Comentários sarcásticos, crítica vitriólica e jornalismo a golpes de martelo por Marcelo Träsel


polícia gaúcha ganha reforço de peso

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OK, OK, o título dessa matéria não está exatamente errado, mas no mínimo dá margem a interpretações erradas e piadinhas, coisa que convém evitar no jornalismo.

1 de outubro de 2007, 14:13 | Comentários (26)

você é um idiota?

Descubra a resposta à pergunta acima fazendo esse teste aqui, que devia ser aplicado a todas as pessoas antes que elas pudessem ter acesso à Internet. Caso você não saiba inglês, não perca seu tempo com isso.

25 de setembro de 2007, 21:37 | Comentários (8)

o brasil nunca vai dar certo

A epifania no título desse texto me atingiu quando deixava o shopping center Iguatemi de Porto Alegre, hoje à tarde, após comer um lanche no Burger King (o legal é que dá para desprezar o McDonald's e seus sanduíches inssossos enquanto mastiga, porque ambos ficam lado a lado).

Primeiro, fomos pagar absurdos R$ 3,50 por estacionamento em uma região em que ninguém deixaria o carro por outros motivos além de gastar nas lojas do shopping. Tentamos pagar com uma nota de R$ 50, porque somos novos-ricos ostentadores, mas a mal-humorada moça do caixa disse que não teria como dar o troco. Produzi uma nota de R$ 5. Ainda assim, ela insistiu para procurarmos 50 centavos e completar o troco. Por que não cobram R$ 3 ou R$ 4? Pagar estacionamento em shopping é absurdo mesmo, R$ 1 não faria diferença para ninguém.

Ao sair, percebi graças ao solado velho do meu calçado que havia muita água da chuva empoçada no asfalto. Aliás, o asfalto é completamente irregular e os pontos alagados eram bem maiores e mais numerosos que os pontos secos. Lembrei que no banheiro uma torneira estava desativada, as ativadas funcionam mal e não há toalhas de papel.

Isso em um centro comercial cujo objetivo é isolar o consumidor das agruras das ruas sob tutela do poder público. Aí a epifania me atingiu: se nem a iniciativa privada é capaz de prestar um bom serviço, como esperar algo que preste do Estado? O Brasil está condenado. Só resta apagar as luzes e ir embora — de navio, porque a gasolina está cara e os aviões, quando levantam, caem.

20 de setembro de 2007, 23:39 | Comentários (18)

alguém tire do ar essa propaganda, por deus

Se os artistas gaúchos fossem realmente unidos, deveriam exigir que a RBS tire do ar o comercial sobre a importância dos incentivos [monetários, supõe-se] para a cultura local. Assinam também a peça publicitária o governo estadual da Yoda e o Banrisul. Todos são patrocinadores de primeira hora dos eventos culturais mais festejados do Rio Grande do Sul, especialmente daqueles com grande potencial de visibilidade. Qual o problema do anúncio?

O problema é a afirmação implícita sobre os valores e desejos dos artistas, nada lisonjeira -- embora em alguns casos possa ser verdadeira. O texto diz algo como:

Quando ele aparece, há luz, câmera e ação. Até os críticos de arte mais exigentes o elogiam. Ele é poesia para os ouvidos dos artistas.

Quem é ele? O "incentivo". Supõe-se que estejam falando do incentivo fiscal, mecanismo que permite às empresas fazer filantropia com o chapéu do governo, isto é, do contribuinte, destinando recursos dos impostos para projetos culturais. Até porque, do contrário, o anúncio traria as palavras "doação" ou "patrocínio" ou "mecenato". Enfim, o texto faz parecer que os artistas só se interessam por dinheiro. Se fosse comigo, no mínimo escreveria uma carta de reclamação aos responsáveis.

Antes que perguntem, sou, sim, a favor dos incentivos fiscais para artistas. Muito melhor seria se as empresas tirassem dinheiro do próprio bolso para garantir o desenvolvimento da cultura local. Ainda melhor seria que tivéssemos uma população educada o suficiente para garantir sustento aos artistas, sem necessidade de apelar para incentivos. Mas aí seria pedir demais. Sou contra, no entanto, incentivos para espetáculos medíocres e babacas, que poderiam muito bem se pagar sozinhos. Infelizmente, em geral são esses os incentivados.

13 de setembro de 2007, 18:28 | Comentários (22)

argentino é melhor em tudo

Sábado que vem embarco para Buenos Aires, passar quatro dias. Viagem que estive adiando há tempos, por um motivo ou outro. Aí, entrei no site oficial de turismo da cidade e fiquei estupefato com a qualidade das informações.

Informações bem organizadas, aliás, já que logo na capa é possível escolher um dos cinco tópicos que mais fazem sentido para um turista. Há tradução de tudo para o português brasileiro. Também é possível baixar o guia em PDF em 11 línguas diferentes e baixar guias em áudio para certos pontos de interesse. Até blog o site oficial da cidade tem.

Agora vejamos o guia oficial do principal destino turístico brasileiro, o Rio de Janeiro. Ao menos quero crer que este TurisRio seja o site oficial do turismo na cidade maravilhosa, e não essa porcaria da Prefeitura. O site de São Paulo, cidade com bem menos coisas para turista ver, é mil vezes melhor. Faz sentido. O Rio de Janeiro se considera a essência do Brasil. Basta comparar seu guia na Web com o guia de Buenos Aires e concluir qual povo é mais digno.

Enfim, se alguém tiver dicas de flânerie e gourmandise para a capital argentina para compartilhar, favor deixá-las nos comentários deste post até sexta-feira.

28 de agosto de 2007, 1:18 | Comentários (32)

gaúcho é melhor em tudo
Como pode não ter nenhum representante gaúcho entre as 7 maravilhas do mundo moderno?

Isso é só mais uma prova de que o Brasil e o mundo morrem de inveja do nosso estado, o Rio Grande do Sul. Não vamos deixar barato. Vamos eleger as nossas próprias 7 maravilhas. Porque se é melhor aqui, automaticamente é melhor do mundo.

Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra!

Vai lá e vota em qual das sete maravilhas gaúchas você acha que deveria ser a escolhida.

Certo que isso é gozação, mas como toda gozação eficiente, é um exagero baseado em traços de caráter bem reais da população do Rio Grande do Sul. Depois, reclamamos por ser motivo de chacota no resto do país.

4 de agosto de 2007, 15:06 | Comentários (22)

teses que gostaríamos de ver

GALVÃO-BUENISMO: A influência da locução esportiva na inversão do sentimento patriótico em competições esportivas

RESUMO: No presente trabalho, investigamos a importância da locução esportiva enquanto causa de um fenômeno facilmente verificável entre os cidadãos brasileiros, qual seja, o apoio às equipes adversárias do Brasil em todos os gêneros de competição esportiva. Apropriando-nos do conceito de Schadenfreude de Ulrich Wejrheinmer, analisamos as narrações do locutor Galvão Bueno, da rede Globo de televisão, e discutimos seu conteúdo no contexto de pesquisas qualitativas entre torcedores. Concluímos que o ufanismo dos locutores leva a uma hipertrofia involuntária da bolsa escrotal, incentivando uma parcela significativa da população brasileira a apoiar os times de outros países.

29 de julho de 2007, 19:14 | Comentários (9)

seja um bom cidadão: use um guarda-chuva compacto

As chuvas começam a encharcar Porto Alegre por mais um inverno e os guarda-chuvas hipertrofiados começam a pulular como cogumelos nas calçadas. São guarda-chuvas com um diâmetro quase duas vezes o normal, sempre usados por apenas uma pessoa. Em certas calçadas mais estreitas, é impossível transitar. Esses guarda-chuvas são mais ou menos como os SUVs: ocupam muito mais espaço do que o necessário, bloqueiam a visão de quem vem atrás e em geral os idiotas que os dirigem andam sozinhos, quando poderiam levar um time de futebol inteiro.

Esse tipo de comportamento egoísta é coisa típica do Rio Grande do Sul, onde ninguém liga o pisca-pisca quando vai fazer curvas e as pessoas se trombam o tempo inteiro na rua da Praia porque nenhuma quer arredar o pé e dar passagem. É duro morar em um Estado onde todos se acham melhores e mais importantes do que os outros. A Prefeitura deveria aproveitar alguma blitz nos camelôs e recolher todos esses monstrengos.

