pedidos.
Oficializo o que eu já estava fazendo pra um e outro: quem quiser comprar o
Pó de Parede direto comigo, via correio, é só mandar recadinho pro gmail (carolbensimon tudo junto) e a gente combina. Salvo alguma grande exceção, deve ficar $30 mangos (25 do livro + 5 do envio).
postado por Carol Bensimon as 13:35 | pitacos (1)
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pagando de Proust.
Tá, sou dessas que olha para trás e revive e conta pros outros (cada vez menos) e para si mesmo (cada vez mais). É a segunda vez que vou ao Rio esse ano. Tenho uma velha relação com o Rio, de férias de inverno, apartamento do vô e da vó, andar no calçadão, andar pra padaria, férias com rotina, saca? Com lugares de ter que ir, comidas de ter que comer mais uma vez, e tão segunda-casa, tão não-turismo, que eu demorei anos, mas anos mesmo, pra subir no Cristo. Bem, é a segunda vez que vou ao Rio nesse ano depois de uma seca de alguns (vô vendeu o apartamento, agora fico na tia-avó, já é casa, mas é diferente) e continuo tendo o insight a toda esquina de que pra criar laço forte a gente tem que estabelecer uma relação com o lugar ainda na infância. É assim com o Rio e é assim com Paris.
Nessa vez, foi ainda mais forte. Sensação de despedida. Eu sempre fazia isso quando pequena, me despedia dos lugares nos últimos dias, falava com a praia, falava com o shopping, falava com o restaurante, com o quarto. Depois fiquei adulta e não falei mais (nem por dentro). Só que, essa semana, de novo. Fui pro terraço, falei com a paisagem, morro, Lagoa, hipódromo, Jardim Botânico. Dei um tchau doído, porque agora vai demorar pra eu ir aparecer de novo por lá.
E São Paulo? Óbvia desvantagem estética, chega a ser constrangedor - se alguém não se importa com isso, é louco, desculpa - e até puxando pela via da memória é só tragédia: anos 80, eu com meus pais numa feira de vídeo que tinha que ir todo dia, fazer compras pra locadora e etc, e todo dia eu chorava só de imaginar que ia ver um sujeito vestido de vampiro promovendo sei lá que filme. Foi foda, foi traumático. Ah, também foi quando eu preferi comprar a máscara do Change Dragon do que uma das menininhas do bando.
postado por Carol Bensimon as 16:51 | pitacos (10)
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azenha.
Mas esses dias veio à memória aquela guarda-chuva da Madonna que na verdade não era da Madonna (mas quase), e que me lembra Avenida Azenha na volta do colégio. Procurei por guarda-chuva + madonna e achei. Procurei por umbrella + madonna e achei. Parapluie + madonna não tentei, mas creio que funcionaria também, tipo mau gosto internacional. E hoje em dia é tudo preto e não sei quem tem razão, se 90 ou 2000.
postado por Carol Bensimon as 22:53 | pitacos (2)
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rio de janeiro.
postado por Carol Bensimon as 11:49 | pitacos (2)
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são paulo.
postado por Carol Bensimon as 12:51 | pitacos (7)
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mordekhai.
