Mesmo que você, leitor, ainda não tenha criado juízo suficiente para patrocinar nossas viagens pela América do Sul e livrar-nos dos atuais empregos opressores, nós do Impedimento permanecemos sempre preocupados com seu bem-estar.
Devido aos constantes problemas de tráfego e lentidão com o sistema (que todos podem perceber pelos comentários dobrados, por exemplo), vamos migrar para um novo endereço. Talvez um pouco menos caprichado que o atual, no novo servidor pretendemos minimizar estes problemas. Seguimos sendo um blog Insanus, e este antigo endereço continuará funcionando como nosso arquivo de preciosidades.
Aqui está: www.impedimento.wordpress.com.
Como em todo início de temporada, vamos organizar o time aos poucos e segurar uns empates. Assim que começarmos a receber grana dos milhares de leitores espalhados pelo mundo, prometemos algo mais autoral e luminoso - como o carrossel caipira do Mogi-Mirim 92/93.
Redação Impedimento
Minha secretária, uma relações públicas argentina, formada na Universidade Autônoma do México, me mandou o clipping de hoje direto do gabinete do Hugo Chávez, onde ela trabalha como bico.
Argentina – Voltar da segunda divisão deve ter seus encantos. Hoje, completam-se 25 anos do retorno heróico do San Lorenzo à primeira divisão do futebol argentino. O jornal Olé reuniu alguns jogadores do time de 1982 para as recordações. (Olé)
Panamá - Eletrizante. O técnico da seleção do Panamá, Alexandre Guimaraes, está tranqüilo por contar com o time completo para enfrentar amanhã o selecionado de El Salvador e domingo, Honduras, no triangular do Sub-23, que vai classificar para o pré-Olímpico de 2008 nos Estados Unindos. Pra frente, Panamá! (El Siglo)
Paraguai – A super-rodada desta quarta-feira terá o enfrentamento entre o líder do torneio Clausura, o aristocrático Libertad, contra o segundo colocado, Cerro Porteño. O Libertad está com 42 pontos e o Cerro, com 38. (ABC Color)
Venezuela – Foram convocados nesta segunda os 22 jogadores da seleção venezuelana, que enfrentará Colômbia e Bolívia pelas rodadas 3 e 4 das eliminatórias da Copa. Ficaram fora da convocação o goleiro Renny Vega, lesionado, e o volante Héctor Gonzáles, que não anda se bicando com o treinador Richard Paez. (El Nacional)
Chile – Já o treinador da seleção do Chile, Marcelo Bielsa, está com dolor de cabeza. Para enfrentar Uruguai e Paraguai, o técnico não contará com os lesionados Estrada, Medel, Sánchez e Mark González. Já não contava com Iturra e Álvarez, suspensos. (Mercurio)
México – O plantel do América está reclamando do calendário. Na semana que vem, terão de enfrentar os colombianos do Millonarios, pela partida de volta das semifinais da Copa Sul-Americana, e ainda encarar uma partida decisiva no Apertura mexicano. “Estou cansado de sempre culparem a Federação Mexicana de Futebol. Não há do que se queixar, há que seguir adiante e buscar o título dos dois torneios”, foi a resposta do treinador Daniel Brailovsky. Nome bom. (El Universal)
Daniel Cassol
Tópicos sobre futebol, vingança e literatura.
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O jogo entre Atlético-PR e Grêmio parece não ter fim. Agora há pouco ouvi na Bandeirantes que o volante Labarthe, do time gaúcho, afirmou ter recebido uma ligação do irmão de Claiton, aconselhando EDUARDO COSTA a ter cuidado em suas atividades em Porto Alegre. Labarthe e o irmão de Claiton jogaram juntos nas categorias de base do Inter. O meio-campista do clube paranaense estaria INSTIGANDO seus parceiros a acertar as contas com o gremista.
