Bufê de sorvete
Um amigo está trazendo uma pessoa do exterior que trabalha no ramo culinário e quer mostrar alguns hábitos alimentícios desconhecidos do país do outro: galeteria, café colonial, polenta frita, rodízio de pizza, bufê de sorvete, etc. O problema é que é impossível decidir para qual bufê de sorvete levá-lo. A pergunta então é:
1) Qual bufê de sorvetes portoalegrense mostrar? Qual tem mais cara de "bufê de sorvetes no centro de Capão da Canoa?"
2) Qual o melhor bufê de sorvetes de Porto Alegre?
3) Que mais mostrar? Lembrem-se que o mundo está cheio de churrascarias, então essa é uma sugestão inútil (que eu já fiz).
Cisco | 11.05.2008, 0:32 | Comentários (16)
O Outback, esse desconhecido
O NYT mandou críticos gastronômicos para visitarem franquias de grandes cadeias de restaurantes nos EUA, incluindo Outback Steakhouse, Olive Garden e T.G.I. Friday’s. O resultado foi um festival de esnobismo. Ou assim comentam Ezra Klein, Matthew Yglesias e Megan McArdle; eu prefiro meu esnobismo gastronômico por parte dos leitores do Garfada.
Cisco | 5.05.2008, 17:13 | Comentários (2)
Menu confiança no Crème de la Crème
Hoje almocei no bistrô Crème de la Crème, dos chefs Lúcia Olmedo e Diogo Cunha. Durante a semana, o lugar serve almoço e lanches das 11h às 19h. Na sexta e ao meio-dia de sábado, oferece um menu confiança que varia conforme os ingredientes disponíveis no mercado. Gosto muito disso. Dá para conhecer melhor os cozinheiros e ainda desfrutar da melhor maneira possível de produtos sazonais.
O menu de hoje começou com um couvert de um dos melhores pães que já provei em Porto Alegre com pasta de azeitonas e ricota. A entrada foi berinjela recheada com molho tapenade e folhas de alface. O recheio da berinjela estava excelente, com uma crosta perfeitamente crocante. A salada veio temperada discretamente, pelo que agradeço, pois não gosto de verduras afogadas em azeite ou vinagre -- principalmente a praga do balsâmico. O prato principal foi risoto de frango na cerveja com bacon, passas e cebola. Conforme o chef Dio Cunha, a receita era de sua avó. Bastante original e bem cuidado na preparação e apresentação. A sobremesa anunciada era torta de limão, mas como pode acontecer no caso de menu confiança, haviam mudado para pudim de iogurte com calda de frutas vermelhas.
Difícil encontrar algo de que reclamar no Crème de la Crème. Talvez apenas uma geladeira que estava tronando no salão pudesse ter tido seu conteúdo transferido para um freezer e sido desligada, de modo a não atrapalhar a conversa dos clientes. Parece bobagem, mas é o tipo de detalhe que poderia causar má impressão em novos clientes. Não se come apenas com a boca, olhos e nariz. Todo o ambiente contribui para a experiência -- e eles têm um ambiente muito bom no Crème de la Crème.
O menu custa R$ 20, um preço mais do que justo para uma refeição esmerada e que satisfaz qualquer fome. Há vinhos diversos, cerveja nacional em long neck (R$ 3,50 a Bohemia) e uruguaia em litro (R$ 9). O atendimento é feito pelos próprios donos, muito simpáticos. Como o lugar não é grande, convém reservar uma mesa, embora hoje estivesse tranqüilo, talvez devido à chuva.
CRÈME DE LA CRÈME
Rua Vieira de Castro, 270 - Mapa
51 3392-0206
Marcelo Träsel | 26.04.2008, 18:41 | Comentários (5)
Chef do Circuito está no Jasmim
Agora não há mais a desculpa de se sentir constrangido com o público GLS para não provar a comida oriental do chef Jean Rodrigues. No início do ano ele saiu do bar Circuito e passou a trabalhar no restaurante Jasmim, no Moinhos de Vento. Parece que a mudança também aconteceu no cardápio, antes quase totalmente tailandês, agora com alguns elementos da cozinha portuguesa, brasileira, francesa e italiana. Ainda não fui, mas está na lista. Fui neste domingo jantar lá e encontrei boas opções e um ótimo ambiente e atendimento, porém alguns pequenos problemas na cozinha. Ia ao KOS, mas pela segunda vez consecutiva não estava aberto, apesar de divulgar que funciona das 11h às 0h diariamente.
Pedimos como entrada a opção de dim sum com carne de gado (R$ 19). Vem com dois rolinhos de papel de arroz vietnamita, duas trouxinhas de carne moída fritas, dois espetinhos de filé com shiitake e duas panquequinhas de pato, acompanhadas de geléia de pimenta. Muito bom. O prato principal foi o Mar do Norte (lombo de bacalhau ao molho de leite de coco com mil folhas de batata e alho-poró, R$ 55). A garçonete avisou que o bacalhau tinha chegado no dia anterior e estava dessalgando, então iria perguntar ao chef se podia servir. Foi servido, mas o bacalhau ainda estava salgado demais, o que esculhambou o paladar. Antes, porém, experimentei o arroz jasmim sem molho e percebi que um pouco deve ter queimado no fundo da panela, o que deixa todo o arroz com um sabor de fundo inconfundível. De sobremesa, Macau (tigela de chocolate com líchia e amêndoas laminadas, R$ 15) e Punta del Este (sorvete de manjericão com duas barras chocolate recheado de doce de leite, R$ 15), ambas excelentes, em especial o sorvete de manjericão, que eu comeria puro a qualquer hora.
O atendimento do Jasmim é ótimo e o chef veio à mesa perguntar como estava a comida. Informei sobre o problema do bacalhau, até para colaborar com o azeitamento da operação na cozinha. Não comentei, porém, que senti falta de um pouco mais de tempero nos pratos, mais pimenta -- aliás, o molho de pimenta oferecido na mesa poderia ser de uma marca melhor, pois o atual não condiz com o ambiente ou com os preços do cardápio. Um grande acerto, porém, é oferecer cerveja Heineken (R$ 4 a long neck). Outro acerto é ser um dos poucos bons restaurantes a abrir aos domingos à noite. O restaurante abriu há um mês apenas e certamente Jean Rodrigues vai atingir o nível de qualidade que oferecia no Circuito.
JASMIM
Rua Marquês do Pombal, 322 - Mapa
51 3062-5267
Marcelo Träsel | 20.04.2008, 18:27 | Comentários (4)
Atelier de Massas
Um restaurante relativamente menosprezado de Porto Alegre é o Atelier de Massas. Este blog mesmo andou desprezando o Atelier nesses dois anos de existência, embora seja um dos meus restaurantes preferidos. Sempre que preciso ciceronear algum turista, levo para jantar ou almoçar lá, porque o restaurante oferece opções de boa comida que agrada a todos os gostos a preços razoáveis.
A grande qualidade do Atelier é servir massa caseira de verdade, inclusive respeitando as denominações tradicionais italianas. O fettucine deles tem uns três dedos de largura, como manda o figurino. Há também diversos tipos de massas recheadas, cada uma casada com um molho adequado. E se você for corajoso, pode insistir um pouco para ver se o Gelson Radaelli, dono do lugar, prepara a massa jazz, com um molho improvisado na hora. Mas o cardápio é tão amplo e ao mesmo tempo tão bem pensado que você pode comer um prato diferente a cada visita -- e vai querer fazer isso, porque a maioria apetece. A primeira massa que provei foi fettucine al borgheto (R$ 19,90 para uma pessoa), com iscas de filé, cogumelos e bastante pimenta; só voltei a comê-la na sexta-feira passada.
Além da variedade de massas, o Atelier também oferece um bufê de antipasti (cerca de R$ 5 a cada 100g) que se renova periodicamente -- ou conforme a disponibilidade de ingredientes bons no mercado. Há queijos, embutidos, pães, pastas, e volta e meia até lagostins. Recomendo o alho assado, é incrivelmente suave. Muita gente come apenas as entradas e ignora as massas. Também é possível pedir filé com salada e o ótimo filé paillard, acompanhado com espaguete banhado no suco da carne e creme de leite. Para a sobremesa, recomendo a torta de chocolate.
Como se não fosse o suficiente tudo isso, o lugar é muito bonito, decorado com quadros pintados pelo próprio Radaelli e com obras presenteadas por clientes e amigos. Talvez o Atelier não tenha a fama que merece porque fica no centro da cidade, mas é absolutamente seguro freqüentá-lo, mesmo à noite.
ATELIER DE MASSAS
Rua Riachuelo, 1482
51 3225-1125
Marcelo Träsel | 14.04.2008, 12:36 | Comentários (21)
Mais do mesmo
Saiu a nova edição do Guia de Porto Alegre da revista Veja. O conteúdo ainda não está no site, mas a colunista Fernanda Zaffari postou o resultado em seu blog.
Não há absolutamente nenhuma novidade. Os mesmos restaurantes e chefes de sempre encabeçam a lista. Merecidamente, diga-se de passagem, com uma ou outra injustiça -- por exemplo, o Copacabana como melhor restaurante italiano, quando dá para citar ao menos o Casa Vecchia e o Al Dente bem à frente. O Na Brasa como melhor restaurante para se comer carne na cidade é algo ridículo e absurdo, quando existe a churrascaria Porto-Alegrense. A Na Brasa é, na melhor das hipóteses, o melhor lugar para se empaturrar de carne.
Talvez a editora Abril devesse rebatizar o guia de "O melhor de Porto Alegre segundo o gosto médio dos freqüentadores da Padre Chagas". Ou então variar um pouco os jurados a cada edição, para dar uma arejada nas listas do melhor da cidade. A repetição de certos estabelecimentos todos os anos evidencia, além da desertificação gastronômica da capital, uma certa ignorância e aversão ao novo dos eleitores.
Na verdade, a Vejinha prestaria um serviço muito melhor é se contratasse uma equipe de quatro ou cinco pessoas que realmente entendessem do assunto para visitar todos os restaurantes e bares (pagando pelas refeições) e deixasse que essa equipe escolhesse os melhores, com direito a críticas de verdade. Como diz meu colega David Coimbra, democracia demais atrapalha. A última coisa que uma pessoa devia querer quando procura um restaurante é compartilhar o gosto do rebanho.