Um judeu parisiense extremamente fanático resolveu pegar no meu pé, quer dizer, ele quer casar e ter filhos 100% judeus comigo ou, no mínimo, me apresentar uns caras da comunidade. Tudo começou assim: estou procurando um apartamento em Paris, à distância, algo pelo menos pros primeiros meses, e por isso me cadastrei num site desses que facilita o contato entre proprietários e interessados. Bem. Este cara me escreveu. Na verdade, no primeiro mail, onde eu esperava ver uma metragem, um valor, uma localização, pra dizer o mínimo, o sujeito colocou apenas um número de telefone. Respondi. Não estou em Paris, pouvez-vous blá blá blá détails blá blá blá. Os detalhes solicitados continuaram esparsos. E o cara de repente larga: é grande a comunidade aí? Nessas alturas, pelo nome (Moisés em hebraico, segundo minha mãe), eu já sabia que o sujeito era judeu. Respondi polidamente, ainda com esperanças de acesso ao apartamento que, nessas alturas, já me parecia evidente, era restrito a judeus (só pra explicar: o cara sacou pelo Bensimon). Novo mail, e nada de apartamento: tu é judia de pai e mãe? Armando-me de paciência, mas já deveras constrangida com o interrogatório, respondi que era só por parte de mãe. No mesmo dia, segue a próxima pergunta: e teu namorado, é judeu? Nessas, eu já estava possessa, e respondi que não, mas, por alguma razão, quando, na seguinte, ele pediu meu msn, eu dei... ok, tudo bem, confesso, eu devia estar pensando que no fim a comunidade judaica é um tipo refinado de maçonaria e que isso poderia me salvar da perspectiva de morar mal e passar fome em Paris. Mas, logo eu descobriria, o fato de ser judia e manter contato com esse cara insano ia, no máximo, fazer com que eu fosse nomeada a representante das brosses magiques (escovas mágicas) do Brasil. Calma, logo isso vai fazer sentido (ou não).
Quinze minutos depois de ter sido adicionada no msn pelo cara, meu telefone toca. Era ELE. Na hora pensei no serviço secreto israelense e me deu m-u-i-t-o medo. Como tu tem o meu telefone?, eu disse. Ele: tu colocou no teu cadastro. Ah, é. Momento de dar um FF no relato, porque é muita demência: o sujeito começou com uma pregação religiosa sem fim, pontuada aqui e ali por coisas referentes ao apartamento, mas depois ele esqueceu por completo esse assunto e queria era dizer que o melhor mesmo seria ir à Paris sem meu namorado, e que assim eu ficaria circundada pela FAMÍLIA (medo). Contando isso pra uma amiga que mora no Marais (bairro judeu & gay de Paris), ela me disse que os ortodoxos ficam pelas esquinas perguntando a quem passa, Você é judeu, você é judeu? Quem diz sim é levado pra uma salinha. Ok, folclores à parte, o cara continuou a tocar muito o horror e semear meu pavor aos fanáticos religiosos, e o pior de tudo é ouvir discurso hitleriano-ao-inverso (pureza dos judeus, não à "diluição") com TODOS os recursos e animações e cores e desenhos existentes do MSN. É possível que exista um cara desses? É. Pra coroar tudo isso, ele vende a BROSSE MAGIQUE. É uma escova cujas cerdas tu recolhe para poder tirar os cabelos que ficam acumulados ali. Há um
site, há um vídeo do cara manipulando e falando sobre a escova. E ele queria que eu fosse a representante da brosse magique no Brasil. E eu disse: eu posso vender brosse magique em Paris! Mas depois eu fiquei com medo de novo e bloqueei o cara.
postado por Carol Bensimon as 19:19 | pitacos (6)
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ontem à noite.
A sorte é que passou por baixo da porta de vidro (a primeira porta).
Olá, família.
A coisa se passa assim: primeiro, me apresento. Digo que me chamo Carol Bensimon, e que um dia tentei ser publicitária (não deu). Digo que trabalhava perto de vocês, e muito ia ao mercadinho, tanto pra comer quanto pra matar o tempo no meio da tarde. Então chega a hora de mencionar que sou escritora (fico constrangida) e que acabo de lançar meu primeiro livro, mas, sem nenhuma intenção de passar currículo, a única coisa que me interessa dizer a vocês, família da casa esquina ******** com ******, é que sua casa serviu de inspiração à primeira história do meu livro (é uma trilogia), e que por isso sou a ela muito apegada e gostaria de dividir isso com vocês.
Adiciono um espero de verdade que gostem e que não se sintam ofendidos com nada: a casa não é exatamente a de vocês, e a família com certeza saiu todinha da minha imaginação (mas vocês verão que é uma boa família, de qualquer maneira).
E termino adicionando um livro ao envelope, com uma dedicatória-resumo disso que já está na carta.
Um grande beijo e meus sinceros agradecimentos,
Carol Bensimon
PS: fiquem atentos à revista Bravo! de agosto: seus combogós em nível nacional.
postado por Carol Bensimon as 11:29 | pitacos (19)
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update me.