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Fiquei extremamente decepcionado com as obras sobre futebol na Feira do Livro de Porto Alegre. Pela oferta, pelo preço e pela qualidade. Primeiro, na Calle e Corrientes, ofereciam uma revista toda fresca - apesar de usada - sobre craques argentinos por 30 paus. Desisti na hora. Não era nada que não possa achar na internet. Depois, fui procurar o livro de histórias da conquista do Mundial pelo Inter. A edição é primorosa, mas vou esperar um pouco mais para gastar 38 merrecas. A última tentativa também foi fracassada porque o ALFARRÁBIO que fala das 50 maiores peleias do futebol gaúcho estava 27 moedas grandes, coisa que pretendia gastar mais tarde em atividades menos nobres. Na real, a edição é bem vagabundinha.
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Falando em escritos, estes dias me deparei novamente com este grande texto que o Firpo publicou um dia após a decisão do Mundial. É um dos melhores relatos que já li sobre o drama que cada vermelho passou naquela manhã calorosa como a brasa do festivo churrasco que a encerrou.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Um mês se passou desde que meu primo Gusta, como quer ser chamado, foi para Caicó-RN começar sua carreira como jogador profissional de futebol. Diferente do que eu imaginei, a quantidade de informação que chega de lá é imensa, graças ao baratíssimo acesso à internet em lan houses locais.
Enquanto Gusta se prepara para encher a rede de gols, eu encho de informação sobre a jornada dele pelo semi-árido. Acompanhe:
A Cidade
Não pára e só cresce. Segundo me contou, Caicó é um foco de centralização no interior do Rio Grande do Norte. Mais do que isso não consegui perceber, nem mesmo do calor meu primo me falou. Mas a insistência em contar que existe um picolé vendido a 25 centavos em todas as esquinas me faz calcular o calor senegalês.
Mais do que isso, também existe um grande destaque para as acomodações do Corintíans de Caicó, onde os atletas vindos de São Paulo estão morando – conta Gusta que é tudo bom, bons quartos, boa comida e uma piscina.
Também existe um telefone coletivo dos jogadores. Caso alguém queira ligar para eles, é só discar (84) 9603-5086 e encher de grana a operadora de telefonia de sua região.

Este é Gusta em frente ao Clube que defende. Repare na camiseta da Cove, com um logotipo da Al Jazeera. Meu primo flerta com a intelectualidade, o que o coloca no pequeníssimo grupo de Jogadores Alfabetizados. Trupe tão pequena que não daria para organizar uma pelada no final do ano.
A Competição
O elenco foi reforçado para a Copa Rio Grande no Norte. A competição faz parte do calendário de atividades do segundo semestre, que busca manter os times em atividade o ano todo. A princípio é um torneio que mexe só com o interior do estado, mas a condição de rebaixado do América RN fez com que os diabos de Natal investissem nela também.
Assim, com América e ABC na jogada, tudo ganha importância. Os grupos são regionais, e os dois primeiros de cada chave se classificam para as semi-finais.
Junto com o Corintians de Caicó, compõem o grupo B os times do Macau, Assu, Potiguar de Mossoró e o Baraúnas; a equipe do São Gonçalo desistiu de participar da competição.
Os treinos
Agora é para valer. Gusta, que joga de meia-atacante, conta a dificuldade que tem sido treinar nessa posição. Como o time tem uma dupla pra posição que é xodó da torcida por ter jogado o estadual em Caicó, ele pulou direto para a reserva. Além disso, um reforço para a posição está sendo trazido para a Copa RN.
Nervoso, meu primo não conseguiu treinar bem e, saindo na reserva, continuou lá. Passou pela sua cabeça mudar de posição, atitude que apoio completamente. Mesmo insistindo para a lateral, visto a falta de laterais pelo Brasil inteiro, ele acabou optando por virar atacante.
Fotos comentadas

Aqui, os 5 imigrantes da bola em um local de treino. Elenco embuído.

O estádio.

Grama só do lado de dentro.
Amanhã, os 4 jogos que já rolaram nas palavras de Gusta.
Texto surrupiado do blog do maestro Menezes, que continua narrando a saga de Gusta pelo Braziu-ziu.
Amanhã tem mais.