9 de julho de 2007, 20:33 | Comentários (47)

proprietário do guion também não entende a internet

Há poucas semanas circulava um e-mail pelas caixas de entrada de muitos porto-alegrenses [cuja íntegra pode ser conferida clicando em "continue lendo", lá embaixo]. O autor era Carlos Schmidt, proprietário da rede de cinemas Guion. Ele pedia a solidariedade dos cinéfilos da capital gaúcha depois que um estudante de Direito resolveu processar sua empresa por causa de um filme em que aparecia uma cena de swing. O problema, conforme o futuro doutor de porta de cadeia, é que a casa falhou em informar sobre a safadeza na tela e assistir àquelas cenas pecaminosas e abjetas teria lhe causado danos psicológicos irreparáveis. Todos os que receberam aquela mensagem amaldiçoaram os advogados até a décima geração e lamentaram pela sorte de Carlos Schmidt.

Só que não deu para ficar simpático ao proprietário dos cinemas Guion, Guion Sol e AeroGuion por muito tempo. Há alguns dias, ele resolveu destratar um cliente por e-mail. Engraçado como esse Sr. Carlos Schmidt acha que o correio eletrônico serve para denunciar os abusos de bacharéis deslumbrados, mas não para propagar sua própria falta de educação. Está certo que o cliente pegou um tanto pesado ao comparar o péssimo som do AeroGuion com roubo — creio que, como não houve uma arma apontada contra ele, cobrar R$ 12 por um serviço e não entregar configura no máximo furto —, mas nada justifica a absoluta falta de modos e noção do Sr. Carlos Schmidt.

No final de toda discussão, o proprietário do Guion chama o reclamante de afetado e ainda diz que é "ridículo fazer esta onda toda por míseros R$ 12,00". Pode até ser que o Sr. Carlos Schmidt seja rico o suficiente para doar esse dinheiro a maus prestadores de serviço. Espero realmente que ele esteja ganhando milhões suficientes para não se preocupar em ser enrolado na oficina mecânica ou em ser ofendido por garçons e ainda pagar 10%, porque gosto de ver as pessoas se dando bem na vida. Só que sou contra o desperdício e, portanto, não vou acrescentar meus níqueis aos seus milhões, apenas para vê-lo ser perdulário com eles. Doravante, boicotarei os cinemas Guion. Recomendo que os leitores façam o mesmo.

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4 de junho de 2007, 21:02 | Comentários (40)

made in taiwan

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A foto desse plug todo deformado aí em cima é o motivo pelo qual você não deve comprar uma estufa da marca De Longhi nesse inverno. Há algumas noites ele simplesmente derreteu. Na verdade, a estufa sempre emitiu um odor esquisito e o plug sempre ficou molenga. Bastou trocá-lo por um outro, comprado na esquina, e o cheiro parou, bem como o derretimento. Uma empresa fabricar um aparelho cuja entrada de energia não suporta a própria potência é o cúmulo da incompetência. Tornaram-se machina non grata na minha casa.

28 de maio de 2007, 22:32 | Comentários (13)

não entenderam a internet

Parece piada, mas é impossível assinar apenas o conteúdo online da editora Abril. É preciso assinar alguma revista em papel para ter acesso a páginas que já estão na Web de qualquer modo. Isso não faz nenhum sentido. O Brasil não entende mesmo a Internet.

23 de abril de 2007, 12:32 | Comentários (11)

tudo verdade

10 de abril de 2007, 10:08 | Comentários (10)

setor bancário = máfia

Se a economia de mercado no Brasil funcionasse como o Banco Central gosta de dizer, todos os bancos do país já teriam fechado por prestar um serviço de merda aos clientes. Como na verdade a economia de mercado não existe por aqui, nem nunca existiu, os bancos não dependem de seus clientes, mas sim da ação entre amigos que rola no Ministério da Fazenda.

Um exemplo recente é a mudança no cálculo da TR, índice que define o rendimento da poupança. Os bancos fizeram uma choradeira porque a poupança estava ficando mais atrativa que seus fundos de investimento, que em geral cobram uma taxa de administração abusiva, e o governo mais uma vez arriou as calças e prejudicou o cidadão. E não é exatamente como se os bancos estivessem ganhando pouco.

O sujeito é obrigado a usar esses serviços e precisa escolher entre meia dúzia de instituições igualmente ruins, a não ser que seja milionário. Os bancos cada vez mais tentam evitar que seus clientes freqüentem a agência e ainda cobram por isso. É ridículo. Hoje fui tentar sacar dinheiro em um caixa eletrônico do Itaú e a máquina informou que agora é preciso pagar R$ 1,40 por retirada fora de agência. Sendo que ninguém falou nada sobre isso quando fui coagido a criar uma conta lá. Mas não há de ser nada: doravante, entrarei na fila e sacarei meu dinheiro na boca do caixa. De qualquer modo, preciso ir até a agência, então não custa nada protestar aumentando a necessidade de atendentes.

27 de março de 2007, 23:16 | Comentários (33)

e agora, o heteropolitano

Marketing é uma coisa maravilhosa: consiste basicamente em dar nomes novos a coisas corriqueiras, para torná-las mais desejáveis e, portanto, vendáveis. Depois do metrossexual, do tecnossexual e até do retrossexual — a lista inteira de classificações do homem moderno é muito longa — agora uma revista britânica vem com o heteropolitano.

O “heteropolitano” trabalha duro, mas coloca a família em primeiro lugar. Ele lava a louça e conta histórias aos filhos, mas durante a juventude teve experiências com drogas.

O "heteropolitano" é o "lad" (expressão usada na Grã-Bretanha, que poderia ser traduzida como garotões, caras) dos anos 80 e 90, que finalmente cresceu e virou um marido respeitável e provavelmente um pai.

No meu tempo, o que estão chamando de heteropolitano era tido como o modelo normal de um homem adulto.

12 de março de 2007, 10:41 | Comentários (15)

cerca de 190 milhões de pessoas arrastam criança por 7km

O mundo real impôs uma breve pausa na redação de minha dissertação para comentar a notícia de que uma criança foi arrastada por um carro por 7 quilômetros no Rio de Janeiro. Dizem os caros colegas repórteres que três, talvez quatro bandidos foram os responsáveis. Manipulação! Estão querendo nos esconder a verdade. E a verdade é que foram 188.096.112 pessoas a arrastar a pobre criança.

São os mesmos 190 milhões de pessoas que deixam a educação chegar ao ponto de as crianças não acertarem nem 40% de uma prova de múltipla escolha. Os mesmos 190 milhões que comemoram quando a Polícia Militar humilha gente pobre, como se todos os pobres fossem bandidos. Que festejam a tomada das favelas cariocas por milícias de policiais criminosos. Que, quanto mais dinheiro têm, mais sonegam impostos. Que acham o máximo treinar artes marciais para brigar na night, as mesmas que colocam a beleza exterior à frente do desenvolvimento do espírito. As mesmas que elegem um bando de gente inútil. Os mesmos 190 milhões de pessoas que ignoram uma pergunta simples: por que os seres humanos não são intrinsecamente maus em outros lugares?

Felizmente, algumas pessoas não se deixam enganar e vão à raiz do problema. A plebe anda ameaçando os pais dos acusados, os intelectuais propõem uma eugenia pós-parto sob forma de diminuição da maioridade penal e as pessoas de bem prometem mais um protesto contra a violência. É aliviante perceber uma divisão do trabalho tão bem organizada entre os diferentes setores da sociedade para resolver as mazelas do país.

9 de fevereiro de 2007, 23:44 | Comentários (84)

um carteiro muito louco

A Empresa de Correios e Telégrafos parecia ter ficado mais confiável nos últimos anos, mas essa imagem está se dissipando com alguns acontecimentos recentes. Ano passado, mandei um livro como correspondência normal para São Paulo, mas esqueci de pedir que fosse carta registrada. Obviamente, nunca chegou ao destino. Uma carta registrada enviada para mim na Alemanha também desapareceu. Cartas enviadas do Rio para cá demoraram semanas. Só hoje chegou um convite para uma festa que foi na quinta-feira.

O mais bizarro, porém, são as cartas erradas que tenho recebido. Já foram pelo menos umas cinco desde que mudei, há dois anos e pouco. Duas tinham o mesmo número de meu prédio e apartamento, mas eram destinadas a outras ruas. O resto tinha endereços nada a ver. Quando é possível, levo as cartas erradas até as casas das pessoas.

Outra irritação é que não se encontra selo de porte internacional [R$ 1,55] em nenhuma agência dos Correios. Agora, tentem achar espaço para selar um cartão postal com valores menores e ainda escrever algo.

23 de dezembro de 2006, 21:43 | Comentários (15)

para você perder a esperança na humanidade
A Revista Já É, uma publicação carioca que retrata o comportamento da sociedade moderna, mais uma vez está inovando o mercado editorial. Lançada na Internet no início de 2005 e a edição impressa em setembro deste ano, o veículo criou mais um meio de comunicar seu conteúdo: a revista digital, onde a versão que vai para as ruas pode ser "folheada" com um clique do mouse no site da publicação.