Marcelo Träsel | 5.04.2008, 11:41 | Comentários (21)
Puppi Baggio
Um dos restaurantes italianos mais famosos de Porto Alegre, o Puppi Baggio tem um ambiente que lembra a rusticidade colonial: mesas de madeira, móveis e objetos antigos, fotos antigas etc. Fica em cima de uma adega e quem compra os vinhos para a refeição lá embaixo não precisa pagar a rolha paga rolha de 10 a 15% do valor do vinho, como em qualquer outro restaurante de Porto Alegre (obrigado pela correção, Solon).
Pedi um prato leve de subiotto com molho spetacollo d'uva. O subiotto é um tipo de penne com as paredes mais espessas, deixando uma canaleta bem fininha no meio. Chegou à mesa num ponto excelente. De fato, talvez seja a massa mais al dente que já comi em Porto Alegre. O molho era à base de requeijão, com tomates secos, uvas itália e estragão. Razoável, apenas. Também pedimos um polpetone (ou "almondegão") com molho de tomate. É bem grande e serve umas quatro pessoas como acompanhamento. Também é bastante temperado e levemente picante.
Gostaria de voltar lá e experimentar o molho de carne de panela, que dizem ser excelente. As massas do Puppi Baggio são realmente boas, mas minha escolha de molho prejudicou. Difícil saber se a fama de melhor italiano da cidade se justifica.
PUPPI BAGGIO
Rua Dinarte Ribeiro, 36
51 3346-3630
Segunda a sábado, almoço e jantar
Marcelo Träsel | 20.03.2008, 14:22 | Comentários (12)
Pueblo, o mexicano de Porto Alegre
Se você quer comer bem a preços razoáveis, recomendo o restaurante Pueblo. Se quer encontrar gente jovem e bonita, também. Agora, se não suporta esperar em filas, se gosta de poder conversar sem elevar a voz até ficar rouco e detesta ficar com as roupas cheirando a comida, evite essa casa.
O cardápio do Pueblo é bem fiel à culinária mexicana dos Estados Unidos. Oferece os clássicos chili, tacos, burritos e fajitas. Além disso, tem pratos como chimichanga, menos conhecidos. Pedimos como entrada os nachos originais -- que eram de verdade, e não meros Doritos com queijo --, tacos de filé e chimichanga de carne de panela. Aliás, uma das melhores carnes de panela que já provei em restaurantes. Teríamos ficado satisfeitos com apenas dois desses pratos, mas quisemos diversificar. A chimichanga foi o melhor, os tacos também são bons, mas a guacamole poderia ser mais temperada. Com bebidas, a conta ficou em R$ 60 para duas pessoas.
O grande problema do Pueblo é que virou moda entre a juventude porto-alegrense. Isso significa mesas cheias de meninas loiras com chapinha gasguitando em altos volumes. Sorte que as modas passam. A gerência poderia dar uma olhada no sistema de ventilação, porque as roupas ficam cheirando a comida quando a pessoa senta no salão dos fundos. E é bom chegar cedo, antes das 21:00, porque senão vai ter de esperar no balcão até uma mesa ser liberada.
PUEBLO CASA MEXICANA
Av. Ijuí, 147 - Petrópolis
Fone 51 3332-5540
De terça a domingo, almoço e jantar
Marcelo Träsel | 14.03.2008, 13:24 | Comentários (13)
A Cantina
No domingo passado, o Bruno Galera e eu nos reunimos a um grupo de amigos para almoçar no restaurante de carnes exóticas A Cantina. Um dos principais atrativos, além da degustação de jacaré, capivara, javali e avestruz, é o fato do estabelecimento ficar no bairro do Lami, região rural de Porto Alegre. É um bom passeio para dias de sol e eles têm mesas no quintal, onde você pode tomar o chope artesanal local em canecos originais de festas de interior (R$ 5), como esse na mão do Bruno.
Pode-se pedir a comida à la carte, ou então o rodízio, que sai por R$ 23. Nós começamos com uma porção de rã à doré (R$ 25), que dá para umas quatro ou cinco pessoas e vem com um molho tártaro. A primeira carne a vir no rodízio foi o jacaré, à milanesa. Trata-se de uma carne que fica entre o peixe e a galinha, e é bem gordurosa e consistente. Depois veio o avestruz, salteado na chapa. O problema é que uns pedaços vieram no ponto e outros quase crus. Mas avestruz é muito bom, uma carne bem vermelha e sem quase nada de gordura. Em seguida, foi a vez do javali, também salteado na chapa. É um porco com sabor um tanto mais marcante e que oferece mais resistência à mordida. Finalmente, veio a capivara, de longe a mais exótica de todas as carnes provadas. Algumas pessoas na mesa acharam forte demais, mas outras adoraram. Estava bem temperada com alho e também salteada.
O acompanhamento das carnes são massas caseiras à carbonara e ao pesto. O molho pesto deles é muito bom. Também servem salada de verduras e legumes plantados no local. É uma comida honesta e a proposta de servir carnes exóticas é excelente, porém, um tanto mal executada em minha opinião. O problema é que o modo de apresentação, à milanesa ou salteado na chapa com um monte de óleo, não valoriza muito os produtos. Seria melhor grelharem ou até assarem as carnes. Também não precisavam ter medo de temperá-las. Algumas pessoas na mesa pediram bananas flambadas com sorvete de sobremesa e disseram que estavam muito boas.
Na saída, os clientes ainda podem adquirir produtos coloniais, como cachaça artesanal e geléias. Comprei uma geléia de jaboticaba feita com frutas do pomar da família. Abre de quartas a domingos, das 10h às 22h.
A CANTINA
Estrada Edgar Pires de Castro, 10.853
Bairro Lami
51 3267-1529
Marcelo Träsel | 9.03.2008, 23:44 | Comentários (19)
Bifão no Outback
Ontem finalmente consegui experimentar a comida do Outback, uma franquia de steakhouses que se aproveita da aura de macheza, ruralidade e informalidade da Austrália. Outback é como os australianos chamam o sertão do país, que é coberto por uns 80% de terras áridas.
Pedimos blooming onion (R$ 20) e Rockhampton Rib-Eye (R$ 35). Como entrada, recebemos um pão integral que é cortesia da casa, com molhos de nata e de mostarda com mel. Tudo excelente. O pão é meio doce e incrivelmente macio para um pão integral. A cebola gigante empanada é bem sequinha e macia, acompanhada de um molho bem apimentado e temperado -- de fato merece a fama. O rib-eye talvez seja o melhor bife que já comi em restaurantes. A carne cede à faca mais facilmente do que manteiga fora do gelo e é cozida no ponto exato, crocante por fora, mal-passada por dentro.
Em resumo, o Outback é caro, mas vale o preço. Só o que estraga um pouco é o atendimento. Os garçons aparentemente são orientados a forçar uma informalidade que pode até fazer sentido nos Estados Unidos ou na Europa, lugares onde as pessoas mantém distância, mas é desnecessário no Brasil. Nossa atendente veio se apresentar com entusiasmo excessivo e tive de me segurar para não responder algo como "desculpe, senhorita, mas prefiro não socializar com os serviçais, limite-se a anotar meu pedido". Ao final, pensei em pedir a famosa sobremesa Cinnamon Oblivion, mas a garçonete não perguntou a todos se estavam satisfeitos e foi correndo buscar a conta.
No fim das contas, duas pessoas comeram bem por R$ 60, incluindo um chope grande e um pequeno. Um prato por casal, mais a cebola dividida por quatro pessoas foi o suficiente.
OUTBACK STEAKHOUSE
Shopping Center Iguatemi
Av. João Wallig , 1800 Loja 2252
Telefone: 51 3381-6609
Marcelo Träsel | 21.02.2008, 13:46 | Comentários (22)
Armazém do Mar é o melhor restaurante de Garopaba
Finalmente encontrei um restaurante com que vou sonhar quando estiver vencendo os 400 quilômetros de BR-101 até Garopaba, no litoral catarinense, para onde vou com certa freqüência ficar na casa da família. O Armazém do Mar serve a melhor moqueca que já comi na vida. O equilíbrio entre leite de coco e dendê no molho é perfeito e o toque de coentro é sutil. Escolhemos a versão homônima ao restaurante, com garoupa, polvo, lula, camarão e mariscos. A garoupa estava fora de série, uma consistência perfeita. O prato para dois, uma porção generosa, sai por R$ 70.
Além disso, pedimos um filé de peixe ao molho de mel com gergelim e risoto de manga (R$ 52 a porção dupla). O risoto é gostoso e veio num ponto razoável para um restaurante, onde sempre é problemático comer um risoto all'onda. A juliana de cenoura e abobrinha italiana estava também no ponto certo de cozimento. Um prato bem executado. Para acompanhar, tomamos um vinho argentino que chamado Signos, que mistura uva chardonnay e chenin, bastante bom (R$ 36). Todo o jantar custou R$ 145, para três pessoas.
ARMAZÉM DO MAR
Rua Ptolomeu Bitencourt, 44 (Perto do quartel da PM)
48 3254-4145
Marcelo Träsel | 15.02.2008, 12:02 | Comentários (5)
Búzios é caríssima, mas dá para achar boa comida
Gasta-se uma Babilônia em dinheiro comendo, dormindo e se bobear, até respirando, em Búzios, famoso conjunto de praias no litoral fluminense. Porém, em geral o investimento vale a pena. O principal meio de evitar dissabores é ficar longe dos estabelecimentos da Rua das Pedras, quase todos arapucas para turistas.
Os restaurantes da Orla Bardot -- tem esse nome porque Brigitte Bardot passou um verão por lá e até hoje a região vive dessa memória -- são tão caros quanto, mas a comida e o ambiente são melhores. Seguem impressões sobre alguns locais.