Há exatos cinco anos eu estava sentado num estabelecimento comercial, vulgo BAR, assistindo a Inter e Coritiba. Tinha a esperança de que o Inter subisse uns degraus para acabar o campeonato de forma digna. O placar em branco se arrastou até o final do jogo. Naquela altura, o empate já me parecia bom para começar a evitar o desastre. No entanto, aos 44, Lima marcou o gol que desencadeou o pavor extremos entre os vermelhos.
O que seguiu naquele ano foi uma via crucis que acabou em Belém, a terra onde Jesus nasceu, justamente com o renascimento do Inter. Ontem, espiando o jogo, temi que um gol adversário fizesse renascer o martírio. Os pernambucanos não marcaram, mas a sensação de "puta que nos pariu" ressurgiu quando juiz apitou o final do jogo.
Como bem sabem aquelas pessoas lúcidas e inteligentes que acompanham este sítio nada modesto, este ano decidi não me preocupar com futebol. Não assim de não dar bola, mas em dezembro de 2006 resolvi dar umas férias ao meu sistema nervoso. Duas décadas esfolando um pobre coração juvenil me fizeram adotar esta postura. Eu estava descansando na Punta Del Este das emoções futebolísticas e não havia câmbio do dólar que pudesse me demover de tal estado.
Por isto, me incomodei quando o Inter foi eliminado do Gauchão, mas não chegou a ser uma inconformidade de socar paredes. Quando fomos eliminados na primeira fase da Libertadores, a surpresa foi grande. Esperava que em 2007 o Inter montasse um esquadrão capaz de vencer um dos dois títulos importantes, a Copa ou o Brasileiro. Nada disto, no entanto, me fez largar a caipira ou tirar a viseira no paraíso da satisfação futebolística. Sabia de todos os erros, mas não queria dar bola.
Nem as duas derrotas em clássicos me deixaram como em outras ocasiões, quando teria vergonha de sair na rua por meses. Sequer fiquei muito descontrolado quando as chances do tetra nacional afundaram-se com resultados adversos, muitos cedidos no final das partidas. Quase desvirtuei minha postura depois do empate contra o Atletico, no Mineirão. Mas olhei para as vacas no campo e me mantive fiel ao descanso em berço eterno.
Até agora estou meio "blé", mas dezembro está chegando. E com ele o fim do interlúdio. Portanto, estou disposto a encerrar o período sem ganhar nada, mas ainda assim feliz. Apenas, caro senhor Píffero, faço a advertência que, caso aconteça a desgraça de sermos rebaixados - o que eu, sincera e racionalmente, não acredito -, é melhor que deixes o país de forma bem rápida, porque em algum lugar dentro do seu carro ou da sua casa eu estarei esperando para conduzir-lhe com parcimônia aos piores desprazeres físicos que a humanidade já conheceu.
E, mesmo depois de morta, a pervertida da Serra continua levando dinheiro para o seu cafetão.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Os jogadores do River Plate estão reclamando do estado do gramado do Monumental de Núñez, a cartolagem está assanhada no Peru e Carlos "El Pibe" Valderrama segue proporcionando alegrias na Colômbia. É o resumo do noticiário esportivo na Pátria Grande.
Chile -
Os jogadores do futebol chileno estão avaliando as eventuais vantagens que terão agora que foi aprovado o Estatuto do Jogador. A normativa determina o fim dos contratos prorrogáveis e vínculos formais dos jogadores com os clubes a partir dos 18 anos, mas a verdade é que nenhum atleta ouvido pela reportagem manjava do assunto. (El Mercurio).