As
perguntas tecnológicas de Tiago Dória fizeram com que eu me acordasse um tanto idade da pedra ontem. Babando, ansiava pelas novidades do mondo digital, estava achando msn so last week, e sentia grande vergonha de mim mesma por não usar rss. O resultado de tudo isso é que fiz um twitter, e pude respirar aliviada. Mas o fato é que o twitter está para a internet como os mini contos estão para a literatura. Quer dizer: tema um pouco, porque a tendência é que seja usado para o mal. Ainda não tenho bem certeza (internéti é muito complicada), mas acho que dá pra acessar
por aqui.
Em todo o caso, nas próximas mais semanas, é mais provável que eu apareça em doses homeopáticas e em belo sarcasmo de quinta (twitter). Tenho uma dissertação para terminar.
(ia escrever mais alguma coisa, mas meu pensamento já estão tão twitter que só vem em 140 caracteres. obrigada)
postado por Carol Bensimon as 09:48 | pitacos (2)
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desencantado carrossel.
Pois esse garoto que me namora, Diego Grando, está lançando também o seu primeiro livro,
Desencantado Carrossel. E está trimassa, e ele tem essas boas idéias que saem do livro, como fazer cubos com um belo de um poema em cada face, como fazer poemas impressos em balões laranja, e no lançamento vai rolar um pocket-show com o Alexandre Kumpinski, da Apanhador Só - espero que o resto dê para se enxergar nas letrinhas pequenas. O livro está muito muito bom. Duvidou? Confere a
degustação, ora.
postado por Carol Bensimon as 22:38 | pitacos (10)
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o mais pessoal que pode ficar.
Ontem eu precisava captar algumas sensações para o capítulo final do
Sinuca embaixo d'água, e fui no local que poderia me causar essas necessárias sensações. Engraçado que tudo pareça frio e calculista quando é só um plano, mas, quando a gente dá o play, as coisas acabam acontecendo de um jeito comovente. Na verdade, foi algo bem irônico o fato de eu ir procurar o drama final do meu livro e acabar encontrando um drama pessoal.
Dirigi para a Zona Sul e, na beira do Guaíba, lá estava a casa salmão. De noite, eu já tinha visto que ela estava sendo demolida, reformada, cortada ao meio ou sei lá o quê. De dia, pareceu bem mais triste, sobretudo porque é mais visível o desgaste da pintura, o pátio que agora vai virar outra coisa ou outra casa, a janela que dá a impressão de mostrar uma sala vazia, e depois houve também a mulher entrando, lutando com o portãozinho, que teimava em não abrir. A porta também cedeu de um jeito estranho.
Enquanto isso, exatamente em linha reta, os restos do
Timbuka. Atravessei a rua, porque isso era importante também para a minha história, e vi que o chão ainda está todo lá. Andei sobre ele, e era como se eu andasse sobre uma planta baixa. Estranho que, sem paredes, sem mesa de sinuca, sem nada, o lugar pareça tão pequeno. Tentei imaginar as coisas que estavam ali antes. E isso, e o tempo cinza, que parecia ideal para o fim de capítulo, mas que na verdade estava mais fazendo eu coletar mais uma dorzinha em mim e absolutamente nada para a literatura (será?), gerou uma espécie de epifania para o mal. De repente percebi que tudo que está no livro não está mais, fisicamente, no mundo. O meu melhor amigo que morreu. A banda, essa banda que toca no fundo de cada página do romance, que já não existe mais. E agora também, e como se o Sinuca pudesse ter previsto, ou como se acelerasse o processo de desgaste das coisas, o Timbuka demolido quando eu estava mais ou menos pela metade do livro. Eu não sabia, como também não sabia que a casa salmão ia ser reformada, destruída, ia, enfim, virar alguma outra coisa, então tenho nas mãos (pronta a primeira versão) um romance que fala de coisas que já não existem mais. Se foi uma tristeza juntar os pontos e traçar a ausência de tanta gente e tanta coisa, parece que foi também uma maneira de perceber que literatura é exatamente isso, e tudo ainda há de estar ali.
postado por Carol Bensimon as 17:48 | pitacos (8)
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