A idéia surgiu com o objetivo de aumentar o alcance de público da revista, antes segmentado apenas para os cariocas. Agora, leitores de todo o país, antenados com o que acontece no Rio de Janeiro, podem conferir, na íntegra, a publicação mensal que é distribuída gratuitamente em pontos estratégicos pela Cidade Maravilhosa.

Achei o nome dessa revista tão bisonho que me senti obrigado a legitimar o spam entrando no site. O esforço não ficou sem recompensa. Há na primeira página um artigo sobre os aborrecimentos de se brigar na "night". Notem que o foco não é nos aborrecimentos advindos de levar uma sova de um bando de pitboys. O artigo é voltado para os pitboys.

O autor, Paulo Lage, já esteve "por 15 minutos" em uma cela e não gostou nada da experiência. Usa isso como argumento para desestimular o envolvimento em brigas? Não. Ele sugere, na verdade, que você se preocupe apenas em chegar primeiro na delegacia para dar sua versão dos fatos. Assim, o agressor — ou agredido — ficará em uma posição defensiva e será considerado culpado até prova em contrário. É comovente o espírito humanitário que permeia a matéria, sobretudo quando Lage faz uma lista dos gastos envolvidos em liberar sua testosterona no primeiro idiota que passar: "Em resumo, além dos R$80 que você provavelmente vai gastar com a noitada, dependendo do dia e da hora não vai pagar menos de R$1.150 pra um advogado te acompanhar à Delegacia."

Nada é mais desestimulante do que se perceber vivendo num mundo cheio de imbecis psicopatas.

21 de dezembro de 2006, 10:58 | Comentários (21)

frase da semana
Olhando por este ponto de vista a coisa funciona mais ou menos assim: tratar com o diabo dá no mesmo que usar um cartão de crédito, você adquire o objeto de desejo antes e paga depois. Com deus é como o sistema de consórcio: você paga primeiro e depois é contemplado.

Extraída da revista O Martelo. Que inclusive receberá a visita de meus advogados em breve, por estar se aproveitando da marca deste tradicional blog.

18 de dezembro de 2006, 10:54 | Comentários (4)

homens na berlinda

A Vanessa Valiati enviou outra sugestão de blog que busca educar as leitoras sobre os perigos da personalidade masculina: Homem é Tudo Palhaço.

É um fenômeno interessante, esse. Por que não existem blogs como "Mulher é Tudo Tarja-Preta" ou "Já pra Cozinha"? Provavelmente porque os homens, ao contrário das mulheres, não passam o tempo inteiro pensando no sexo oposto. Têm mais coisas para se ocupar, como futebol ou fusão nuclear.

1 de dezembro de 2006, 10:02 | Comentários (32)

de como o jornalismo pode não ajudar em nada

Uma jovem de 13 anos e um professor de 31 são encontrados mortos em um motel, em um aparente pacto de suicídio. Deixaram cartas às famílias. Em que a principal rede de mídia gaúcha se concentra? Em discutir os motivos que levam dois amantes a cometer um ato desses? Entrevistar psicólogos, criminalistas? Em tentar descobrir por que os dois se viram em um beco cuja única saída era a morte? Não. Concentra-se no fato de os motéis permitirem a entrada de menores. Assistindo aos telejornais do grupo RBS, tem-se a impressão de que a ida ao motel foi a principal causa da tragédia.

É um grande desserviço. Está certo, os motéis estão infringindo a lei e é papel do jornalismo noticiar infrações e crimes. Mas também é papel do jornalismo colocar as coisas em perspectiva e, nesse caso, a lei é hipócrita e inútil. Motéis servem para pessoas que moram com os pais — ou cônjuges, ou etc. — transarem em paz. A maioria dos adolescentes faz sexo. A maioria mora com os pais. Logo, motéis são úteis para eles. Não apenas isso, como qualquer menino ou menina de 14 anos hoje em dia sabe o que é sexo, se é que já não pratica. Com 16 anos, podem até votar, isto é, são considerados cidadãos responsáveis o suficiente para decidir quem vai foder com o país, mas não para quem vai foder só com eles mesmos. O mais lógico seria que a maioridade fosse reduzida para essa idade. Nem sombra dessa discussão toda nas matérias sobre motéis. Ninguém dizendo "ei, vamos deixar de besteirol, deixem a gurizada trepar em paz".

De todas as outras possibilidades de abordagem do fato, nenhuma daria tanto trabalho quanto visitar cinco motéis da cidade com uma atriz de 14 anos, apenas para mostrar o que todo mundo já sabe: ninguém dá bola para a lei da Criança e do Adolescente. Então não existe a desculpa de falta de recursos, comum para justificar a ausência de reportagem que preste. O único recurso escasso nesse caso talvez fosse capacidade intelectual, mesmo.

Há alguns dias, publicou-se aqui um link para um artigo reclamando de como os jornalistas só usam as declarações mais idiotas de pesquisadores. Agora, o Mojo envia a dica de um blog dedicado exclusivamente às bobagens que se diz sobre resultados científicos, sempre com uma grande ajuda da imprensa:

The constant bombardment of news of hypothetical dangers, and our increased intolerance of risks, contrasts with the reality that we live in a safer world and are healthier than ever. The media could be a positive influence and help us understand complex issues so that we can make health decisions that are best for ourselves. As much as we think we don’t, most of us on some level do believe the health news we see on television and printed in prominent publications. The way that a risk is depicted and how often it is repeated can make a big difference in how serious it seems. Even the most wary of us can be seized by alarming soundbytes. It is easy to scare us in a soundbyte, but impossible to really confer understanding of an issue in a few words.

Por que isso acontece? De uma forma geral, porque os repórteres são ignorantes. A maioria não sabe nada de matemática e estatística e cada vez menos estudantes têm uma boa formação humanista, embasada em história, sociologia e filosofia. Por causa disso, são facilmente enrolados pelas fontes, ou facilmente entendem errado as declarações das mesmas. Isso para não entrar na questão dos salários baixos e carga absurda de trabalho, que realmente pouco incentivam um jornalista a fazer algo além do necessário para enviar a matéria ao editor, atendendo a padrões mínimos de publicação. Quando o repórter é bom, em geral o editor barra suas idéias. E se calhar de ambos serem bons, aí o mais normal é subestimarem o leitor, crendo que não entenderá qualquer texto mais complexo.

A solução seria transformar os cursos de jornalismo em uma especialização, obrigando os candidatos a repórteres a se aprofundar em alguma outra área, como economia, ciência política, história ou mesmo engenharia e biologia, antes de chegar às redações. Na especialização, sim, seriam ensinadas as técnicas de reportagem e algumas noções de teoria seriam fornecidas. Melhoraria bastante a qualidade do que lemos, ouvimos e vemos.

28 de novembro de 2006, 10:41 | Comentários (25)

crítica de mídia, porque sou mestre em comunicação

No capítulo de agora há pouco de Páginas da Vida — que deveria se chamar "panela velha é que faz comida boa", ou algo assim — duas personagens que não identifiquei por estar de costas para a televisão comentavam o assassinato da ex-cunhada de Gerdau, ocorrido no bairro Leblon, Rio de Janeiro. Trocaram frases sobre o horror da violência nas grandes cidades, a ineficiência do Estado etc. Manoel Carlos, autor da novela, mora no Leblon e tem usado sempre o bairro como cenário. Deve ser legal usar uma novela da Globo como blog.

Aliás, a presença constante na mídia de um Leblon habitado por Reginas Duartes já deu nojo do lugar, mesmo sem conhecer.

O Globo Repórter, porém, salva a emissora abordando um assunto inexplicavelmente ignorado pela imprensa nos últimos tempos: a armadilha que são esses empréstimos populares. Não lembro de já ter visto alguma reportagem aprofundada sobre o tema. Esse caso não é o ideal, pois enfoca mais a incapacidade das pessoas em lidar com a noção de juros e de planejamento financeiro do que a evidente má-fé dos bancos de fundo de quintal.

Num país decente, distribuir panfletos com "grana fácil", "faltou dinheiro? sem problemas" e outras enganações seria proibido — bem como o banco acrescentar o valor de empréstimos pré-aprovados em seu saldo, como se fosse dinheiro seu. Uma conhecida que já trabalhou em um desses bancos conta histórias tenebrosas. Demitiu-se por não agüentar prejudicar as pessoas todo dia. E isso que era ladra: saiu por justa causa do emprego anterior por tirar dinheiro do caixa.