Paraguai -
O caso do apito no torneio Clausura será o tema principal da reunião dos presidentes de clubes, marcada para a próxima terça-feira na Associação Paraguaia de Futebol. Alguns dirigentes defendem a queda do diretor de arbitragem, Dr. Ubaldo Aquino, mas este possui apoio da cúpula da entidade e, dificilmente, perderá a boca. (ABC Color)
Argentina -
"Nesta cancha de merda não se pode jogar", exclamou Ariel Ortega, ontem, sintetizando a opinião do grupo do River Plate sobre o estado do gramado do Monumental de Núñez, massacrado após uma seqüência de shows do lendário grupo de rock argentino Soda Stereo (muito prazer, Cassol). Apesar das reclamações dos jogadores, a diretoria do River seguirá recebendo grandes recitais, de olho na grana entrante. Em dezembro, o Monumental receberá o grupo The Police, contabilizando 17 shows em 2007, entre Ricky Martin, Roger Waters, The Whoo e Alejandro Sanz. (Olé)
Peru -
Pivô da polêmica que ameaça desfiliar o país da Fifa, Manuel Burga fez ontem o juramento como presidente da Federação Peruana de Futebol até 2011. Diante da imagem de Jesus Cristo e com a mão direita sobre a Bíblia, Burgo disse que não sentia vergonha de voltar a assumir a presidência da FPF, mesmo impedido pelo Instituto Peruano do Desporte, órgão governamental, de exercer cargos públicos até 2012. O chefe do IPD, Arturo Woodman, criticu Burga e disse que não aceitará chantagens quanto a eventual desfiliação da Fifa por interferência do governo peruano no futebol do país. (Diário de la República)
Colômbia -
Ele poderia estar fazendo propaganda de viagra por aí, mas não: Carlos Valderrama segue dando espetáculo nos gramados colombianos. Ontem, treinando a equipe do Junior por uma partida do torneio Finalização, Valderrama sacou uma nota de 50 mil pesos depois que o juiz marcou um pênalti contra seu time, ao final do primeiro tempo. De acordo com a reportagem, o juiz não percebeu a ofensa, ao que Valderrama seguiu esbravejando no gramado até ser expulso. A ordem foi ignorada e o ex-jogador passou o restante do jogo na casamata, ainda aproveitando o intervalo da partida para insultar o árbitro, frente a frente. O Junior perdeu para o América por 3 a 1, rolou pancadaria na arquibancada e o jogo foi encerrado antes do tempo regulamentar. (El Tiempo)
Aqui pra somar,
Daniel Cassol
Parobé, a torcida confia em ti, diz a faixa guardada no armário lá de casa. Minha avó é colorada. Tio Cunha distribui medalhas para os desportistas de São Sepé, prova de que o futebol é uma festa na América Latina, como você verá nos jornais desta quarta, na estréia deste novo quadro do Impedimento. Prometo dedicação condizente com meu salário, isto é, não contem com essa porcaria aqui todos os dias. Reclamações com Antenor ou Douglas.
Bolívia (El Deber) – Três meses sem receber salários e os jogadores do Oriente Petroleiro decidiram ontem parar de treinar e dizem estar dispostos a entrar na justiça. Para o dia 15 de dezembro, estão previstas eleições no clube. (leia mais)
Uruguai (El Pais) – Criticado nos últimos tempos por não obter bons resultados fora de casa, o Defensor quase consegue emudecer o Monumental de Núñez ontem, mas o empate sem gols classificou o River Plate para a semi-final da Copa Sul-Americana. Eram 400 torcedores do Defensor, com “um par de serpentinas”, contra 45 mil argentinos que gritavam: “quem não salta é do Uruguai”. (leia mais)
Paraguai (La Nacion) – A arbitragem está gerando polêmica entre os dirigentes dos clubes paraguaios. O presidente do Cerro Porteño, Luis Alberto Pettengill, afirma que os erros sistemáticos dos juizes estão prejudicando vários times, mas favorecendo apenas um. É uma referência ao Libertad, líder do Claususa, um ponto à frente do Cerro. (leia mais)
Argentina (La Nacion) – Divergências entre o presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, e o vice Pedro Pompillo, estão inviabilizando a montagem de uma chapa oficialista para as eleições do dia 2 de dezembro. (leia mais)
Só pra constar: Ontem, a Igreja Maradoniana celebrou o 47º aniversário de Diego Maradona, realizando o casamento de um casal de mexicanos que estava de passagem por Buenos Aires. (leia mais)
Até amanhã!