Sawasdee -- Sim, fui até Búzios só para comer comida tailandesa. Pior ainda, nem pedi peixe: ataquei num magret de pato com curry de laranja e purê de banana. A entrada foram bolinhos de carangueijo e de salmão com molho picante. O pato e o bolinho de carangueijo eram pratos sazonais, ou seja, são servidos apenas em certa época do ano. Equivalem a recomendações do chef. O curry de laranja e o purê de banana são incríveis, mas o magret estava um pouco passado demais. O bolinho de caranguejo se saiu melhor do que o de salmão, que é muito normal. Para acompanhar, tive a boa surpresa da cerveja local Mistura Clássica Premium. O jantar custou R$ 85 por pessoa. Se for investir em apenas uma refeição, que seja no Sawasdee. Se não estiver chovendo, pegue uma mesa na rua e contemple o movimento na Orla Bardot.
Cantina do David -- Essa casa de frutos do mar fica na rua Manoel Turíbio de Farias, 260, uma paralela à das Pedras. Serve pratos honestos de peixe, moluscos e crustáceos a preços de paraíso tropical. Comi, no entanto, uma boa caldeirada com polvo, camarão, lulas, mariscos e peixe, acompanhada de um pirão bem aceitável e um chope meio aguado. Se quiser esbanjar, há um aquário com lagostas vivas (R$ 150 o prato para dois). Os garçons estavam afobados porque já era bastante tarde, o que é péssimo. Se estavam com pressa de fechar, não deveriam nem ter nos deixado sentar. A caldeirada, acompanhada de alguns chopes, saiu por R$ 50. No cartão que me deram, há a promessa de uma caipirinha cortesia por pessoa, mas não nos serviram nenhuma.
Sorveteria Itália -- É difícil eu não gostar de sorvete, mas deixem a suspeita de lado e ouçam quando digo que vale a pena investir R$ 5 numa casquinha com um sabor nessa sorveteria. Comi de chocolate com amêndoas e quase chorei de emoção.
Pizza Quadrada -- A R$ 3,50 o pedaço, é um dos melhores negócios gastronômicos de Búzios. Um italiano da região de Nápoles prepara pizzas que de napolitanas não tem nada, mas ainda assim merecem atenção. Provei a margherita e estava muito boa. Tenho a teoria de que, para conhecer um pizzaiolo, deve-se provar uma margherita. Se ele for competente nessa variedade, provavelmente será nas outras também. Aliás, quando perguntei qual sabor recomendava, o pizzaiolo respondeu: "eu sempre como a margherita". Podem confiar. Praticamente uma barraquinha, fica na confluência principal de Búzios, defronte à loja do Bob's.
Se Chegue -- Restaurante medíocre na Rua das Pedras, seguindo pelo corredor ao lado da Pizza Quadrada. No primeiro dia comi lá numa turma grande, uma janta de pizza com cerveja e música ruim numa TV de plasma e aquela coisa toda. Saiu R$ 25 por pessoa, com bebidas. No entanto, esse local tem uma vista muito boa da praia. O sujeito praticamente come sentado na areia.
Para tomar uma cerveja honesta longe da playboizada, a pedida é o Bar Nascimento, onde tem roda de samba com nativos de verdade. A cerveja mais barata é numa birosca num beco atrás da loja do Bob's, onde se pode comprar uma long neck por R$ 2. Uma alternativa é apelar para os supermercados. Na praia da Tartaruga, o bar mais barato fica no final da orla, chama-se Raphael. Único lugar onde se encontra uma garrafa de cerveja de 600ml em Búzios, por R$ 4. Uma pechincha! Aproveite a grana que sobrou para comer uma ostra fresquinha, vendida na areia pelos nativos por R$ 2,50 a unidade ou R$ 25 a dúzia.
Agradeço aos leitores que deram dicas de restaurantes em Búzios e me advertiram para preparar adequadamente o orçamento. Aproveito para ensinar como consegui comer em todos esses lugares. A técnica consiste em tomar café da manhã no último horário possível no hotel e encher bem a pança.
Marcelo Träsel | 11.02.2008, 19:32 | Comentários (6)
Dicas de restaurante em Búzios
Vou nesta sexta-feira para Búzios, passar quatro dias. Se algum leitor tiver dicas de restaurantes ou qualquer atração alimentícia imperdível, por favor deixe nos comentários. Não sei nada sobre a cidade.
Marcelo Träsel | 23.01.2008, 15:52 | Comentários (15)
Hashi é um dos melhores de Porto Alegre
Ontem à noite fui conhecer o restaurante Hashi, que apesar do nome não é apenas mais uma casa de comida japonesa. O chef Carlos Kristensen serve comida internacional com uma forte ênfase no Japão, é verdade, mas o cardápio tem pratos como carpaccio de canguru, magret de pato com mel, ou carré de cordeiro com molho de vinho tinto e risoto de abobrinha. Porém, não se engane, o sushi servido lá é um dos melhores de Porto Alegre, perdendo apenas para o do imbatível Sakura.
A idéia inicial era jantar no Takê. Porém, chegamos lá e não havia lugar para estacionar. Um representante da casa na rua avisou que a espera era de pelo menos 40 minutos. Ainda assim, resolvemos deixar o nome da lista e depois decidir o que fazer. A subida pela escadaria até a mocinha responsável por isso foi chocante. Dezenas de jovens proprietários de caminhonetes Pajero e similares portando ninfetas bebiam coquetéis em poltronas sob um ruído ensurdecedor. Prometi a mim mesmo nunca pisar lá de novo, não importa quão boa seja a comida.
A chegada ao Hashi foi completamente diferente. Não se ouvia um só ruído. Na verdade, parecia estar vazio, até que a garçonete nos levou a um salão onde mais pessoas jantavam a uma distância saudável umas das outras. Perguntei-me em voz alta por que estava tão mais vazio que o Takê. "Quando vier a conta, tu vai ver", respondeu um amigo. De fato, os pratos no Hashi custam um monte de dinheiro. Mas a qualidade da comida oferecida mais do que compensa.
O couvert foi atum cozido no shoyu com cebolinha. Bastante surpreendente, parecia até carne de vaca. Como entrada, pedimos guiozá (R$ 19, seis unidades), o melhor que já comi. O recheio de porco bem temperado estava envolto em pasteizinhos al dente e boiavam num molho tarê que não se impunha sobre os outros sabores. O prato principal foi o bom e velho sushi. Minha mulher e eu pedimos uma porção para dois do tipo "criações exclusivas", isto é, releituras feitas pelo chef Kristensen (R$ 99). É a travessa da foto acima.
Entre os sushis especiais, havia de salmão com shissô, enguia, atum com foie-gras (senti-me tentado a comer o foie-gras separado do resto), ostras e camarão com palha de batata doce. Os leitores mais antigos sabem que não sou grande entusiasta de releituras em pratos de culinárias tradicionais (sim, refiro-me às pizzas de milho verde e sushi califórnia), mas nesse caso não tenho reclamações a fazer. O chef Kristensen demonstra ter muito respeito pelos ingredientes. Acredito que seja um dos melhores restaurantes de Porto Alegre, dada a qualidade da comida e do serviço.
O total para duas pessoas, sem sobremesa mas incluindo várias garrafas de Bohemia Weiss, foi de R$ 140. Não é um lugar para se comer toda semana, mas pretendo voltar ao Hashi para provar os pratos quentes. Um conhecedor recomenda fortemente o camarão ao curry.
HASHI
Rua Des. Augusto Loureiro Lima, 151
Bela Vista - Porto Alegre
Fone: 51 3328-0005
Marcelo Träsel | 11.01.2008, 17:38 | Comentários (11)
Comida brasileira é mais do que moda em São Paulo
Enquanto aqui no Rio Grande do Sul há poucos restaurantes que investem na culinária brasileira, em São Paulo ocorre o oposto: é tão difícil encontrar um cardápio sem caldinho de feijão e carne de sol que até enche o saco.
No domingo passado, fui ao Barão da Itararé, um "bar de jornalistas", segundo meu amigo Emiliano Urbim -- que incidentalmente é jornalista. Há chope honesto e opções de cervejas importadas e um cardápio completamente abrasileirado. Provei um carreteiro sobre cama de purê de abóbora que estava muito bom, embora falte um certo tempero ao quibebe.
Comi uma salada verbe com melancia e queijo meia-cura que se saiu muito melhor, no entanto. Exceto que o cardápio prometia sementes de abóbora e não vi nenhuma, mas vá lá. Pedi para acompanhar um bife, que veio no ponto, com bastante alho e salsinha. Isso custou cerca de R$ 20, um preço razoável para São Paulo. Ainda pudemos aproveitar o show de uma banda de jazz muito boa.
No sábado à noite, comi um acarajé do Rota do Acarajé, um restaurante de comida baiana que pertence a um casal bastante simpático e tem atendimento lento, para dar aquele toque de autenticidade. O recheio do acarajé tem camarões secos enormes, vatapá, quiabo e cebola. Só vem pouco apimentado, então apele para os molhos na mesa. Também provei o arrumadinho de carne-seca, que estava ótimo, com o purê de mandioca bem homogêneo e consistente.
O destaque mesmo vai para a cocada de forno, um tipo de torta de pudim de coco com geléia de goiaba por cima. Tentei extrair a receita da proprietária do restaurante, mas não foi possível. Ela apenas disse que tem uma cozinheira nativa e que essa cocada de forno não se encontra no comércio, é uma receita caseira baiana. O único defeito que posso colocar no restaurante é o fato de a cerveja ter acabado às 23:00 -- ou eles terem dito isso para fechar logo.
BARÃO DA ITARARÉ
Rua Peixoto Gomide, 155
Bela Vista - São Paulo
ROTA DO ACARAJÉ
Rua Martim Francisco, 529
Santa Cecília - São Paulo
Marcelo Träsel | 8.12.2007, 20:27 | Comentários (3)
Media Luna Boutique de Doces
Este blog foi gentilmente convidado para comparecer ao café da manhã para imprensa da nova loja dos argentinos Abel e Clarita Blumenkrantz em Porto Alegre. Ambos, mãe e filho, já tocam um café de bastante sucesso com o mesmo nome na rua Dr. Timóteo, 890, que serve medias lunas bem recomendadas. Neste novo estabelecimento, a proposta é oferecer mais opções de doces e salgados aos clientes e, principalmente, doces porteños, diferentes dos tradicionais brasileiros.