24 de novembro de 2006, 22:03 | Comentários (13)

vote no rei
Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, os poucos que conhecem conheceram a face desta família, que fora construida sobre o imaginário republicano. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. Nossos príncipes remontam a época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987. Isto a precisamente a 1017 Anos!

É com um português pedestre como esse que a Casa Imperial do Brasil pretende restaurar a monarquia. Analfabeto por analfabeto, é melhor ficar com o Lula, que ao menos tem mandato limitado.

23 de novembro de 2006, 10:41 | Comentários (11)

a imprensa nunca tem culpa

O filho do casal de idosos morto em São Paulo passou ontem o dia inteiro como suspeito de parricídio. Agora, a polícia voltou atrás e tirou o homem da lista de suspeitos. Além da dor da perda dos pais, o homem ainda teve de agüentar o linchamento moral de ser considerado um dos piores tipos de criminosos, senão o pior. Sua casa amanheceu pichada com palavras como "assassino".

Nem vale a pena entrar no mérito da notícia em si. Crimes passionais ou familiares não contribuem em nada para o interesse público — embora possam ser muito interessantes para o público. Ao contrário de um caso como o da Escola Base, que atingia uma comunidade considerável, esse parricídio não influi em nada fora do círculo familiar. O valor informativo para o cidadão é nulo. Notícias sobre assaltos a banco ou ladroagem de uma maneira geral ao menos permitem conhecer pontos críticos e formas de se proteger. Parricídio é apenas circo.

Como não podia deixar de ser, os jornalistas se apressaram a limpar a própria barra após a lambança. Um repórter do Jornal Hoje perguntou ao delegado se não havia sido uma irresponsabilidade indicar o filho como um dos suspeitos. Este deu uma resposta meio enviesada, sugerindo que não foi irresponsabilidade. E deve ter razão. O mais provável é que tenham falado em diversas linhas de investigação. Os repórteres, obviamente, escolheram a mais saborosa para noticiar. Qual a graça de outro casal de velhos morto por assaltantes? Já um caso de parricídio fornece meses e meses de tragédia grega para narrar, como até hoje demonstra o caso de Suzane Richthofen. No entanto, as matérias sobre o assunto jogam a culpa apenas nas declarações da polícia, não na descontextualização malfadada feita pelos repórteres.

Isso lembra um artigo do blog especializado em neurociência Mixing Memory. O autor, Chris, chocado com as declarações de um colega em uma matéria sobre o assunto, chega à conclusão de que os repórteres escrevem sobre uma pesquisa quando "conseguem fazer o autor dizer alguma bobagem". É triste, mas o blogueiro tem razão na maioria dos casos. Devido aos constrangimentos de tempo e espaço da narrativa jornalística, é preciso fazer com que as fontes simplifiquem o assunto o máximo possível, de preferência em uma frase. Melhor ainda se for uma frase de efeito, que renderá boas "aspas" no texto, vídeo ou áudio. Além disso, repórteres não aceitam "não" como resposta. Enchem o saco do entrevistado até que ele solte alguma declaração. Se ainda assim não diz nada, a pessoa pode contar com toda má vontade do mundo por parte da mídia.

Como se sabe, nada é simples. As coisas são complexas e sempre existem ressalvas, poréns e exceções. O problema é que o jornalismo odeia a complexidade. Contradição é coisa para as ciências e as artes. No jornal, só se tem espaço para um aspecto do assunto ou, no máximo, dois lados de uma mesma questão. É preto ou branco. Todos os 256 tons de cinza existentes na vida real ficam de fora.

O que houve no caso do casal de idosos mortos em São Paulo, portanto, faz parte da rotina jornalística. O delegado falou algo, os repórteres destacaram a informação de seu contexto e publicaram. Infelizmente, dessa vez a coisa andou para outro lado e a descontextualização se mostrou um erro com conseqüências graves. Na maior parte das vezes isso não acontece e alguns repórteres conseguem mostrar a complexidade das questões, mesmo com todos os constrangimentos impostos pelo tempo e pelo espaço. O único problema é que, quando as coisas dão errado, os jornalistas sempre tentam se eximir, dizem que estavam apenas relatando os fatos e deixam a batata quente na mão das fontes que viram suas declarações usadas de forma simplificadora.

Em vez de culpar o delegado Rodolfo Chiarelli, a mídia deveria fazer um mea culpa e pedir desculpas ao pobre sujeito que foi acusado injustamente.

18 de novembro de 2006, 14:30 | Comentários (12)

google não entendeu a linguagem

Se entende a Internet, o Google não entende a linguagem. Estão chateados porque as pessoas transformaram o nome da empresa em verbo. Não satisfeitos em fazer beiço, ainda dão sugestões de como usar e de como não usar a palavra "Google". O texto todo tem um certo tom ameaçador:

Usage: 'Google' as verb referring to searching for information via any conduit other than Google.
Example: "I googled him on Yahoo and he seems pretty interesting."
Our lawyers say: Bad. Very, very bad. You can only "Google" on the Google search engine. If you absolutely must use one of our competitors, please feel free to "search" on Yahoo or any other search engine.

Alguém por favor envie obras sobre lingüística à diretoria da empresa e a seus advogados. Se entrar nessa briga, o Google vai parecer tão patético quanto a RIIA processando usuários para tentar acabar com a troca de arquivos MP3 em redes P2P.

Dica da Sabrina.

11 de novembro de 2006, 14:02 | Comentários (15)

retrato do brasil
O processo é esquizofrênico e hipócrita, bom ressaltar. Provavelmente nenhum brasileiro está mais previamente disposto a corromper o policial da esquina do que o carioca. Mas o tipo de moralidade que cobra – com toda sinceridade – dos políticos, não vale para si. Ele pensa que o sistema é corrupto e que ele, cidadão, só está jogando o jogo que lhe foi imposto. Sujeito complicado este carioca da Zona Sul e Grande Tijuca. Mas ele vota em Fernando Gabeira e em Cesar Maia ao mesmo tempo sem perceber a contradição.

A coluna de hoje do Pedro Doria sintetiza o traço mais irritante do brasileiro: seguir, agora e sempre, a Lei de Gérson. Brasileiro acha que a culpa é sempre dos outros: do governo corrupto, dos pobres que são vagabundos e preferem roubar a trabalhar, dos portugueses que nos colonizaram. A culpa nunca é dos próprios crimezinhos que comete todos os dias, no varejo. Sonega um impostinho aqui — "porque vão roubar mesmo, né?" —, suborna um guardinha ali — "ah, pára, eles não estão preocupados com a lei, querem é fazer caixa às custas do motorista" —, joga um papelzinho na rua lá — "pô, todo mundo joga!".

O projeto político mais importante para o Brasil ainda é mudar a mentalidade do povo. Deixar de ser o país do "não dá nada", como diz a Tainá.

5 de outubro de 2006, 13:12 | Comentários (20)

aham, bem certinho

— Ela viu a peça e me disse que foi a homenagem mais bonita que recebeu em toda sua carreira.

A frase acima se refere a Rita Lee e foi proferida por Preta Gil no Jornal da MTV. A bela homenagem, no caso, é Preta Gil vestida de travesti e querendo ser Lee.

14 de setembro de 2006, 13:17 | Comentários (1)

frenesi indie

Isso aqui certamente leva o axioma "você é o que consome" a um novo patamar. Escolha suas cinco bandas, escritores, filmes, interesses, ou crie sua própria lista, e mande imprimir em uma camiseta. Como diz o slogan, "agora você pode discutir por horas em qualquer lugar".

Dica da Sabrina.

14 de setembro de 2006, 10:57 | Comentários (1)

apocalipse já!

Terra lança novo canal gay.

12 de setembro de 2006, 12:48 | Comentários (3)

materialismo cultural

A maior prova de que "ter cultura" anda na moda é o fato de um dos eixos da novela Páginas da Vida se desenrolar em torno de uma casa de cultura. Isso sem falar em um monte de cenas de balé, fotografia e vernissages no Leblon — bairro que já dá nojo mesmo sem conhecer, por culpa da Globo, mas isso é outra história. Essa moda também se manifesta em fenômenos como a Daslusp, em que peruas endinheiradas pagam centenas de reais por algumas horas de aula com professores tornados celebridades.

Pode-se argumentar que ao menos estão gastando tempo e dinheiro em algo importante e que, mesmo o fazendo apenas para seguir a moda, as pessoas que mantém uma relação materialista com a cultura podem reter uma ou outra coisa aproveitável para suas vidas. Isso é mais ou menos como dizer que Harry Potter prepara as crianças para ler obras mais sofisticadas. Não prepara. Prepara para ler Harry Potter, como diz Harold Bloom. No caso do materialismo cultural, é ainda pior, pois o que se ganha com a glamurização do conhecimento é um monte de peruas arrotando citações enquanto seus maridos enochatos discorrem sobre as qualidades de um desconhecido vinho neozelandês que acabaram de descobrir.