Aqui pra somar,
Daniel Cassol.
Marquinhos foi o maior jogador com quem tive a oportunidade de compartilhar uma cancha de futebol. Muito antes de Romário, já apostava quantas janelinhas conseguiria dar nos adversários ou que faria um gol de bicicleta em determinada partida. A diferença é que sua moeda era a cerveja.
Marquinhos foi o segundo de uma família de quatro irmãos, todos bons jogadores de bola. Em ordem decrescente, Abel, que certa vez derrubou uma trave com uma paulada - tudo bem que era de madeira, mas o que vale é que foi ao chão -, Fernando, ou Fê, extremamente habilidoso também, e Júnior, que não tive a felicidade de ver jogar a valer.
Marquinhos era quem jogava mais, não apenas entre os irmãos, mas também entre toda a gurizada do Parque Residencial Marechal Rondon, um bairro de nome bonito que abrigava uma corja de vadios que bebiam cachaça com refrigerante em construções e escutavam Rap Brasil e Racionais com a complacência confusa que a adolescência permite.
Era canhoto, o diabo. Atuava como meia avançado, com extrema facilidade para controlar a bola, velocidade e chute certeiro. Sua habilidade era demasiada, chegava a provocar. Fez história no bairro compondo o temido time do Alemanha - referência à rua em que morava a maiora dos jogadores do time. Faziam grandes clássicos e ficaram invictos durante sei lá quantas semanas. Marquinhos tomava pau como uma cadela sarnenta, mas parecia que jogar cada vez mais.
Muitas vezes fomos companheiros de time, especialmente quando formamos uma equipe forte no futebol de salão. No gol, Cueca. Na zaga, Éder e eu. Chico, que depois andou jogando no Santa Cruz e no Avenida, Marquinhos, Zezinho e Malabim, apelido que fazia referência à forma peculiar do melão do rapaz. Era um time forte. O primeiro feito que me salta à memória foi certa vez quando enfrentamos um bom time que levava até torcida para a quadra, um monte de mulheres gritando e atucanando. Era formado por gringos altos, muitos nossos desafetos das ruas e dos bares. O que aconteceu não foi menos que espetacular e gerou um belo trago de canha na esquina sagrada para comemorar e fazer os comentários do pós-jogo.
(Na partida, a correria foi grande, pau e pau. Tive a oportunidade de fazer o lance mais habilidoso da minha vida, sem querer. Me tocaram uma bola rasteira, forte, eu estava de costas para o adversário. Então, sei lá por que, bati o bico do pé embaixo da bola e ela subiu pouquinho acima do nível da cabeça. Atrás de mim vinha um adversário desabalado, que acabou passando por baixo da bola e transformou o lance num lindo chapéu, gerando um "ohh" geral.)
Estávamos perdendo por uns dois gols de diferença e já ouvíamos os gritos de olé, mas, não sei como, viramos o jogo. Marquinhos parecia dominado por um espírito infernal: é o que acontece quando os jogadores de excelente técnica são tomados pela vontade absurda de vencer. Quando o cara está perdendo, dribla todo mundo, faz o gol, corre alucinado para pegar a bola nas redes, não ri e volta para o meio do campo com os olhos fixos, esperando o juiz recomeçar para sair matando o adversário de novo. E assim foi. Marquinhos virou o jogo, que nesta altura era uma fumaceira digna de La Plata. Como bons guris balaqueiros, começamos a cair e amarrar a partida. Também porque estávamos mortos, aqueles gringos magros e malditos corriam como o diabo, principalmente um, que não parava nunca e, por ironia, era o que mais detestávamos. Mas Éder e eu juntos éramos uma boa dupla de zaga, entrosada desde os 12 anos, quando jogamos no Esporte Clube Canarinho. Aprendemos um com o outro a superar a vergonha de bater descaradamente. E quando o bólido aguado se aproximava do gol, um de nós saía e dava o primeiro combate, ou com uma alavanca ou empurrando, enquanto o da sobra chegava matando, não raro dando socos e pontapés. E assim foi até o fim, quando o jogo acabou e o pulmão havia expelido todas as porcarias com que costumávamos castigá-lo. Se Marquinhos havia virado o jogo, devíamos ter a dignidade de ao menos segurar o resultado.
