

    17 de julho de 2006, 10:10 | Comentários (32)

    mulher quadrinista

    É muito bom que hoje em dia haja mais mulheres no ramo dos quadrinhos. Agora não é mais preciso agüentar só nerds gordos nas convenções. Então, demos as boas à Chiquinha, que além de tudo veio aumentar o plantel feminino do insanus.org.

    15 de julho de 2006, 15:56 | Comentários (3)

    plágio em dissertação da ufrgs

    A UFRGS cassou o diploma de mestre de Gilberto Kmohan por conta de plágio. Ele recorreu. Conforme o leitor Roger, isso significa que a sentença está suspensa até que o caso transite em julgado, sem mais nenhuma possibilidade de recurso. Na dissertação "O conceito de aura em Walter Benjamin", ele fez uma colagem de diversos autores, conforme a perícia. Acabou aprovado com louvor pela banca, mas foi denunciado pelo professor Luís Milman — o que aliás fez com que alguns doutores apelassem para a ignorância mais de uma vez — seu título está em jogo. Espera-se que o processo não leve muito tempo, porque a academia só tem a ganhar punindo este tipo de fraude.

    O Cisco acha que não apenas Kmohan, mas toda a banca e a direção da Fabico têm de ser punidos. Não concordo. A direção fez seu trabalho, dando início ao processo administrativo. Houve cinco anos de espera, mas o fato é que se inicou o processo e o diploma já está na berlinda. Ponto final. Já pretender culpar a banca e o orientador é desconhecer o funcionamento de uma pós-graduação. O orientador não tem total controle sobre o aluno e, neste caso, nem mesmo era especialista na área. Kmohan teve atritos com seu orientador original e Capparelli provavelmente aceitou orientá-lo para não prejudicar o PPGCOM.

    Uma banca nem sempre é formada por pessoas que conheçam toda a bilbiografia usada. Parece que muitos livros plagiados eram estrangeiros e só quem fosse muito especializado no assunto poderia conhecê-los a ponto de identifcar o plágio. Seria preciso conhecer de cor os trechos plagiados. Não teriam por que duvidar da boa fé de Kmohan. Além disso, o papel de uma banca é mais verificar a coerência argumentativa interna do trabalho, cotejar com outras obras não é o foco.

    Quem quiser conhecer o lado do Luis Milman, pode acessar o dossiê. Já as respostas da direção da faculdade e da comissão que avaliou a questão do plágio estão nos links ao final deste texto.

    15 de julho de 2006, 10:06 | Comentários (21)

    façam o que eu digo

    Então, fica combinado assim: quando palestinos matam civis israelenses, é terrorismo. Quando Israel bombardeia alvos civis no Líbano, mesmo longe da área de concentração do Hizbolá, é legítima defesa.

    14 de julho de 2006, 13:34 | Comentários (64)

    guerra civil

    Até que ponto deverá chegar o caos em São Paulo, para que se declare Lei Marcial e invada as ruas com o exército? Vinculada a isso está outra questão: até que ponto colocar os direitos dos presos acima da segurança nacional? Todos sabem quem são os comandantes dos ataques. Seria possível colocá-los em um isolamento ainda maior do que já estão no regime restritivo. Ou mandá-los para alguma cadeia de localização desconhecida.

    Quem diria que o Brasil teria de lidar com os constrangimentos da guerra ao terror um dia? Por um lado, dar poderes de exceção à polícia e ao exército é sempre perigoso. Por outro, estão queimando ônibus e prédios públicos e matando gente à pampa.

    14 de julho de 2006, 10:29 | Comentários (15)

    podem me chamar de teuto-brasileiro, ou colono

    Se eu fosse negro, jamais aceitaria ser chamado de "afro-brasileiro". Pelo menos até que os brancos também começassem a levar algum adjetivo antes de "brasileiro". O "afro" indica que o negro é considerado alguém de fora, estrangeiro, um outro que está em nosso país por acaso, um hóspede. O corolário é óbvio: quem vive de favor em nossa casa deve se comportar ou ir embora. No fundo, o desejo da maioria dos brancos é que os negros voltassem para a África — ou fossem para onde quisessem, desde que bem longe. Os idiotas da correção política e os próprios negros [estes bem menos] caem feito patinhos no conto do vigário da ação afirmativa lingüística.

    13 de julho de 2006, 9:46 | Comentários (10)

    algo realmente útil

    Google Notebook. Com ele, você pode copiar trechos de qualquer site, junto com o endereço, e criar cadernos de notas sobre diferentes assuntos. Um jeito bem mais rápido e simples de organizar material online, especialmente para quem está fazendo uma pós-graduação ou monografia. A melhor parte é que os cadernos são acessáveis de qualquer computador, usando sua conta no Google.