Conversar com pedreiros é mais intelectualmente estimulante.

7 de setembro de 2006, 21:48 | Comentários (42)

abrace o filistinismo de meio-turno

O texto do Bruno Galera sobre a falsa polêmica a respeito dos cursos universitários para escritores lembra como a mitificação dos artistas e outros trabalhadores intelectuais é algo engraçado. No caso, há quem pense que os cursos são, na hipótese mais benévola, inúteis. José Castello, por exemplo, delira:

A literatura, mais do que as outras artes, trabalha com a palavra pura e o pensamento puro. O escritor não precisa de um pincel, nem de um violino. Você tem de ter atributos que não se ensina. Tem de ter imaginação, por exemplo.

Ah, é? Deveriam erigir monumentos para esses semideuses que trabalham com a palavra. O trecho evidencia a anal-retentividade de parte da "classe artística". Esse negócio de pensamento puro — e aliás, outras purezas — caiu em desuso já no século XIX. Benjamin decretou o fim da aura da obra de arte há mais de 50 anos. Ainda assim, há quem acredite que o artista não deve se deixar contaminar pelo dinheiro, essa coisa suja.

É algo engraçado. Se um sujeito trabalha no setor de compensação de cheques em um banco qualquer, mas à noite participa de algum projeto artístico ou desfruta da arte, todos acham muito bom. Ninguém questiona sua pureza de intenções. "Oh, puxa, um mero bancário se interessando por arte." Por outro lado, se um ator com diversos serviços prestados à dramaturgia resolve trabalhar oito horas por dia na Globo, se um bom músico decide tocar em uma banda de axé, se um artista plástico decide fazer ilustrações para comerciais, logo os chamam de vendidos. Logo os acusam de conspurcar sua arte.

Uma novidade: dinheiro é trimmmassa. Com ele se pode fazer muitas coisas, inclusive patrocinar uma dedicação a projetos artísticos que não rendem dinheiro. Artista não tem de sofrer.

14 de agosto de 2006, 23:13 | Comentários (24)

plano para enriquecer

Escrever um livro de auto-ajuda chamado Homens são do Sexy Hot, mulheres são do Playboy Channel.

13 de agosto de 2006, 12:16 | Comentários (7)

de chorar no cantinho

Os porto-alegrenses adoram louvar o suposto alto nível intelectual dos cidadãos, quando comparado ao resto do Brasil. Talvez com alguma razão. No entanto, basta cair em suas mãos por acaso algo como a revista Pimba, de Montevideo, para se perceber que Porto Alegre é lixo perto até mesmo de uma cidade de tamanho semelhante em um país decadente. A programação cultural da capital uruguaia faz qualquer pessoa de bom gosto exilada nestes tristes subtrópicos chorar. Sobretudo pessoas que já tentaram emplacar uma revista do gênero por aqui — no caso, a Type — sem conseguir muitos leitores, menos ainda anunciantes. Enfim, os uruguaios, apesar de pobres, recebem uma boa educação.

9 de agosto de 2006, 10:37 | Comentários (11)

podem me chamar de teuto-brasileiro, ou colono

Se eu fosse negro, jamais aceitaria ser chamado de "afro-brasileiro". Pelo menos até que os brancos também começassem a levar algum adjetivo antes de "brasileiro". O "afro" indica que o negro é considerado alguém de fora, estrangeiro, um outro que está em nosso país por acaso, um hóspede. O corolário é óbvio: quem vive de favor em nossa casa deve se comportar ou ir embora. No fundo, o desejo da maioria dos brancos é que os negros voltassem para a África — ou fossem para onde quisessem, desde que bem longe. Os idiotas da correção política e os próprios negros [estes bem menos] caem feito patinhos no conto do vigário da ação afirmativa lingüística.

13 de julho de 2006, 9:46 | Comentários (10)

seleção ainda está no alto dos saltos

O recordista Cafu é mesmo incorrigível. A única coisa que aprendeu com o fiasco na Copa é que "nem sempre o melhor vence". Errado. Se venceu, é o melhor. Cafu também acha que ter levantado a Copa em 2002 e 1994 é salvo-conduto para jogar mal e deixar a raça em casa: "Acho que a minha geração tem uma imagem vencedora. Vocês têm que analisar pelo lado positivo também. Vocês não podem apagar a história por causa de uma derrota." Roberto Carlos também acha, além de dar uma de Galvão e dizer que os espectadores não viram o que viram: a ajeitada de meia que deixou Henry livre para o gol. Como queríamos demonstrar, a Seleção precisa é de jovens com algo a conquistar. Diga-se em favor de Cafu, no entanto, que ele ao menos teve a hombridade de enfrentar a torcida e não fugiu pela porta dos fundos.

Se continuarem achando que foi uma injustiça a eliminação nas quartas de final, a torcida brasileira pode esquecer a Copa do Mundo de 2010.

Caberia também avaliar o papel da imprensa na tragédia. Imprensa aqui significa Globo, claro, já que, como a Soninha notou, os jornalistas da emissora recebem mil regalias, mas depois ficam na difícil posição de ser cobrados pela CBF em caso de críticas um pouco mais contundentes. A Globo encheu a bola de Parreira e seus comandados até que estes passassem a acreditar no Galvão Bueno e pensar que ninguém podia superar o Brasil. Depois do fiasco, a Globo critica a "soberba" e "arrogância" que ajudou a construir. Além disso, em vez de inventar patuscadas imbecis como a leitura labial, os jornalistas poderiam fazer perguntas mais difíceis nas coletivas. Ninguém pôs o Parreira contra a parede na entrevista após a eliminação. Ninguém perguntou algo assim: "Como você ficou sentado quieto no banco enquanto o time arriava os calções para o Zidane? Onde ficou a raça dos jogadores? Eles não têm vergonha?". Em vez de fazerem boas perguntas na hora adequada, preferem ler os lábios do treinador. Patético.

3 de julho de 2006, 13:51 | Comentários (6)

a volta dos que não foram

goethe_posjogo.jpg

Avenida Goethe, em Porto Alegre, deserta menos de 30 minutos após o fiasco.

É errado dizer que a Seleção Brasileira volta mais cedo da Alemanha. A Seleção nunca foi para a Copa. Em seu lugar, enviaram um bando de mercenários em scarpins. A torcida teve razão o tempo inteiro em não se empolgar com as vitórias. O Brasil só chegou tão longe porque não encontrou nenhuma seleção que unisse vontade de jogar à competência, como a França. Perdeu pela falta de raça, pois em termos técnicos era um time até superior aos Bleues. A declaração de Parreira após o patético desempenho em campo confirma a tese do salto alto:

Ninguém estava preparado para sair antes da final.

Claramente o time entrou em campo acreditando que estava tudo definido e os franceses entregariam o jogo a seus adversários mais talentosos. Faltou combinar com Zidane e companhia. O pior foi ver a total apatia das estrelas. Cafu-preciso-bater-recordes e o Gordo não acreditaram em nenhuma jogada. Roberto Carlos, num lance bisonho que merece entrar para a história do futebol nacional, estava ajeitando as meias enquanto a França marcava seu único gol. Depois do apito final, nenhum deles mostrou qualquer tristeza.

A eliminação foi mais do que justa. Mostra que não adianta insistir em manter estrelas no time, se elas já vêem a Copa com certa "normalidade". Jogadores como Cafu, Ronaldo, Roberto Carlos, que não demonstram a menor vontade no mais importante evento de futebol mundial, não merecem ser convocados. Ou ao menos têm de ser misturados com jovens ávidos por provar sua habilidade. Parreira insistiu em não ver isso, mesmo após o jogo contra o Japão. O problema talvez seja justamente que o próprio Parreira não precisasse mais provar nada — e o verbo está no condicional, porque agora ele precisará raspar a pecha de técnico que afundou a Seleção.

Só resta mesmo torcer para Portugal. Na verdade, a decepção com a eliminação só é tanta porque um embate entre Felipão e Parreira seria interessante. O melhor jogo da Copa não vai acontecer.

1 de julho de 2006, 21:54 | Comentários (26)

torcedores assistem a jogo de cuecas
"É claro que a Fifa não pode proibir ninguém de vestir nenhuma roupa, mas quando centenas de torcedores aparecem com uma marca que será vista por milhões de pessoas pela televisão, e essa marca não deu um centavo ao torneio, a coisa muda de figura", explicou o porta-voz da Fifa, Markus Siegler.