Naqula época batíamos bola num campo, metade barro, metade grama. Não sei por que o tempo não estancou naqueles dias, onde o horário de verão nos permitia ficar das quatro da tarde às nove da noite disputando um jogo que nunca acabou. Certa vez, caiu uma chuvarada e tivemos a brilhante idéia: fazer uma partida sem faltas. É claro que o jogo se transformou numa correria infernal, todos caçando os amigos adversários. Foi quando Marquinhos apanhou uma bola de costas para mim. Se ele desse o segundo toque, me driblava certo. Aproveitei a conjuntura favorável para lhe passar um rapa perfeito nas duas pernas. Ele saltou alto e caiu de bunda no chão. "Porra, cara!". Eu achei extremamente engraçado.
Marquinhos tinha uma outra habilidade espantosa. Era capaz de passar uma noite de sábado se entragolando como um condenado e, ainda assim, disputar torneios de futebol aos domingos. Geralmente valiam uma caixa de cerveja e um churrasco. Muitas vezes venceu, outras tantas perdeu. Eu nunca conseguiria ter uma resistência destas mesmo que nascesse mil vezes. Era um cara matreiro, sem dúvida. Feio, com os dentes amarelados pelo fumo desde tempos imemoriais, meio caolho. Mas, mesmo com este quadro da dor, pegava algumas moças gatíssimas, tinha a sabedoria. Apenas não sei encontrava a mesma facilidade que tinha com adversários para fazê-las abrir as pernas.
Não vi o futebol da mesma forma depois que, em 1997, no Beira-Rio, Marquinhos me apontou para os jogadores em campo e disse: "cara, a maioria deles joga a mesma coisa que a gente, só tem mais preparo físico". Era verdade. Duvido que Marquinhos não tivesse potencial para ao menos ser um Sandoval naquele time colorado, caso um pouco mais de dedicação e oportunidade aparecesse no seu horizonte.
Tempos depois, numa noite qualquer, ficamos batendo papo na sua casa, ouvindo músicas bagaceiras num rádio pré-histórico. Foi a vez que mais conversamos sozinhos, tomando um trago com as bebidas do pai dele e colocando água nas garrafas para disfarçar. Até um espumante abrimos e achamos que o momento exigia quebrá-la no meio da rua, para marcar uma data importante, como já havíamos feito dezenas de vezes em outras datas históricas da nossa juventude pseudo-marginal. Neste dia, Marquinhos disse que gostava de me ver jogando, correndo e quebrando tudo, o maior elogio que recebi como boleiro. Revelou ainda que preferia atuar com a camisa número 8, quando sempre imaginei que gostasse mais da famigerada 10. No outro dia, Marquinhos deveria acordar para se inscrever num teste no Inter. Ficamos até alta madrugada bebericando e falando bobagens, dormimos umas quatro horas e fomos ao Beira-Rio, onde dezenas de outros guris se amontoavam no guichê de inscrições. Esperamos umas horas e voltamos para casa dormindo no ônibus. Creio que Marquinhos nunca foi fazer o teste. Depois casou e adquiriu o hábito de jogar cartas num boteco. Até hoje gosto de acreditar que continua apostando e aplicando janelinhas loucamente.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Estive pensando durante quase uns três minutos e tomei nota daqueles que eu considero os cinco jogos mais importantes da história de Inter e Grêmio.
Nem sempre as partidas se referem a títulos, já que, bem sabemos todos os amantes da loucura bárbara, às vezes aquela semifinal esperta é mais importante. Pois bem, chega de conversa.
Inter
1) Inter 1 x 0 Cruzeiro - 1975 - mais importante porque foi o primeiro título decente de um gaúcho, com o famoso gol iluminado do capitão Figueroa.
2) São Paulo 1 x 2 Inter - 2006 - a vitória praticamente garante a conquista da primeira Libertadores. Uma semana depois teríamos a confirmação e a libertação do povo colorado.