    11 de julho de 2006, 10:49 | Comentários (8)

    craque da copa

    O craque desta Copa do Mundo da Alemanha foram os pênaltis. Tanto os inexistentes, mas validados pelo juiz, quanto os existentes, mas ignorados pelo árbitro. O trabalho de fazer um levantamento mais detalhado fica para o leitor, mas vêm logo à cabeça os crimes cometidos contra Gana e Costa do Marfim, com dois pênaltis roubados em um só jogo, cada uma, na primeira fase. Ambas poderiam ter ido mais longe. Com mais pontos, Gana não teria enfrentado o Brasil nas oitavas. A própria Itália talvez nem chegasse à final, não fosse a ajudinha que recebeu da arbitragem para evitar a prorrogação contra a Austrália, com um pênalti fantasma aos 48 do segundo tempo. Os pênaltis mal aplicados talvez tenham sido o fato que mais mudou os rumos da Copa. Ao mesmo tempo, a quantidade de gols feitos dessa maneira no tempo normal de jogo evidenciam a mediocridade do mundial em 2006.

    10 de julho de 2006, 10:27 | Comentários (15)

    panteão particular

    churchill-winston.jpg

    Se pudesse escolher qualquer pessoa para ser na história, gostaria de ser Sir Winston Churchill. Não apenas porque ele foi um dos maiores responsáveis pela derrota nazista na II Guerra, nem por só sua indiscutível inteligência, mas principalmente por conta de seu invejável wit britânico, que gerou as melhores frases já pronunciadas por um estadista. Agora, preferiria vir com uns quilos a menos.

    9 de julho de 2006, 12:37 | Comentários (6)

    viva méxico!

    Ricardo Calil gostou do final de Belíssima. Foi bom mesmo, especialmente a homenagem a Vale Tudo, quando a Bia Falcão interpretada por Fernanda Montenegro foge da punição a seus crimes em um jatinho, como fez o Marco Aurélio de Reginaldo Faria ao dar uma banana para o Brasil pela janela da aeronave. Só que Bia Falcão apenas diz algo como "mas que idiotas", referindo-se aos policiais e à recém-descoberta filha, que caíram em seu plano de fuga como patinhos.

    É claro que o final foi forçadíssimo, cheio de reviravoltas e deuses ex machina suficientes para preencher um Olimpo. Justo isso, porém, foi uma das principais qualidades. Novela é novela. Tem de ser assim. A graça toda do melodrama está em conhecer o final de antemão, caso das românticas, ou se surpreender com as soluções de bolso de colete, naquelas mais chegadas à comédia ou suspense.

    8 de julho de 2006, 13:03 | Comentários (7)

    exemplo preservado dos anos 50

    Fotos da Coréia do Norte.

    Cortesia de Daniel Pellizzari.

    7 de julho de 2006, 13:05 | Comentários (14)

    bagagem automatizada

    Vai viajar? Não consegue decidir o que levar na mala? Seus problemas acabaram! Teste o incrível listador automático de itens para a mala.

    5 de julho de 2006, 15:17 | Comentários (9)

    anedotário da família ruschel

    Recém-casados e com filho pequeno, a madrinha e seu marido não tinham grana para nada. Mas tinham um fusca, e foram com ele até a granja do Comandante Ruschel, ex-piloto da Varig criado no melhor ambiente prussiano que o Vale do Taquari pode oferecer. Assim que desceram do carro, o Comandante se abaixou e analisou longamente um pneu. Fez o mesmo com o segundo, o terceiro e o quarto pneus.

    — Tá vendo aquele reboque ali? Troca os teus pneus com aqueles, mais novos. O meu neto não vai andar com pneus nesse estado.

    O tio já ia agradecer, quando o Comandante completou:

    — Em Porto Alegre, tu devolve os meus pneus.

    5 de julho de 2006, 10:16 | Comentários (4)

    determinismo tecnológico

    Os jornalistas adoram eleger alguma tecnologia para culpar pelos problemas da humanidade. Primeiro foi a televisão, depois os videogames os responsáveis por atos de violência cometidos por jovens. Agora, é o Orkut.

    Um sujeito do interior de São Paulo estava inconformado com o fim do namoro. Decidiu matar a ex-namorada. Para levar o plano adiante, foi pedir conselhos sobre armas em uma comunidade da rede de relacionamentos. Isso foi descoberto e começaram as matérias do tipo rapaz que matou namorada pediu informações no Orkut.