Um bando de torcedores holandeses vestia camisetas da cerveja Bavaria na entrada do jogo Holanda x Costa do Marfim. A patrocinadora da copa é a Budweiser. Fizeram os caras tirarem a roupa.

Essa é para quem não vê problemas na transformação do futebol em uma caixa registradora dos cartolas.

17 de junho de 2006, 15:54 | Comentários (6)

sapralá, assombração!

Já viram a campanha nova do banco Itaú? Diz que nestes tempos de corrente pra frente, o "Itaú vai estar piscando para você". Impossível não pensar em uma das poucas rimas para o nome do banco. Depois diz que esse "é o jeito de o Itaú dizer que quer você". É ruim, hein?

Enquanto isso, os spammers resolveram mandar diagramas junto com as mensagens não-solicitadas:

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Provavelmente, seus clientes são burros demais para ler uma frase com mais de quatro palavras sem algum tipo de ajuda.

14 de junho de 2006, 17:31 | Comentários (10)

várzea

Esta Seleção não incentiva muito ao otimismo. Se é possível destacar algum ponto positivo em relação à de 2002, é que Ronaldo finalmente descobriu em qual ponta da cabeça deve usar o cavanhaque.

Fora isso, devia ter apostado em algum bolão.

13 de junho de 2006, 19:02 | Comentários (1)

denúncia!

O secretário de comunicação do governo, Luís Gushiken, utilizou um dos mictórios do aeroporto de Congonhas nesta sexta-feira. E não lavou as mãos depois.

3 de junho de 2006, 15:29 | Comentários (14)

duplipensar no final de domingo

O Fantástico deste domingo trouxe uma novidade incrível para os espectadores: estreou um quadro de reportagem! O jornalismo havia sido mandado para a geladeira do programa há algumas décadas, mas parece que a Rede Globo decidiu dar uma nova chance a esta prática anacrônica de preencher as ondas eletromagnéticas com conteúdo. De repente, é mais barato botar o Caco Barcellos com alguns focas indo atrás de pichadores, do que comprar matérias de agências internacionais ou criar pseudo-acontecimentos. Claro que, como se trata do Fantástico, todas as focas do quadro Profissão repórter são gostosas.

O quadro na verdade fez sua estréia em um Globo Repórter especial. Programa no qual, aliás, o jornalismo foi trocado por documentários do Discovery Channel há coisa de uma década.

8 de maio de 2006, 10:25 | Comentários (6)

você chorou quando enterraram o carequinha?

Ser criança é duro. Você acredita em qualquer bobagem que lhe contem. Aí, cresce e descobre que todo mundo estava mentindo o tempo inteiro. É informado, por exemplo, de que tudo aquilo decorado a duras penas nas aulas de história era mentira. Cabral não necessariamente descobriu o Brasil e Tiradentes não era bem o que se pensa. Como se não bastasse essa desilusão, agora Xuxa é investigada por crimes fiscais.

7 de maio de 2006, 20:09 | Comentários (5)

boicote ao cirque du soleil

Se este fosse um país decente, haveria revolta popular e um boicote ao Cirque du Soleil, que fará uma turnê no país em agosto.

O caso é o seguinte: a Companhia Interamericana de Entretenimento conseguiu levantar R$ 9,4 milhões para financiar a vinda do grupo circense através da Lei Rouanet. O banco Bradesco destinou parte de seu imposto de renda devido no ano que vem para preencher este valor. Ou seja, em vez de pagar ao Estado, o Bradesco dá o dinheiro a uma promotora de eventos mexicana, para que ela traga o Cirque du Soleil ao Brasil. Até aí, tudo bem. É justificável que o governo fomente a arte.

O problema é que, por este preço, os ingressos deveriam ser de graça ou, no máximo, ter um valor simbólico. Ou talvez o grupo devesse fazer apresentações especiais para estudantes e pobres de maneira geral. Não vai acontecer. A meia-entrada custará R$ 50. Não bastasse, os ingressos melhores [a R$ 370] foram colocados à venda somente para clientes endinheirados do Bradesco, por enquanto. Tudo isso com o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. Não custa lembrar que o Bradesco é um dos bancos que mais crescem, em um cenário onde todos os bancos têm obtido um faturamento obsceno.

Janer Cristaldo foi mais rápido em comentar o assunto:

Tudo muito simples: você paga para que uma minoria se divirta. Esta minoria, que também é contribuinte, já pagou a produção do espetáculo. E agora paga de novo para assisti-lo.

A única saída decente contra esse patrocínio completamente contrário à Lei Rouanet, que prevê renúncia fiscal apenas em caso de difícil viabilidade comercial, é não assistir ao espetáculo do Cirque du Soleil. Além, é claro, de enviar mensagens de correio eletrônico à CIE, ao Bradesco e direto com o Gil, mandando-os à puta que pariu. Não devolverão nosso dinheiro, mas ao menos vão saber que a valorização da marca Bradesco, objetivo final de toda a palhaçada, foi trincada.

ATUALIZAÇÃO: Lucro do Bradesco cresce 27% e atinge R$ 1,53 bilhão no 1º trimestre. É, eles realmente precisam de recursos da Lei Rouanet para patrocinar qualquer coisa. Coitados.

5 de maio de 2006, 13:03 | Comentários (14)

o tempora! o mores!

Evidência da péssima educação e falta geral de interesse em cultura hoje em dia é o fato de os jornalistas se referirem às balaclavas como "toucas ninja". Ninguém é obrigado a saber que Balaclava é o nome de um lugar na Criméia, onde essas toucas foram usadas em batalha, mas poderiam ao menos se dar conta de que os ninjas não usam toucas.

13 de abril de 2006, 20:08 | Comentários (12)

tuning: eu não entendo
Just as music needs a backdrop of silence to signify, we need music-free stretches to make music meaningful. Suddenly, though, they seem endangered.

[...]

I'm not sure where we go from here. Perhaps new technology will save us from what technology hath wrought. [I personally dream of song-canceling technology; technology that can cancel whole singers, like Jack Johnson, or whole genres, like emo rock.] Perhaps there'll be a general anorexic-bulimic revulsion against music, and musical diet fads will sweep the world. Maybe we can save music by reducing and rationing it, making it special again.

O inferno não são os outros, é a música dos outros. Impossível discordar. Um dos maiores incentivos para deixar a casa de minha querida mãezinha e gastar metade dos meus rendimentos em aluguel, luz, água, IPTU e o escambau era o fato de meu irmão ouvir bate-estaca a todo volume do momento em que pisava em casa até a hora de dormir. Ameaças físicas ou psicológicas não funcionaram, tive de sair.

Nunca entendi as pessoas que PRECISAM ouvir música o tempo inteiro. Sempre tive a sensação de que na verdade estão querendo preencher o vácuo em suas cabeças com barulheira.

Dica da Barbara.

11 de abril de 2006, 22:24 | Comentários (15)

estupidez se manifesta ao norte da austrália

Um sujeito na Austrália foi preso por posse de textos com narrativas pedófilas. Não havia nenhuma imagem. A argumentação do promotor é que as histórias poderiam "criar a percepção de que pedofilia é aceitável", além do "potencial da palavra escrita para encorajar alguém a agir de acordo com o que leu".

O próximo caso do promotor é tentar prender os autores de todos os livros de história que contenham relatos de guerras e massacres. São canalhas ainda maiores, porque tentam encorajar colegiais ao extermínio em massa de etnias com seus livros obscenos sobre a Segunda Guerra Mundial. Todos os portadores de bíblias serão também processados, pois o texto contém não apenas cenas de cidades destruídas por fogo caindo do céu, como de incesto, sodomia, onanismo e sadomasoquismo.

Dica do Alexandre.

9 de abril de 2006, 22:38 | Comentários (4)

como nascem os anjos

Andava pela Cidade Baixa neste domingo de sol. Um piá oriundo das classes menos favorecidas se destaca dos dois outros amiguinhos e vem em minha direção. Pede uma moeda. Nego. Ele aponta uma arma de brinquedo. Depois sai correndo e rindo para se juntar aos colegas.

2 de abril de 2006, 18:23 | Comentários (12)

perguntar não ofende

Por que um bando de estudantes franceses pode pôr fogo em tudo devido a um projeto de lei, mas muçulmanos que tiveram seu mais importante símbolo religioso avacalhado em um cartum sacrílego não podem pôr fogo em embaixadas? Por que se aplaude a ação de uns e se condena a de outros? Vendo bem, o motivo por trás das duas badernas é o mesmo: ameaças ao imaginário, religioso num caso, político no outro.