Se for até lá, não deixe de provar em hipótese nenhuma a torta de amêndoas com doce de leite e a bomba de chocolate. Nem as medias lunas, é claro. Os croissants da Dona Clarita são idênticos aos servidos pelas cafeterias argentinas. Segundo ela, foram necessários dois anos para chegar à receita de uma massa que, embora folhada, não fosse gordurosa demais. Há também empanadas, que não cheguei a provar. E alfajores, claro, feitos com bolachas tipo cracker, doce de leite e cobertura de açúcar confeitado.
Dona Clarita foi começar a trabalhar no ramo da alimentação apenas quando se mudou para Porto Alegre junto com dois de seus filhos. "Mas ela sempre cozinhou para os filhos", lembra Abel. Abel e seu irmão mais velho decidiram vir para Porto Alegre após a crise econômica de 2001, que levou a Argentina à falência. Sem perspectiva de arrumar empregos em Buenos Aires, emigraram e se tornaram empresários. O irmão voltou para o lado de lá do rio da Prata, mas Dona Clarita ficou.
Ambos parecem muito sérios quanto à qualidade. Abel mostra com orgulho a cozinha, cujas praças foram organizadas conforme o sistema de trabalho kanban e é aberta para todos os clientes verem. "Queremos mostrar que somos honestos. Na outra loja, volta e meia os clientes perguntam se as medias lunas são do dia. Isso entristece." Faz questão de abrir as geladeiras, para provar que há apenas matéria-prima, nenhum doce pronto. Dona Clarita adianta que planejam fabricar e vender doce de leite próprio até meados do ano que vem, porque o produto nacional não é bom o suficiente.
O Media Luna Boutique de Doces funcionará de segunda a sábado das 9:30 às 21:00 durante o horário de verão. Os preços são razoáveis. Uma media luna custa entre R$ 3 e R$ 5, a depender do tamanho, mesma faixa de preço dos doces. Um espresso sai por R$ 2,15 -- aliás, o café merece destaque, é de excelente qualidade. Eles também aceitam encomendas de doces e salgados para festas.
MEDIA LUNA BOUTIQUE DE DOCES
Rua Fabrício Pillar, 681 (esquina com a Silva Jardim)
51 3407-3333
Marcelo Träsel | 20.11.2007, 21:41 | Comentários (11)
Geometria da pizza
Quando descobri que o ex-asilo ao lado do Barranco, que há meses estava em reforma, iria se tornar uma pizzaria uruguaia, fiquei automaticamente ansioso pra conhecer o lugar. Primeiro, claro, por se tratar de mais uma opção gastronômica na cidade, em um espaço interessante, com uma área aberta sob a copa de árvores de aspecto muito agradável. Segundo, porque eu queria entender o que significava uma pizza ser uruguaia.
Cheguei a cogitar que se tratava apenas uma desculpa para batizar o lugar de Punta Del Diablo (obedecendo à seguinte equação: “a legítima A” = “um novo conceito em A”, sendo A um ramo de negócio qualquer), mas eu estava enganado. E se você pensou que a resposta era o formato da pizza, retangular ao invés do clássico círculo, também se enganou.
De fato, a pizza, assada em forno à lenha, é retangular e vem servida em uma base de madeira. Todavia, é no cardápio que está o segredo da coisa. Não tem sabor filé com batata palha, não tem sabor cachorro-quente, não tem sabor coração de galinha. Tem sabor de pizza de verdade, aliche, pesto, quatro queijos (com brie no lugar daquele usual creme nojento de catupiry), todas ótimas.
Concluí: é pizzaria uruguaia porque tem dignidade, como o sofrido e falido povo da Conaprole demonstra todos os dias. Uruguaio é orgulhoso e não baixa a cabeça, não podia servir pizza de milho, mesmo.
Ah: além do belo ambiente sob as árvores, a Punta Del Diablo tem estacionamento grátis. A pizza grande sai por pouco mais de R$ 20,00. Serve bem duas pessoas.
Ah 2: deve ter cervejas uruguaias, mas não afirmo porque só bebo Coca.
Ah 3: o cardápio ainda estava um pouco improvisado nas duas vezes que eu fui, especialmente na parte das sobremesas.
PUNTA DEL DIABLO
Av. Protásio Alves, 1472
Petrópolis - Porto Alegre
Saulo | 12.11.2007, 9:39 | Comentários (19)
Damask mudou para a Cidade Baixa
A lancheria árabe que ficava na Riachuelo abriu em novo endereço, na Cidade Baixa, onde antigamente ficava o restaurante vegan São Jorge e o Dragão. Não apenas as instalações do Damask melhoraram muito, mas parece que a comida, preparada por um imigrante palestino, também foi inteiramente retocada e está ainda mais saborosa.
No último sábado pedimos sanduíche de shawerma, mais conhecido no Brasil como churrasco grego, sanduíche de falafel (bolinho de grão de bico) e homus (pasta de grão de bico), além de porções de falafel. Os sanduíches estavam excelentes, bastante temperados, e além disso são gigantescos. A carne, ao contrário dos churrascos gregos das biroscas paulistanas, é de primeira qualidade. O destaque, no entanto, vai para o falafel, com toda certeza o melhor de Porto Alegre. É frito na hora, não é servido seco como o deserto do Saara e vem acompanhado de um ótimo molho de iogurte. Dizem que o quibe cru ali também é muito bom. Na verdade, colocaria o Damask hoje em segundo lugar como melhor restaurante árabe de Porto Alegre, atrás apenas do Lubnan, mas bem à frente do Baalbek e do Al Nur.
Outro ponto a favor do Damask é oferecer Heineken 600ml aos clientes, que ainda podem se jogar na "tenda árabe" do segundo andar e fumar narguilé. Os preços não são baixos, mas também não são absurdos. O jantar saiu R$ 20 por pessoa, incluindo aí bastante cerveja. É pena que só abra à noite, das 18h às 0h, e nos domingos ao meio-dia e à tarde. Nas segundas-feiras está fechado.
DAMASK
Rua Sofia Veloso, 61
51 3026-0490
Marcelo Träsel | 12.11.2007, 8:29 | Comentários (9)
Alho assado
A maioria das pessoas relaciona o alho imediatamente a mau hálito e suor azedo. Isso porque a maioria das pessoas nunca provou esse vegetal cozido ou assado por tempo suficiente para evaporar todas as substâncias químicas causadoras desses efeitos adversos. Estão perdendo também de descobrir que o alho pode ser muito bom consumido puro.
Na verdade só descobri isso quando vi uma travessa alhos assados no balcão de antepastos do restaurante Atelier das Massas. O proprietário, o artista plástico Gelson Radaelli, estava dando sopa ali em volta e aproveitei para desfazer meu estranhamento. Ele explicou usava a variedade branca, um pouco maior do que a roxa, porque é mais suave. Bastava assar no forno por meia hora e depois regar com azeite de oliva.
Há alguns dias finalmente me dispus a testar a receita. O resultado está aí na foto. Foi testado num jantar para quatro pessoas, sendo duas mulheres, e todos gostaram dessa entrada. Só errei ao cortar o topo do alho antes de levá-lo ao forno, o que fez evaporar demais o líquido. Coloque-os inteiros e corte a tampa depois de frios, com uma faca bem afiada.
Marcelo Träsel | 8.11.2007, 19:38 | Comentários (7)
Cenoura Pastéis
Todo mundo em Porto Alegre fala nos pastéis do Cenoura. Ontem finalmente comi em uma loja deles e é preciso admitir que não fiquei tão impressionado. Os pastéis são sequinhos e os recheios são muito bons, mas não gosto do tipo de massa caseira que usam, cuja espessura é muito grande. Prefiro as massas mais fininhas. Também desconfio de pastéis muito secos, porque isso em geral indica fritura em gordura vegetal hidrogenada, que é um lixo.
Pedi um pastel de carne e outro de camarão, porque são clássicos e assim teria base de comparação. O de carne veio lotado de recheio, o de camarão um pouco menos, mas ambos são muito bem temperados, coisa rara de se encontrar. Pedi ainda um "pastel da copa", criado em homenagem ao certame futebolístico do ano passado, que leva brócolis, alho, lingüiça e catupiry e provei o "pastel do cenoura", feito somente com vegetais e ricota. Confirmei que, assim como no caso da pizza, não sou chegado em invencionices nos recheios de pastéis. São bonzinhos, mas são... errados, sei lá.
Há também a experiência antropológica de comer no Cenoura. Vi pelo menos duas jovens senhoritas que pareciam estar voltando ou indo para uma recepção de gala. Em outra mesa um aniversário ou algo assim estava sendo comemorado, a julgar pelos arranjos de flores em cima. De repente, vejo o garçom levar duas garrafas do champanhe Cave Geisse, um dos melhores da Serra Gaúcha, para o grupo. Pensei seriamente em cometer uma chacina, mas me distrai tentando chamar a atenção de algum dos garçons autistas para pedir meus pastéis.
CENOURA PASTÉIS
Vicente da Fontoura, 1804 - Esquina com Ipiranga
Tele-entrega: 3333-2500
Marcelo Träsel | 21.09.2007, 10:17 | Comentários (22)
Rib's reencarnou no The Best Food
Um dos lugares que mais deixou saudades em Porto Alegre foi a lancheria Rib's. Os mais jovens devem conhecer mostarda e ketchup com essa marca. Ela existiu até o final dos anos 90, pelo menos, em dois endereços: a praça Júlio de Castilhos, no Moinhos de Vento, e a esquina da Rua da Ladeira com a Rua da Praia, no Centro. Houve um breve período em que se instalou no shopping Praia de Belas, mas nunca conto essa filial.
O Rib's de verdade era uma lancheria de outra Porto Alegre, uma cidade em que a rua 24 de Outubro ensaiava se tornar o eixo principal do comércio grã-fino e o Centro era ainda o centro da vida comercial. Uma época em que a cor local era valorizada, não o simulacro asséptico de primeiro mundo a que a insegurança das ruas nos prende hoje.
O Rib's de encarna aspectos de tudo isso em minha memória. O cardápio era uma releitura dos lanches do McDonald's, como não podia deixar de ser, mas dotado de indiscutível sabor próprio. Sabor conferido pela maionese com curry ou pelo molho rosé espalhados em todos os sanduíches. Eram bem diferentes dos xis que se encontrava em qualquer esquina. O milk shake virou motivo de lenda, algumas pessoas acreditam que só aquela máquina específica, a da praça Júlio de Castilhos, conseguia fazê-lo corretamente. Pois essa máquina hoje está no The Best Food do Assis Brasil Strip Center, segundo consta, resgatada por ex-funcionários da empresa original.