    Será que se ele tivesse se informado em uma biblioteca, ou comprado um livro, ou mesmo usado o Google, renderia uma reportagem? Os editores criariam um fórum perguntando o que as pessoas acham da existência de livros sobre armas? Entrevistar um psicólogo ou psiquiatra, é claro, nem pensar. Afinal, eles provavelmente diriam que o problema está no rapaz, claramente um psicopata, não no Orkut, na televisão ou nos videogames.

    4 de julho de 2006, 9:51 | Comentários (5)

    seleção ainda está no alto dos saltos

    O recordista Cafu é mesmo incorrigível. A única coisa que aprendeu com o fiasco na Copa é que "nem sempre o melhor vence". Errado. Se venceu, é o melhor. Cafu também acha que ter levantado a Copa em 2002 e 1994 é salvo-conduto para jogar mal e deixar a raça em casa: "Acho que a minha geração tem uma imagem vencedora. Vocês têm que analisar pelo lado positivo também. Vocês não podem apagar a história por causa de uma derrota." Roberto Carlos também acha, além de dar uma de Galvão e dizer que os espectadores não viram o que viram: a ajeitada de meia que deixou Henry livre para o gol. Como queríamos demonstrar, a Seleção precisa é de jovens com algo a conquistar. Diga-se em favor de Cafu, no entanto, que ele ao menos teve a hombridade de enfrentar a torcida e não fugiu pela porta dos fundos.

    Se continuarem achando que foi uma injustiça a eliminação nas quartas de final, a torcida brasileira pode esquecer a Copa do Mundo de 2010.

    Caberia também avaliar o papel da imprensa na tragédia. Imprensa aqui significa Globo, claro, já que, como a Soninha notou, os jornalistas da emissora recebem mil regalias, mas depois ficam na difícil posição de ser cobrados pela CBF em caso de críticas um pouco mais contundentes. A Globo encheu a bola de Parreira e seus comandados até que estes passassem a acreditar no Galvão Bueno e pensar que ninguém podia superar o Brasil. Depois do fiasco, a Globo critica a "soberba" e "arrogância" que ajudou a construir. Além disso, em vez de inventar patuscadas imbecis como a leitura labial, os jornalistas poderiam fazer perguntas mais difíceis nas coletivas. Ninguém pôs o Parreira contra a parede na entrevista após a eliminação. Ninguém perguntou algo assim: "Como você ficou sentado quieto no banco enquanto o time arriava os calções para o Zidane? Onde ficou a raça dos jogadores? Eles não têm vergonha?". Em vez de fazerem boas perguntas na hora adequada, preferem ler os lábios do treinador. Patético.

    3 de julho de 2006, 13:51 | Comentários (6)

    a volta dos que não foram

    goethe_posjogo.jpg

    Avenida Goethe, em Porto Alegre, deserta menos de 30 minutos após o fiasco.

    É errado dizer que a Seleção Brasileira volta mais cedo da Alemanha. A Seleção nunca foi para a Copa. Em seu lugar, enviaram um bando de mercenários em scarpins. A torcida teve razão o tempo inteiro em não se empolgar com as vitórias. O Brasil só chegou tão longe porque não encontrou nenhuma seleção que unisse vontade de jogar à competência, como a França. Perdeu pela falta de raça, pois em termos técnicos era um time até superior aos Bleues. A declaração de Parreira após o patético desempenho em campo confirma a tese do salto alto:

    Ninguém estava preparado para sair antes da final.

    Claramente o time entrou em campo acreditando que estava tudo definido e os franceses entregariam o jogo a seus adversários mais talentosos. Faltou combinar com Zidane e companhia. O pior foi ver a total apatia das estrelas. Cafu-preciso-bater-recordes e o Gordo não acreditaram em nenhuma jogada. Roberto Carlos, num lance bisonho que merece entrar para a história do futebol nacional, estava ajeitando as meias enquanto a França marcava seu único gol. Depois do apito final, nenhum deles mostrou qualquer tristeza.

    A eliminação foi mais do que justa. Mostra que não adianta insistir em manter estrelas no time, se elas já vêem a Copa com certa "normalidade". Jogadores como Cafu, Ronaldo, Roberto Carlos, que não demonstram a menor vontade no mais importante evento de futebol mundial, não merecem ser convocados. Ou ao menos têm de ser misturados com jovens ávidos por provar sua habilidade. Parreira insistiu em não ver isso, mesmo após o jogo contra o Japão. O problema talvez seja justamente que o próprio Parreira não precisasse mais provar nada — e o verbo está no condicional, porque agora ele precisará raspar a pecha de técnico que afundou a Seleção.

    Só resta mesmo torcer para Portugal. Na verdade, a decepção com a eliminação só é tanta porque um embate entre Felipão e Parreira seria interessante. O melhor jogo da Copa não vai acontecer.

    1 de julho de 2006, 21:54 | Comentários (26)



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