31 de março de 2006, 19:03 | Comentários (18)

como se fazem as salsichas

Se alguém tinha alguma dúvida de que a IstoÉ deixou de fazer jornalismo — ou ao menos jornalismo sério —, deve ler a carta aberta do ex-editor de política da sucursal de Brasília a um tal José Carlos Marques, diretor editorial. Nela, Luiz Cláudio Cunha expõe a cozinha infestada de ratos e baratas da revista que já teve Mino Carta na chefia. São acusações graves de montagem de fotos, esquentamento de coletivas e até mesmo atribuição de frases a um ex-presidente da república.

É uma rara oportunidade de ver como são feitas as salsich... — perdão! — as reportagens. O caso da revista de Domingo Alzugaray é extremo, mas vícios como os descritos por Cunha, em especial os executivos ignorantes que posam de jornalistas, estão presentes em todos os veículos. Na melhor das hipóteses, é preciso conviver com repórteres que, como qualquer ser humano, em certos momentos estão cansados, doentes ou sem saco de trabalhar, o que leva a erros involuntários. Como diz meu amigo Daniel Gallas, existe um tripé de problemas sempre encontrável nas redações: chefes malucos, falta de dinheiro e má administração dos recursos.

Obrigado, Brust.

29 de março de 2006, 18:15 | Comentários (7)

o bom de ser velho é poder fazer o que quiser

Lima Duarte comanda a vala em entrevista à Folha de São Paulo — reproduzida na íntegra abaixo, caso o jornal resolva fechar o conteúdo ou tirar do ar. Aos 76 anos, deve ter decidido que era hora de dizer tudo o que sempre quis, antes de morrer. Não tem muito que a Globo possa fazer contra ele, nem ninguém mais. Tem dinheiro suficiente para o resto da vida e consegue emprego onde quiser.

Os melhores trechos:

O Fantástico transforma qualquer opinião em merda, a edição é calamitosa. A da Globo de modo geral.

[...]

Odeio Lula porque faz uma glamourização da ignorância, contra o que tenho lutado a vida toda. Também sou "analfa", fui criado como ele na roça, mas, puxa vida, descobri o encanto por trás da palavra escrita, a magia. Num país carente de conhecimento, ele não pode ter esse procedimento. É um imbecil, um idiota, um ignorante. Quando ia ao cinema, ia com o cachorrinho no colo. Para quê?

[...]

Faço esse do Whiskas [ração para gato]. Mas pagam muito mal ao ator, é mixaria. Faço um também com a Irene Ravache, aquele de pele. Ah é, Natura. É uma porcaria proporcionalmente ao que ganho. Não gosto, é meio aviltante, não? Contraria seu personagem, tem de pegar direito, virar o rótulo para a câmera. E fica lá a garota do merchandising dizendo como fazer a cena. Pergunto: "Não é o diretor que manda?". E os diretores ficam quietos.

[...]

Cheguei a SP num caminhão de manga. Tinha 15 anos, meu pai disse: "Atimbora", como Guimarães Rosa. Percebeu que eu estava pronto. Nas primeiras noites, dormi embaixo do caminhão. Até que um amigo me convidou para ir à zona. Eu: "Mulher, a coisa propriamente dita?!". Era acostumado com bananeira, bezerro, esses negócios da roça.

[...]

Na reinauguração do Cristo Redentor, fui apresentar a cerimônia. Com uns 90 anos, o doutor Roberto tinha quebrado a perna. A Globo armou uma liteira com quatro negros para carregá-lo.

A entrevista confirma muita coisa que se diz por aí sobre a maneira como são feitas as salsichas na maior emissora do país. Interessante sobretudo este último trecho, muito eloqüente sobre a visão de mundo dos chefes. Em favor do doutor Roberto, diga-se que se recusou a subir na liteira.

Continue Lendo...

27 de março de 2006, 10:59 | Comentários (15)

ê, provincianismo

Ele foi o primeiro empresário de comunicação do país a fazer a regionalização. Além disso, se preocupava com a comunidade. Sabia que a educação era a única forma de ajudar as crianças carentes — Cristina Ranzolin.

Faz falta aquela presença amiga, boa-praça, que trazia alegria para onde quer que fosse — Paulo Sant'anna.

Está de fato comovente a rasgação de seda pelos 20 anos da morte do "jornalista" Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador da RBS. Nada menos que metade do Jornal do Almoço foi gasto nisso. Dá vergonha pelos jornalistas que trabalham lá.

24 de março de 2006, 12:40 | Comentários (14)

ok, agora chega. vamos fechar o congresso

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Vocês estão frustrados com a crise política? Estão arrependidos de ter votado em Lula? Já se pegaram nas últimas semanas com vontade de que os milicos retornassem ao poder e levassem todos os congressistas para praticar pára-quedismo sem pára-quedas? Pois então observem bem a pessoa acima. Guardem esse rosto, sobretudo os eleitores de São Paulo. Esta senhora, Angela Guadagnin, deputada federal pelo PT, acaba de dançar sobre nossa frustração. Não é jogo de palavras. Ela não se conteve de alegria com a absolvição do coleguinha João Magno, que recebeu R$ 500 mil do Valerioduto, e dançou durante a votação na Câmara.

Temos sofrido muitas humilhações nos últimos meses, mas essa passa de qualquer limite. A degradação moral do Congresso atingiu o fundo do poço. Estão esfregando em nossa cara a certeza da impunidade e da pouca memória do eleitor. Esta senhora em especial é completamente desprovida de respeito pelo povo. É preciso linchar sua imagem pública sem pena nem compaixão. É preciso transformar sua vida num inferno. O mínimo a fazer é enviar emails para o endereço angela@angelaguadagnin.net mandando-a dançar assim em Cuba, país de que tanto gosta.

Não existem palavras adequadas para descrever algo assim.

Mais informações e achincalhamento no Nova Corja, onde passarei a escrever a maioria de meus textos sobre política.

23 de março de 2006, 16:32 | Comentários (28)

pé de chinelo

O desempenho de Felipe Massa na Ferrari prova que Rubinho Barrichello é uma droga de piloto. Na primeira corrida pela Honda, Rubinho já fez lambança e começou aquele chororô sobre problemas no câmbio e sabe lá o quê mais. Enquanto isso, seu companheiro de equipe, como nos tempos de Ferrari, corre muito bem com um carro igual. Rubinho devia admitir que não sabe correr e se aposentar.

20 de março de 2006, 9:59 | Comentários (4)

nunca terei um blog

Uma crítica pertinente.

15 de março de 2006, 17:03 | Comentários (2)

ficamos mais limpinhos

A classe C gastou mais neste ano. Uma pequena melhora na renda nos últimos anos foi suficiente para acreditarem poder pagar crediários e encherem as geladeiras de alimentos um pouco mais variados e os armários dos banheiros de produtos de higiene pessoal. Conforme o Jornal Nacional, o produto que deu maior salto nas vendas entre as classes D e E foi desodorante.

Então é isso, qualquer pequeno aumento na renda melhora o consumo, o que se reverte em mais dinheiro rodando na economia e mais emprego para as mesmas classes C, D e E. De quebra, o Brasil ainda fica mais cheirosinho, sem aquele bodum de país pobre.

14 de março de 2006, 0:11 | Comentários (7)

os transgressores
Isso posto, o espetáculo resultante dá a nítida impressão de que, na hora de levar para o palco as supostas comédias, o diretor se deu conta da incoerência e da fragilidade daquilo tudo, e chegou à conclusão de que só o total desrespeito salvaria Qorpo Santo. O resultado é um desastre.

Hehe. Obrigado, Bruno.

E o pessoal ainda reclama do Jerônimo Teixeira.

10 de março de 2006, 19:25 | Comentários (5)

el supremo
São enormes os poderes do general Francisco Albuquerque, comandante do Exército.

Na Quarta-Feira de Cinzas, ele chegou ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas, 15 minutos antes da hora do embarque do seu vôo para Brasília. O funcionário da TAM lhe explicou que o vôo estava fechado e lotado. Ocorrera um overbooking de feriadão.

O avião já ia em direção à cabeceira da pista quando recebeu ordem da torre para retornar ao pátio. Uma escada foi levada para a porta e um casal de passageiros desceu. Subiu o general, com roupas civis, acompanhado pela mulher.

Informação cortesia de Elio Gaspari, reproduzida aqui porque pichar o nome deste tipo de gente não apenas é divertido, como necessário.

5 de março de 2006, 19:12 | Comentários (15)

o brasil não é sério

Mas afinal de contas, como um sujeito como o Edmundo ainda tinha carteira de motorista? Convenhamos, ele não deveria ser autorizado nem a dirigir carrinho de mão.