Há alguns dias almocei na filial da rua 24 de outubro, na esquina com a Lucas de Oliveira. Comi o Xis dos Deuses, com bacon e a maionese com curry. Continua igual aos da minha infância, quando almoçava nessa lancheria com meus pais. O milk shake também. Claro que o cardápio tem concessões aos tempos correntes, então não podia faltar o prato light, com salada e frango. Basta ignorá-lo. Infelizmente, não é possível ignorar a total ausência de charme do ambiente atual como se pode ignorar um peito de frango no cardápio. A comida do The Best Food pode ser igualzinha à do Rib's -- o que não é pouco, diga-se de passagem --, mas a Porto Alegre em que ela nasceu ficou no milênio passado.
THE BEST FOOD
Rua 24 de Outubro, 1320 - Auxiliadora
Tele-entrega: 3337-7761
Assis Brasil Strip Center - Cristo Redentor
Tele-entrega: 3340-4055
Marcelo Träsel | 14.09.2007, 10:53 | Comentários (20)
Buena onda em Buenos Aires
Entre os dias 1º e 4 de setembro estive em Buenos Aires para fazer, basicamente, turismo gastronômico. Antes de mais nada, informo que não comi nenhuma parrillada, não por falta de vontade, mas de oportunidade, mesmo. Privilegiei os restaurantes de cozinha internacional no meu roteiro e a La Cabrera acabou ficando de fora, assim como o El Preferido de Palermo. Também não consegui comer na sorveteria Un Altra Volta, nem tomar o chá da tarde do Alvear. Ficam para uma próxima ocasião, que já está sendo planejada.
Vou contar um caso que resume o quanto é boa a culinária em terras porteñas: no domingo, um belo sol, eu e minha companheira resolvemos almoçar no Olsen, que serve um brunch muito famoso em um jardim pós-modernista. Não tínhamos reserva e obviamente estava lotado. Acabamos saindo para tentar a cafeteria Oui Oui, com o mesmo fracasso. Todos os restaurantes estavam lotados ou serviam parrilla, refeição que não estávamos muito dispostos a comer.
Em desespero, decidimos entrar no primeiro boteco que aparecesse -- sou experiente em viagens e sei que chega um momento no qual é preciso sacrificar os escrúpulos estéticos. Entramos numa cafeteria qualquer perto da estação Palermo e pedimos empanadas e café. Nosso vizinho de mesa era um mendigo, que tomava vinho tinto em um cálice, acompanhado de água mineral. As empanadas demoravam. Pensei: "não pode ser que num lugar desses estejam assando na hora". Não deu outra. Foram assadas na hora e chegaram à mesa perfeitas, junto a um café bem correto. Isso numa birosca que serve mendigos.
Dito isso, analisemos os restaurantes sérios.
Sudestada -- Fica em Palermo, é bem pequeno e serve comida do sudeste asiático. Para acompanhar, têm uma ótima cerveja artesanal a 8 pesos a tulipa -- vinhos são meio pesados demais para acompanhar esse tipo de culinária em minha opinião, mas fique à vontade para escolher um bom branco ou um espumante. Pedimos como entrada rolinhos vietnamitas de ostras com porco e vegetais, que você embrulha com bastante broto de feijão, coentro e alfavaca em uma folha de alface e mergulha em um tipo de vinagrete; e dumplings tailandeses, isto é, pasteizinhos cozidos com recheio de porco e um molho doce semelhante ao missô. Os pratos principais foram peixe ao molho de manga e pato ao estilo cambojano, com frutas. Este último foi uma das melhores coisas que já comi na vida. Bastante apimentado e com uma quantidade bem generosa de temperos frescos. O melhor eram as uvas, cujo açúcar acaba sendo um pouco caramelizado no processo de flambamento -- dá para ver as chamas subindo na cozinha. De chorar. Ainda mais quando a conta veio mais barata do que paguei por comida asiática medíocre no Wok, em Porto Alegre.
Café San Juan -- Este restaurante é o novo queridinho dos gourmets porteños. Merecidamente. É outro ambiente pequeno e nada pretensioso. Inclusive, fica numa parte bem feia de San Telmo. O chef Leandro Cristóbal é um skatista que recebe amigos skatistas junto à nata da sociedade argentina. Aparentemente, o restaurante era um negócio de família que deslanchou quando ele decidiu assumir as panelas. As sobremesas são feitas por sua mãe. Ao chegar, os garçons, muito atenciosos, levam um quadro negro com as opções do dia até sua mesa. Fomos de patê de coelho com geléia de cereja e patê de salmão com tomates concassé de entrada. Ambos ótimos, mas recomendo o de coelho. Como pratos principais, o ojo de bife, só com a parte mais macia do bife de chorizo, e coelho com champignons e cogumelos japoneses. Tudo acompanhado de batatas fritas. De sobremesa, crème brûlée e crumb de peras e maçãs com sorvete de creme. Que dizer? Outra refeição que excedeu as expectativas e valeu o preço, aliás não tão salgado assim: com vinho, gastamos cerca de 150 pesos, ou pouco mais de R$ 100. Se posso fazer alguma queixa, é que o sorvete da sobremesa poderia ser de melhor qualidade. E tive de me esforçar para encontrar um defeito.
Restó -- Fica na sede da Sociedade de Arquitetura da Argentina. Outro local pequeno a se dedicar à boa mesa. É mais direcionado aos executivos do entorno, tanto que abre apenas ao meio-dia na maior parte da semana. Comemos gravlax de salmão com lentilhas vermelhas e molho de limão como entrada. Muito divertida a diferença de textura entre o salmão elástico e as ervilhas al dente. Nem a alface está no prato apenas para fazer número, seu sabor de alguma forma completa o do restante dos ingredientes. Foi o segundo prato que mais me agradou em Buenos Aires. Os pratos principais foram carré de cordeiro malpassado com purê de moranga e filé com quiche de blue cheese e aipo. As melhores carnes de toda a estadia, sem sombra de dúvida. Vieram no ponto perfeito e derretiam feito manteiga na boca. Tudo isso foi acompanhado de um excelente pãozinho integral com ameixa seca. A brincadeira custou 95 pesos, com bebida.
Bodega Campo -- Serve a culinária tradicional pampeana, no centro da cidade. Éramos os únicos comensais num dia de semana, mas o garçom estava animado como se a casa estivesse lotada. Notei que ele valorizou nosso interesse por pratos típicos. Comemos empanadas de carne irretocáveis, muito bem temperadas, tamal (um tipo de pamonha recheada de carne moída) e pastel de calabaza, ou carne moída com purê de moranga por cima, formando um tipo de torta. Para acompanhar, cerveja em caneco de porcelana. Novamente, a comida é muito boa e o ambiente silencioso foi bem vindo para descansar do burburinho da avenida Corrientes. Esse é um pouco mais barato, se bem me lembro tudo custou uns 35 pesos.
La Ideal -- Entre, admire a arquitetura da belle époque e vá embora. A não ser que lhe agrade ficar sozinho em um salão com 100 mesas e ainda assim ser mal atendido. Os cappuccinos que tomamos eram até bastante bons, mas não compensam os pensamentos deprimentes que lhe assaltam ao ver um local tão bonito em tão franca decadência. Entre em qualquer outra cafeteria aleatória e peça um café com media luna, que você não vai se arrepender. Ou então peça um flan (foto lá em cima), uma das sobremesas mais típicas de Buenos Aires. É um pudim de leite, mas graças à maneira de fazer o molho de caramelho, o flan porteño rivaliza com o pudim da minha mãe, o que é um feito nada desprezível.
É difícil comer mal em Buenos Aires. Mesmo os lugares de baixa categoria se esforçam em servir alguma coisa que preste. Dá a impressão de que até os cozinheiros mais miseráveis põe todo seu orgulho em jogo em cada prato. Apenas evite a cafeteria que fica bem em frente ao obelisco, responsável pelas batatas fritas mais tristes que já conheci.
Marcelo Träsel | 11.09.2007, 15:42 | Comentários (12)
Wok, novo oriental em Porto Alegre
O Wok, que abriu há algumas semanas no bairro Auxiliadora, é mais uma casa que oferece comida do sudeste asiático na capital gaúcha. Como sou um grande fã da culinária dessa região, aproveitei a primeira desculpa para jantar fora e fui conhecer o restaurante, cujo chef é Rafael Jacobi. O cozinheiro morou alguns anos na Austrália e trabalhou com cardápios vietnamitas, tailandeses e indonésios, inclusive na própria Tailândia. As referências, portanto, são boas.
O Wok fica bem localizado e é fácil conseguir lugar para estacionar o carro. É um ambiente pequeno, mas as mesas não são muito juntas. O único problema é que há um rádio tocando música, mas ao menos é lounge, então não chega a atrapalhar o clima. Pensei em levar a câmera para fotografar o local e a comida, mas como era um jantar comemorativo, seria meio déclassé. Fotografar a comida definitivamente não combina com champanhe. Permiti-me levar somente uma caderneta para anotar os pratos. Toda a equipe que atende os clientes é muito atenciosa e gentil. Não percebi o menor sinal de impaciência nos garçons, mesmo tendo ficado uma boa meia hora como o cliente chato jogando papo fora, que não deixa o restaurante fechar.
Mas interessa mesmo é a comida. O couvert era caldinho de camarão com leite de coco, servido em martelinhos. Como entrada, pedimos ostras gratinadas (R$ 3,50 a unidade). Os pratos principais foram pad thai (R$ 37) e malacca rendang (R$ 29). De sobremesa, crème brûlée de gengibre e capim-santo (R$ 7) e panqueca com creme de baunilha e abacaxi e sorvete de creme (R$ 8). O pad thai -- aliás, uma bela porção -- veio com um enorme camarão empanado no topo e montes do crustáceo entre o macarrão de arroz e os legumes, que eram broto de feijão e pimentão amarelo, até onde consegui identificar. Volta e meia, aparecia uma folhinha de coentro. O vietnamita malacca rendang é feito de iscas de filé ou frango salteadas com legumes da estação -- vagem e cenoura, no caso -- cogumelos japoneses e ervilha torta, tudo isso em um molho de leite de coco e manjericão roxo. Acompanha arroz jasmim.
Toda a comida foi muito correta, com exceção do malacca rendang, que em minha opinião veio com um molho ralo e em excesso -- mas isso também não chega a prejudicar o sabor, apenas a apresentação, que no caso dos outros pratos foi impecável. Destaque para o crème brûlée, um prato tradicional da culinária francesa que combinou perfeitamente com os ingredientes orientais. Os pratos também podiam ser mais apimentados, mas dá para entender o chef, uno tiene que ganar su plata e estamos bem longe da Bahia. Só poderia haver algum tipo de molho de pimenta à disposição, ou quem sabe a alternativa de pedir algo mais forte.
Um jantar da entrada à sobremesa custou cerca de R$ 50 por pessoa, descontando a bebida -- aliás, não entendo de vinhos e harmonização, mas poderia haver uma oferta melhor de brancos, que combinam mais com comida oriental. Ou beba cerveja, que cai muito bem também. No mais, recomendável. Antes de ir, só confirme por telefone se o problema com os cartões Visa já foi solucionado, porque até segunda-feira não estavam aceitando.
WOK
Rua Carlos Von Koseritz, 1604
Auxiliadora
51 3023-7120
Marcelo Träsel | 8.08.2007, 10:51 | Comentários (14)
Comida japonesa no Mercado Público
Nada faz mais sentido do que comer peixe no local da cidade conhecido por ser um entreposto de pescados. Até demorou para algum imigrante japonês se dar conta disso e abrir um negócio no Mercado Público de Porto Alegre. Ontem fui com o Bruno Galera, outro colaborador deste blog, conhecer o restaurante Sayuri, que fica no segundo andar do prédio. É um ótimo lugar para quem tem um desejo incontrolável por sushi ou sashimi no horário de almoço.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 7.07.2007, 18:36 | Comentários (11)
Greek Donner
Lá no PAlegre, a Mirella recomenda o restaurante grego Greek Donner.
Cisco | 6.06.2007, 14:22 | Comentários (4)
A nova casa de Alexis Zarate
Há alguns meses o chef Alexis Zarate deixou a cozinha do Ocidente, após dez anos, para abrir seu próprio restaurante, o Suprem. A comida do Ocidente não mudou nada, até porque o resto da equipe deve ter sido muito bem treinado nesses anos, mas no Suprem dá para notar que a antiga casa restringia o cozinheiro.
Embora alguns pratos ainda apareçam (como as esfihas e a ricota grelhada com molho vermelho), Alexis criou muita coisa nova. O sabor melhorou, também, mas é difícil explicar como. Só dá para dizer que o Ocidente parece medíocre perto do Suprem — inclusive porque o ambiente nesse último é bem melhor, mais claro, arejado e sem a nhaca de festa da noite anterior. Outra vantagem é que de quartas a sábados pode-se comer os pratos indiano-vegetarianos à noite também, com cardápio a la carte. Estou muito curioso para provar o risoto de algas, por exemplo. O almoço é prato feito, por valores de R$ 8 a R$ 10. Aos domingos tem banquete indiano, por R$ 15.
SUPREM
Rua Santo Antônio, 877 - Bom Fim
Fone: 51 3312-2731
Marcelo Träsel | 28.05.2007, 22:57 | Comentários (19)
Churrascaria Porto-alegrense
Na quinta-feira comi a melhor picanha da minha vida. Esqueçam qualquer outra: a Churrascaria Porto-Alegrense é a melhor da capital gaúcha. Nunca cravei os dentes num pedaço de picanha ao mesmo tempo macio, suculento e bem cozido. A expressão "ao ponto" fez sentido imediatamente. Além disso, a carne só tinha uma camada de gordura fina o suficiente para dar um toque especial a determinados pedaços. O tamanho da porção também impressionou, ainda mais em relação ao preço (R$ 18). Dá para dois e sobra.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 16.04.2007, 10:01 | Comentários (6)
Parrillada no El Viejo Pancho
A parrillada é um churrasco feito em grelha (como o próprio nome já indica), típico da Argentina e Uruguai. Sua característica mais destacável é o privilégio dado aos cortes menos nobres, ao contrário do churrasco gaúcho. É claro que o vazio (fraldinha para o pessoal acima de Florianópolis), a picanha e a costela estão lá, mas dividem espaço em pé de igualdade com rins, timo, tripas e morcilhas salgadas e doces. O cordeiro também está muito mais presente do que no Brasil. Conforme um amigo baiano, no Nordeste também é costume assar em grelha os miúdos de gado, como fígado, coração e ubre.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 20.03.2007, 10:20 | Comentários (19)
A quilo - Parte 2
Semana passada, pedi sugestões de restaurantes a quilo. A maioria dos leitores escolheu fazer suas sugestões nos comentários, mas aqui estão os resultados.
Continue Lendo...Cisco | 15.03.2007, 23:53 | Comentários (14)
Circuito é subestimado como restaurante
Nada como ir pela primeira vez a um restaurante e ter uma grata surpresa. Foi o que aconteceu ontem no Circuito. Bem, na verdade não foi a primeira vez que pisei lá: trata-se de uma casa noturna que há algum tempo passou a servir comida tailandesa. A idéia de comer numa casa noturna jamais me passou pela cabeça, mas as circunstâncias me levaram a tanto. Pedi uma porção de katrong tong, cestinhas de frango com milho e temperos fritas como pastéis, acompanhadas de um molho semelhante à geléia de pimenta (R$ 8,50). O molho de pimenta é muito, muito competente. Provei também o soba pedido por outras pessoas na mesa, um macarrão de trigo sarraceno com molho de carne e shiitake, igualmente delicioso (R$ 20).
A fome talvez tenha influído, mas estavam excelentes. De fato, há muito tempo não ficava tão animado com a comida de um lugar. O chef Jean Rodrigues está de parabéns. Os pratos, para uma pessoa, não são baratos, embora tampouco sejam caros, já que os ingredientes usados são raros e de alta qualidade. A questão é que, para chegar aos pratos, o cliente precisa antes entrar no bar, pagando ingresso, o que ontem acrescentou R$ 10 ao valor da conta. Além disso, comer em uma casa noturna envolve música alta e fumaça de cigarros, o que prejudica um pouco a experiência. São fatores que podem explicar o fato de ninguém comentar a comida do Circuito. Outro fator também pode ser importante: é um bar gay, o que afasta a maioria dos potenciais consumidores. Minha sugestão a Jean Rodrigues é que abra um restaurante independente do Circuito. Poderá contar com minha freqüência.
CIRCUITO
Rua Lopo Gonçalves, 66
Cidade Baixa - Porto Alegre
Fone: 3221-6222
Marcelo Träsel | 10.03.2007, 19:04 | Comentários (9)
A quilo
Leitores e autores do Garfada, qual seu buffet a quilo favorito? Mandem suas respostas para CISCOCOSTA arroba UOL ponto COM ponto BR e eu postarei as melhores sugestões dia 15/03. Por favor, não se restrinjam a Porto Alegre.
(Já adianto os meus: o recentemente reaberto Casarão do Bom Fim, na Oswaldo Aranha, perto da Lancheria do Parque. Costumava almoçar lá todos os dias na época da faculdade de comunicação, mas com a formatura raramente tinha a oportunidade. Visitei ontem depois de anos e descobri que só melhorou: ambiente agradável, espaçoso, bem-iluminado, muitas mesas, bom serviço e boa comida por oito reais no buffet livre. Isso inclui vários grelhados, sushi, massa caseira, muita salada, comidas quentes e pelo menos cinco tipos de sobremesa. A competição mais próxima é o restaurante Ponto Campus, no Campus do Vale, abaixo do Banco do Brasil, onde os grelhados são melhores mas o resto do serviço e dos pratos não alcança os colegas do Bom Fim.)
Cisco | 8.03.2007, 14:17 | Comentários (12)
Finalmente uma tele-entrega digna
Raramente peço comida por tele-entrega. Em primeiro lugar, porque é mais caro do que cozinhar qualquer coisa e até há pouco eu tinha tempo de sobra. Além disso, a comida em geral é ruim e/ou chega à sua casa num estado lamentável. Se é para gastar meu rico dinheirinho, prefiro ir até um restaurante e comer algo recém-preparado (ao menos em tese). Finalmente, a comida disponível para entrega domiciliar em geral é pouco saudável.
Assim, fiquei muito animado quando o Firpo comentou sobre o Curry Express há uns meses. Apesar do slogan ridículo, a comida é muito boa. O Firpo achou as porções pequenas, mas os acompanhamentos são bem baratos. Um tipo de curry e um ou dois acompanhamentos não pesam no bolso e alimentam bem duas pessoas. Comi o pasanda de cordeiro (curry com passas e castanhas) com bhaji de cebola (cebolas empanadas) e aloo gobi (batatas e couve-flor refogadas com curry). O pasanda é um prato difícil de encontrar em restaurantes indianos, enquanto as cebolas empanadas ficam excelentes com molho de iogurte. Provei também o dal tarka (lentilhas com pimenta vermelha), que para quem gosta de comida picante é muito recomendável. Estou por provar o vindaloo de porco, o prato com mais alta cotação de picância no cardápio.
Embora não tenha reclamações sobre a comida, é preciso dizer que o pessoal do Curry Express é meio desorganizado. Na primeira vez em que pedi, faltou um acompanhamento. Liguei reclamando e enviaram o que faltava prontamente. Uma amiga teve o mesmo problema, mas como só faltou um molho, não se deu o trabalho de pedir que enviassem. E uma dica: a taxa de entrega é R$ 4,50, então só fica economicamente interessante se você pedir bastante coisa.
Marcelo Träsel | 18.02.2007, 10:34 | Comentários (10)
Piores Slogans
Aqui em Porto Alegre, o restaurante Curry Express usa o seguinte slogan: "Comida Indiana. Por isso Gandhi tinha sempre aquele sorrisinho". Na minha opinião, só poderia ser pior se fosse "os paquistaneses não sabem o que estão perdendo".