19 de dezembro de 2005, 13:58 | Comentários (6)

puragoiaba

Quando crescer, quero ser igual ao Ruy Goiaba:

Os entendidos explicam da maneira mais inequívoca possível: arte é uma bicha pelada balançando seu saco peludo. Abro o caderno de cultura — idéia que entendo no sentido mais urinário possível, como em "cultura de bactérias" — e vejo que a reportagem sobre um curador é ilustrada por uma, ahn, instalação. A coisa consiste num vídeo de um sujeito pelado, de mãos dadas com outros, ou outras, que estão fora do quadro.

18 de dezembro de 2005, 9:42 | Comentários (3)

padres tarados

É por causa de idéias imbecis como esta que meus filhos jamais irão à igreja enquanto não puderem decidir por si mesmos:

As crianças, que têm em média 11 anos, receberam, após uma das aulas de primeira comunhão, um "exame de consciência" — uma espécie de confissão — que pedia a elas para "marcar ou pintar os quadradinhos dos seus pecados cometidos".

As opções eram divididas por mandamentos. No sexto ["não pecar contra a castidade"], havia os quadradinhos "vou à zona", "pratico relações homossexuais", "sexo com animais", "sexo com bonecos". No quinto ["não matar"], a criança podia optar por "cometi aborto", "abuso no volante", "tentei suicídio". Os formulários foram recebidos na semana passada.

Obrigado, Nica.

13 de dezembro de 2005, 12:33 | Comentários (1)

de bonner para homer

Deixando-se de lado o fait-divers irônico de que William Bonner se refere ao espectador presumido do Jornal Nacional como Homer, este artigo de um tal Laurindo Lalo Leal Filho, da ECA/USP, é de uma covardia sem tamanho. Reclama do jornalismo feito pelo JN, mas tem um dos piores vícios do jornalismo: tirar as coisas de contexto.

Se há uma crítica bem feita, é a de ninguém contestar as decisões editoriais de Bonner nas reuniões de pauta do telejornal. É papel de cada editor defender as idéias em que confiam até a morte. No fundo, a culpa da apatia é mais deles do que do chefe. No entanto, quando o doutor enxovalha Bonner por defenestrar uma pauta sobre a venda de combustíveis da Venezuela aos pobres dos EUA com a frase "o Homer não vai entender", está errado. Sobretudo porque compara esta pauta com a do juiz que mandou soltar criminosos condenados em Minas Gerais. Prova não ter jamais pisado em uma redação. Se pisou, não aprendeu nada.

As decisões no jornalismo são tomadas de forma automática na maioria das vezes. Pelo feeling, faro jornalístico ou como se queira chamar. É claro que esse automatismo na verdade é permeado de ideologia e preconceitos. Não apenas repórteres, mas todos nós decidimos as coisas assim, sem tomar consciência de todas as pré-concepções sobre o mundo que determinam nossas ações. A vida seria um inferno se fosse diferente. Seria desejável, claro, que o JN fizesse uma autocrítica e explicitasse sua posição política, para que a audiência pudesse interpretar melhor as informações. Mas isso não pode ser feito a cada reunião de pauta, ou nunca sairia telejornal no horário.

O mais grave é que o doutor parece querer simplesmente substituir uma ideologia de centro-direita por sua própria ideologia de esquerda. Não se poderia esperar outra coisa de um ex-secretário de Esportes de Luiza Erundina, imagina-se. É o tipo da atitude que faz com que as redações cada vez mais ignorem a academia. Esta, sim, é espaço de crítica constante — coisa que nem sempre a elite intelectual do país consegue, mas se acha no direito de cobrar dos pobres jornalistas, que já não podem dar conta de seu trabalho nem sem ter de se preocupar com questões ideológicas.

O que falta na verdade é uma Teoria da Preguiça, para explicar os erros típicos da má vontade, incompetência ou simples cansaço dos repórteres. Nem sempre há uma teoria da conspiração por trás de tudo. Na maior parte das vezes, há somente um sujeito sobrecarregado e mal-pago que quer mais é terminar logo aquela droga de matéria e ir encher a cara.

8 de dezembro de 2005, 21:32 | Comentários (4)

otávio germano transcende a mera incompetência

Alguém levou uma ruim aqui na André da Rocha nesta madrugada. Só dava para ouvir os gritos de "socorro" e sons de punhos e pés encontrando partes mais macias do corpo humano. Da última vez em que isto aconteceu, quem gritava por ajuda era um ladrão que estava tomando um corretivo da vítima. Em todo caso, dá o que pensar. Os marginais trocaram a avenida Goethe e o Bom Fim pela Cidade Baixa. A PM resolveu policiar as principais ruas, ou seja, onde aparece. Resultado: mais marginais na André da Rocha, que costumava ser calma.

Talvez seja mesmo hora de tirar o passaporte da gaveta.

8 de dezembro de 2005, 1:02 | Comentários (1)

sonegadores versus prostitutas

A Daslu quer proibir o Daspu, nome escolhido por uma confecção dirigida por prostitutas. O argumento dos advogados é que o nome poderia gerar confusão entre as duas marcas. De fato. Aquelas peruas oxigenadas exibindo um bronzeado artificial e argolas do tamanho de calotas nas orelhas em fotos da loja de luxo paulistana podem facilmente ser confundidas com trabalhadoras da Daspu assim, à primeira vista. Ao menos o gosto pela vulgaridade é o mesmo.

3 de dezembro de 2005, 0:52 | Comentários (5)

grandes momentos da política gaudéria

O ex-governador Amaral de Souza costumava chegar dormindo aos eventos em cidades do interior. Acordava com o foguetório do povo e já saía do carro abanando.

Pois certa feita o pneu do carro estourou. Amaral acordou com o barulho e a parada brusca do carro. Ainda um tanto desorientado, provavelmente, abriu a porta e saiu abanando. Quando percebeu que estava no meio do nada, soltou:

— Porra, vaca não vota!
— Ainda, seu Amaral — retrucou o motorista.

2 de dezembro de 2005, 10:21 | Comentários (4)

bem coisa de comunista

graffiti.jpg

Havia uma grafitagem interessante nesta parede da praça Argentina, em frente ao prédio da Engenharia da UFRGS, em Porto Alegre. É a segunda vez que os integrantes do DCE, militantes do PSOL, apagam os graffiti para fazer propaganda. Afinal, a revolução não pode ser impedida por mera arte, não é mesmo? Tomara que percam a eleição.

16 de novembro de 2005, 19:04 | Comentários (49)

destruindo mitos científicos

"We've heard that a million monkeys at a million keyboards could produce the complete works of Shakespeare; now, thanks to the Internet, we know that is not true."

Robert Wilensky.

10 de outubro de 2005, 15:13 | Comentários (3)

ainda as vestais do intelecto

Mario Sergio Conti escreve:

Recebi uns cinqüenta emails sobre os comentários que fiz aqui na semana passada. Os mais comedidos me chamavam de ultrapassado, ranheta, ranzinza e energúmeno. Não nessas palavras porque os que escreveram não as conhecem. A maioria das mensagens era de xingatório. E boa parte delas era de proveniência inidentificável. O que de certa forma confirma o que escrevi: a comunicação na internet tende à boçalidade e à agressividade. Ela revela mais falta do que fazer do que empenho em, digamos, trocar idéias, impressões, vivências.

Este tipo de gente acha, é óbvio, que eles e seus coleguinhas são os mais espertos e, portanto, seus joguinhos de palavrinhas são os únicos válidos. Falham em ver que blogs são, antes de mais nada, jogo. Uma grande diversão para quem os escreve, e somente isso, com poucas exceções profissionais. Trata-se de mais um caso de intelectual horrorizado com os apedeutas e beócios que compõem a maior parte da humanidade. De fato, poderia-se responder assim a Conti:

Recebi uns cinqüenta emails sobre os comentários que fiz aqui na semana passada. Os mais comedidos me chamavam de ultrapassado, ranheta, ranzinza e energúmeno. Não nessas palavras porque os que escreveram não as conhecem. A maioria das mensagens era de xingatório. E boa parte delas era de proveniência inidentificável. O que de certa forma confirma o que escrevi: a comunicação HUMANA tende à boçalidade e à agressividade. Ela revela mais falta do que fazer do que empenho em, digamos, trocar idéias, impressões, vivências.

9 de outubro de 2005, 12:48 | Comentários (3)

como agradar aos homens

Anda rolando por email um texto que ensina a se tornar um homem razoável na visão feminina, que pode ser lido abaixo. Segue sugestão de uma lista semelhante, direcionada às mulheres que queiram agradar aos homens:

1) Não encha o saco

É, só tem um ítem mesmo. Homens são muito fáceis de agradar.

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7 de outubro de 2005, 21:03 | Comentários (16)