Leitores, estou errado? Há slogans culinários piores por aí?
Cisco | 31.01.2007, 12:30 | Comentários (11)
Pizzaria Fornellone
Não sou um grande fã de pizzarias. O problema é que já fui a Nápoli. A pizza napolitana, com sua massa que consegue a proeza incomparável de aliar pouca espessura, consistência e flexibilidade, estragou a experiência de comer uma redonda em qualquer outro lugar pelo resto da vida. Por isso, se a idéia é pizza, em geral prefiro fazer uma em casa com massa pronta do supermercado, para poupar dinheiro, ou pedir em alguma tele-entrega que coloque a quantidade em frente da qualidade e tenha sabores como crocante (cobertura de batata palha) ou gemada — e, sim, esses dois sabores existem. Hoje posso dizer que a pizza da Fornellone, em Porto Alegre, é uma alternativa razoável.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 26.01.2007, 18:28 | Comentários (19)
Garfada visita primeira Starbucks brazuca
Nunca pensei que a primeira Starbucks brasileira chegaria acoplada a uma Saraiva Megastore, mas faz sentido. É raro que a cafeteria seja um estabelecimento independente em seu país original — normalmente também é um anexo de supermercado ou qualquer outra coisa do tipo.
Não consegui conter certa nostalgia. Nem sou muito fã da rede, mas ela era minha salvação nos States porque, para quem não sabe, o café vendido naquele país — em copos de papel que vão dos 300 aos 700 ml — é intragável. Muito fraco, causa azia que pode demorar, mas é certa. Nos Starbucks eu podia ficar dois dólares mais pobre para tomar uma dose dupla (double shot) de espresso e ficar esperto. Lembremos que em 2004 US$ 2 valiam R$ 6.
A Starbucks do shopping Morumbi acertou ao trazer um produto diferente. Eu realmente achei que se renderia ao gosto local pelo espresso, mas não caíram nessa: só existe dose de espresso para os drinques (exatamente como na gringa, em que a função do shot é de tornar a bebida mais poderosa). Continuando com a fidelidade, há um café do dia (special of the day) que é servido em copo tall (R$ 3,80), grande (R$ 4,50) e VANTI (R$ 5,50). Não perguntei o que isso quer dizer. Os muffins, cookies e outros docinhos terminavam a encenação de mundo de fantasia de prazeres negros.
Uma falha de minha apuração: não bebi nada. O cheiro foi o bastante para me inebriar bastante. Morasse perto, era bem prováveis vício e ruína. Por enquanto, isso só no BK.
Hermano | 18.01.2007, 23:57 | Comentários (3)
Viagem gastronômica a Garopaba
Passei a virada do ano e a semana subseqüente em Garopaba, praia de Santa Catarina onde minha família tem casa há uns 20 anos. Pela primeira vez, freqüentei os restaurantes locais -- em geral, comia sempre em casa. Constatei que, como em qualquer cidade turística, há várias armadilhas para se evitar. Por outro lado, houve boas surpresas. A seguir, alguns comentários mais específicos.
Enseada de Barcos -- Abriu neste Natal e é provavelmente o melhor restaurante da cidade. Devo avisar aos leitores que um amigo gerencia a cozinha, mas garanto que a amizade não influiu na avaliação. Na verdade, quando entrei na casa fui informado erroneamente que ele não trabalhava lá, mas decidi ficar mesmo assim. Foi uma sorte. Primeiro, porque a comida é muito boa. Segundo, porque era mesmo o restaurante de meu amigo. Serve frutos do mar em porções ou em pratos como risotos e moquecas. Há também anchovas e tainhas assadas em forno a lenha. Pedimos um combinado, que vem com duas ostras, quatro mariscos, dois filés de salmão ou linguado, camarão ao bafo ou alho e óleo e lula à dorê. Além disso, acompanham uma salada verde, arroz e batatas sautée. Tudo muito bom, exceto pelo linguado um pouco sem sal. Os camarões eram enormes e, ao contrário de outros estabelecimentos, não era apenas o sabor do alho que se podia sentir. Conforme o Alexandre, que gerencia a cozinha, a diferença é que eles organizaram um esquema para buscar os peixes e frutos do mar o mais rápido possível, de modo que não seja preciso congelar. O ambiente é bom e a presença de Tabasco e azeite extravirgem no galheteiro denotam cuidado com os ingredientes. Com bebidas, saiu R$ 77 para duas pessoas, mas as porções são grandes e serviriam três pessoas sem muita fome.
Embarcação -- Um dos mais antigos restaurantes ainda em operação na cidade, e por bons motivos. Serve peixes e frutos do mar honestos a preços acessíveis, bem na beira da praia. Uma porção para duas pessoas da maioria dos pratos varia de R$ 20 a R$ 30. A porção de lula à milanesa sai por R$ 11. Já a porção de camarão à milanesa não vale muito a pena, porque é mínima e custa R$ 20. A "seqüência de camarão" tampouco, porque cobram R$ 80, contra R$ 64 do combinado no Enseada de Barcos. Todos os pratos são no mínimo razoáveis. Os clássicos, como o peixe ao molho de camarão, são bastante indicados. No dia que fomos, não havia garoupa na casa, mas esse é um peixe bem raro de se encontrar em restaurantes e peixarias ultimamente. A cerveja é R$ 3,50, perfeito para ficar nas mesas da varanda bebendo e olhando as argentinas tostarem ao sol.
Panquecas do Alemão -- A comida não é ruim, mas não vale a pena legitimar esse local com uma visita. Parece que os garçons e cozinheiros são estagiários do curso de gastronomia da Unisinos, então o atendimento não chega a ser tão impecável quanto você gostaria, mesmo dando-se os descontos habituais para a lerdeza litorânea. Fora isso, os aparelhos de som passam o tempo todo tronando com aqueles malditos hits de verão. É horrivelmente caro: uma panqueca com iscas de filé, queijo e ervas custa R$ 18. Mata bem a fome de uma pessoa, mas você fica pensando que por pouco dinheiro a mais, comeria um belo prato de peixe. Além disso, o alho-poró que prometiam no cardápio não fez aparição alguma no recheio. Dividimos essa panqueca em dois e depois pedimos mais uma de sobremesa, com recheio de chocolate e sorvete (R$ 19). Desafio qualquer pessoa a comer uma panqueca de chocolate inteira. Mesmo a metade parece demais, devem colocar umas duas ou três barras lá dentro. Outro grave problema é não servirem nenhuma cerveja extra, apenas Skol e Kaiser. Finalmente, eles parecem estar confusos sobre o conceito de panqueca. Aquilo lá me parece mais um crepe, pois é composto por uma massa redonda fina enrolada em torno do recheio. Panquecas, conforme a Larousse Gastronomique, são um pouco mais espessas e em geral servidas abertas. OK, tudo bem, reclamar disso já é rabugice minha.
Algarve -- Não vá a este restaurante. Fica no calçadão à beira da praia, mas evite-o a todo custo. Pedimos peixe ao molho de camarão (R$ 20) e anchova grelhada (R$ 25), ambos para duas pessoas. O peixe estava no máximo decente, enquanto a anchova foi completamente carbonizada. As batatas fritas têm gosto de gordura velha. Se você pega uma mesa na rua, gatos vadios ficam rondando e pedindo comida. E você é ignorado pelos garçons desatentos.
Todos os restaurantes recomendados ficam na rua principal de Garopaba, a Pref. João Orestes de Araújo. Se não encontrar, pergunte. Faltou ainda provar a comida do Bistrô do Cais, localizado na praça da Igreja Matriz, no centro antigo. O cardápio, oferecendo risoto de polvo com raspas de limão siciliano, prometia. Uma amiga diz que levou duas horas para ser atendida num dia cheio, mas que a comida é muito boa.
Marcelo Träsel | 11.01.2007, 11:34 | Comentários (13)
A salvação está em Meca
Como morador novato do Centro de Porto Alegre, admito que tenho a aprender. São muitas opções de restaurantes enfiadas em cada beco e muquifo dessa região da cidade. Esse panorama só potencializa as descobertas fantásticas de locais que parecem intocados por qualquer outra pessoa.
Minha namorada alertou-me sobre "um boteco na Riachuelo que parece vender comida árabe". Alguns dias de curiosidade se passaram até tomarmos uma atitude atrás de falafel e mais algum sortimento advindo do Oriente Médio.
Continue Lendo...Bruno Galera | 4.12.2006, 0:01 | Comentários (5)
Montando o pedido
Hoje, no Don Francesco, meu Bauru de Frango (sem maionese, sem alface e com ovo) também veio sem frango. Fiquei impressionado. Não é a primeira vez que erram um pedido meu, lá ou em qualquer outro restaurante, mas é certamente o erro mais absurdo até o momento.
Então eu pergunto, leitor do Garfada, qual o pior erro que já fizeram com um pedido seu?
Cisco | 27.11.2006, 18:26 | Comentários (11)
Paella com castanholas
Como restaurante, o Tablado Andaluz é uma ótima casa de espetáculos. Faz sentido, já que o local começou como uma escola de dança e depois abriu um espaço para servir pratos da culinária espanhola entre uma apresentação de flamenco e outra. Embora tenha ficado bastante impressionado com a perícia dos dançarinos e com as pernas das gitanas, tenho o dever de informar que a paella não impressionou.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 21.11.2006, 1:24 | Comentários (3)
As melhores refeições da minha vida - 2
Outra ocasião que ficou marcada em minha memória gastronômica foi um jantar no restaurante Jun Sakamoto. Não apenas é insuperável em termos de sushi, como talvez tenha sido a comida mais bem feita que já provei em qualquer categoria. Claro que a companhia de uma pessoa querida ajudou bastante para tornar tudo ainda mais gostoso. Abaixo, reproduzo uma coluna publicada no finado Semana 3 sobre a experiência.
Como já devem ter percebido, a série "melhores refeições" não segue uma ordem decrescente de importância. Aliás, não segue ordem alguma. Leia o primeiro texto.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 13.10.2006, 10:21 | Comentários (5)
As melhores refeições da minha vida
Estava havia quatro meses viajando de mochila pela Europa, pelo menos trinta dias pelo Leste. Chegara a Cracóvia vindo da Eslováquia, onde ninguém falava inglês. Ao descer do trem, fui abordado por dezenas de representantes de albergues, todos estudantes. Negociei um pouco e fui levado para um albergue grande e relativamente confortável, onde encontrei um brasileiro. Rafael era de São José dos Campos e tinha feito um estágio em engenharia em Montenegro, em uma empresa onde só se falava o que quer que eles falem por lá.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 6.10.2006, 13:00 | Comentários (8)
Padaria Suíça
Fui a Lajeado no feriado de 7 de setembro, visitar a família, e conheci a Padaria Suíça. O proprietário diz que o segredo do sucesso é o bom atendimento, o que é muita modéstia. Os produtos são excelentes. Além de pães diversos — destaque para o de milho, típico da região — ainda oferece biscoitos, bolos e tortas, todos impecáveis. A barra de cereais caseira, com mel, é imperdível. A padaria Suíça oferece um café para quem quiser comer por lá mesmo.
Triste é ver que em Porto Alegre não há nada parecido. Há a Barbarella, que de fato faz um dos melhores pães da cidade e o único comparável aos pães franceses, mas não ofecere tanta variedade e é caríssima. É raro uma padaria ter algumas mesas em um ambiente decente por aqui, ao contrário do que acontece em São Paulo. De fato, uma das características mais queridas na capital paulista, para mim, são as onipresentes padarias. E o pão porto-alegrense, fora algumas exceções honrosas, é na melhor das hipóteses medíocre. Difícil conseguir um croissant que preste.
Marcelo Träsel | 25.09.2006, 22:39 | Comentários (12)
Curry Express
O maior problema de Porto Alegre, ou de qualquer outra cidade abaixo do nível de metrópole no Brasil, é a falta de diversidade de cozinhas para o dia-a-dia. Até há pouco tempo comia-se italiana, alemã, gaúcha e brasileira, principalmente. As culinárias japonesa, portuguesa, francesa e espanhola tinham, quando muito, apenas um ou dois restaurantes de alto nível dedicado a elas. Isso tem mudado aos poucos. Hoje temos vários japoneses baratos e cozinha indiana acessível no Ocidente, bem como alguns árabes. Uma dica do Firpo me levou ao site do Curry Express, indiano que funciona apenas por tele-entrega. Dei uma navegada pelo cardápio e parece bem sério. Provarei.
Marcelo Träsel | 13.09.2006, 13:25 | Comentários (9)
La Sereníssima
Conheci esta semana o restaurante de cozinha mediterrânea La Sereníssima. Um primeiro fato interessante a seu respeito é que fica na zona sul de Porto Alegre, avenida Otto Niemeyer. Creio que a maioria dos leitores compartilha a idéia de que a zona sul é um deserto gastronômico, excetuando-se a churrascaria Fogo de Chão. Bem, parece que a construção de incontáveis condomínios fechados anda incentivando a abertura de restaurantes de mais alto nível. O nome do La Sereníssima é uma referência à República de Veneza, assim chamada por não se envolver em guerras. O ambiente do restaurante segue um estilo serrano, com lareira e tudo o mais. Bom para uma semana fria como a que passou. O carro-chefe devem ser as pizzas, porque há um enorme letreiro em neon na entrada, anunciando-as. Essas ficam para outra ocasião.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 8.09.2006, 11:48 | Comentários (3)
Comida chinesa de verdade
O You Yi segue o melhor restaurante chinês de Porto Alegre. O melhor sinal disso é ser o único em que se vê algum chinês que não seja o proprietário comendo. Na noite de ontem, aliás, ao menos metade da casa era ocupada por orientais. A comida não é servida nadando em uma piscina de gordura com molho de soja, como nos bufês. Se for lá, não deixe de pedir as meia-luas, ou guiozá, como entrada. Vêm acompanhadas com um molhos de gengibre e pimenta excelentes. Outro destaque é o pato laqueado, servido à maneira tradicional, com discos de massa, molho agridoce e cebolinha verde para o cliente montar as panquequinhas. Dá para comer bem por cerca de R$ 25 por pessoa.
YOU YI
Rua Cândido Silveira, 242 — Auxiliadora
Fone: 3342-3828
Marcelo Träsel | 7.07.2006, 20:08 | Comentários (9)
Churrasco civilizado
A churrascaria São Rafael, uma das mais famosas de Porto Alegre, continua batendo um bolão. Ao contrário da maioria, os cortes são oferecidos à la carte, não em rodízio. Isso tem suas vantagens e desavantagens. Por um lado, não se é interrompido a cada 30 segundos por um garçom oferecendo qualquer coisa. Também evita que o sujeito se empanturre demais. Por outro lado, se o objetivo é justamente se empanturrar de carne, fica muito caro. Pessoalmente, acho que dá para ficar satisfeito por um preço razoável. Pode-se pedir os espetos separados dos acompanhamentos, mas os "combinados" têm melhor relação custo/benefício. Por exemplo, um espeto de vazio para duas pessoas custa R$ 21, mas se vier acompanhado de arroz e salada verde, sai por R$ 31. A costela sai por R$ 19 sozinha e R$ 29 com salada mista, farofa, polenta e dois salsichões. As porções dão para dois homens adultos e ainda sobra. Se é para criticar alguma coisa, diria apenas que a polenta poderia não vir nadando em óleo.
CHURRASCARIA SÃO RAFAEL
Avenida Protásio Alves, 3284 - Petrópolis
Tel: 3334-9133/ 3334-7155
Marcelo Träsel | 26.06.2006, 18:09 | Comentários (13)
Comendo em São Paulo
Na terra da garoa come-se muito bem. Mesmo nos botecos de esquina e restaurantes populares, nota-se um esforço para fazer o melhor possível com os recursos à disposição. Percebe-se sempre um cuidado na apresentação do prato, mesmo que seja um xis-calabresa com bacon. Enquanto em Porto Alegre os lanches chegam ao cliente destrambelhados muito mais vezes do que seria razoável, isso raramente acontece em São Paulo. Nos pratos mais elaborados, a diferença é ainda mais gritante.
Tenho uma teoria a respeito. Na maior cidade da América do Sul, milhões de pessoas lutam diariamente por seus empregos e milhares de restaurantes batalham o tempo todo pelos clientes. Se um chapista de padaria é ruim, haverá centenas querendo o lugar dele. Se um garçom é antipático, pode ser logo substituído. Se um restaurante oferece comida menos do que boa, há dezenas ao lado para o cliente escolher. As possibilidades de comparação também se ampliam. Fica difícil aferir a qualidade de um restaurante italiano, quando temos em Porto Alegre apenas dois ou três que prestam. Quando há dezenas, como em São Paulo, o nível de exigência tende a subir.
A seguir, algumas dicas de onde comer.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 12.06.2006, 12:18 | Comentários (19)
Massas honestas em São Chico
Existem dois tipos de restaurantes: os caseiros, que pretendem apenas servir uma comida boa e nutritiva aos clientes, e os gastronômicos, cujo objetivo principal é — ou deveria ser — inovar a culinária a que se propõe e oferecer a perfeição no preparo dos pratos. Ao se julgar a qualidade de um restaurante, é injustiça aplicar os critérios de um tipo ao outro, sob pena de considerar toda comida caseira ruim, ou toda haute cuisine obscenamente cara.
Foi com este espírito que tomei meu lugar na tratoria Pasta Nostra, em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. Meu veredito: é honesto.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 14.05.2006, 16:00 | Comentários (3)
Aproveite, que a Argentina está barata
A jornalista Fernanda Aldabe andou em Buenos Aires e gentilmente enviou algumas dicas de turismo gastronômico para os leitores deste blog. Confira abaixo.
· O Hotel Alvear tem um dos melhores chás da tarde da cidade. São torradas, geléias, salgadinhos, docinhos, tortas e uma carta de mais de 20 tipos de chás. O Chá Alvear custa 46 pesos e é o mais completo. Tudo é servido fresco, desde o salmão cru dos salgadinhos até o açúcar de confeiteiro que é posto na hora em cima da torta de maçã. Eu recomendo o chá sabor baunilha. O chá é servido das 17 até ás 19 horas, todos os dias. O Hotel fica no bairro Recoleta, na Av Alvear, 1891.
Marcelo Träsel | 22.03.2006, 15:21 | Comentários (24)
O melhor prato que comi na Alemanha

A boa comida na Alemanha não tem nada a ver com comida alemã. A culinária germânica é, sendo bem direto, coisa de gente bárbara. Isso não é culpa de falta de gosto ou habilidade: trata-se apenas do resultado de séculos e séculos de escassez e guerras. Os camponeses alemães tinham repolhos, alguns porcos, cevada, um ou outro vegetal mais e eram obrigados a viver com isso. Não viraram especialistas em picles, chucrutes e lingüiças porque gostavam, mas sim porque era a única maneira de conservar os alimentos. Deste ponto de vista, até que conseguiram operar maravilhas.
Continue Lendo...Marcelo Träsel | 6.03.2006, 23:36 | Comentários (5)
Barranqueada
Os proprietários da churrascaria Barranco só podem estar de sacanagem com o cliente. Após degustarmos meu primeiro churrasco em dois meses longe de qualquer refeição com mais de 100g de carne, alguém na mesa pediu uma torta de sorvete como sobremesa. Logo que ela chegou, notamos algo errado: a calda de chocolate estava muito clara e com uma consistência estranha. Ainda por cima, estava completamente azeda. Suspeitei que não fosse a calda certa, mas um mero pudim de caixinha. Perguntamos ao garçom se aquela era a calda da Torta de Sorvete mesmo. Ele respondeu que "é, sim, mas é feita aqui". Ou seja, era pudim em pó mesmo. Ainda por cima, azedo. E isso por R$ 9.
O cordeiro mamão desossado, no entanto, estava como sempre excelente.
Marcelo Träsel | 28.02.2006, 11:38 | Comentários (8)
Infarto no Vale do Taquari
Deixei Lajeado com certo dissabor por um motivo: abria mão da melhor maionese caseira do mundo. Não é exagero: os lugares mais tradicionais literalmente se digladiam por ter a melhor maionese. E a escolha é difícil porque, bem, maionese boa é maionese sem gosto muito ressaltado. Gordurame da morte, puro e simples.
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