3) Inter 1 x 0 Barcelona - 2006 - para mim, menos importante que a Libertadores, mas a palavra mundial fala por si.
4) Inter 2 x 1 Grêmio - 1989 - semifinal de Brasileiro, denominado Gre-Nal do Século, 90 mil pessoas, um jogador a menos e vitória de virada. Particularmente, considero este o mais importante e pleno de boas lembranças, já que foi das primeiras partidas em que eu realmente tive a noção do que era torcer. Precisa mais?
5) Fluminese 0 x 2 - 1975 - semifinal de Brasileiro, a Máquina Tricolor rui aos pés de Carpegiani em pleno Maracanã, abrindo caminho para a final contra o Cruzeiro.
Grêmio
1) Grêmio 2 x 1 Peñarol - final da Libertadores de 1983, Olímpico em polvorosa e jogo difícil às ganhas, unindo duas equipes de ponta da América do Sul.
2) Grêmio 2 x 1 Hamburgo - final do Mundial daquele ano, Grêmio vence na prorrogação com Renato Gaúcho plenamente transtornado, garantindo a corneta sobre os colorados por 23 anos.
3) Grêmio 1 x 0 Inter - 1977 - O time azul vence o Inter e quebra uma seqüência de oito campeonatos estaduais vermelhos. De lambuja, André Catimba marca na história o vôo de comemoração, até hoje umas das fotos mais geniais do esporte.
4) São Paulo 0 x 1 Grêmio - Baltazar, Artilheiro de Deus, conquista o primeiro título nacional do Grêmio e garante o Morumbazo sobre os paulistas.
5) Náutico 0 x 1 Grêmio - A famosa Batalha dos Aflitos, um dos jogos mais improváveis e emocionantes da história, vencido com força pelo Grêmio, com quatro a menos e um pênalti contra, perdido com gana pelo Náutico, que errou dois penais.
É claro que tenho plena noção do que foi uma São Paulo x Barcelona, em 1992, ou um Palmeiras x Corinthians, em 1993, ou um Corinthians x Ponte, em 1977, ou ainda um Flamengo x Atlético, em 1980. Mas não sei tanto da história dos clubes a ponto de me sentir autorizado a elencar cinco jogos mais importantes. Tivesse eu conhecimento maior da história, colocaria os resultaods mais importantes da trajetória destes e de outros clubes. Peço desculpas e convido-os a fazer isto nos comentários.
Saudações,
Douglas Ceconello.
A bandeirinha e pelada Ana Paula de Oliveira, que segunda filiou-se ao PC do B, ainda não falou nada sobre se pretende posar na Playboy junto da deputada Manuela d'Ávila. Cumprindo seu dever jornalístico, Impedimento entrou em contato por e-mail, mas não foi atendido.
Gostaríamos de saber ainda se ela trocará o instrumento de trabalho usual pela foice ou pelo martelo.
Quem dera fosse eu um lateral-esquerdo qualquer para ficar na linha do campo me fazendo de louco e implorar pra ela: "vai, só uma vez, me chama de Vladimir". Ou então convidá-la pra nos dirigirmos ao soviete mais próximo e dividirmos tudo que temos direito. Já apelando, ainda poderia chamar de canto e dizer: "só hoje, DUMA comigo".
No entanto, caso Ana Paulovski erre a partir de agora, por coerência entendo que a Conaf deve mandá-la para a Sibéria.
Saudações,
Douglas Ceconello.
E não bastasse desenvolver seu futebol em uma tentativa de profissionalização aos 23 anos, ainda começou a jornada por Caicó, no semi-árido do Rio Grande no Norte. Além de torcer muito por ele, o que posso fazer é uma cobertura sobre o que de mais interessante acontece na vida de alguém que vai atrás do seu sonho sem medir esforços, e assim tentar popularizar o seu futebol através das palavras.
- Um breve histórico
Gustavo não é meu irmão por detalhe. Fomos criados sempre juntos e com a diferença de idade que as mães trazem irmãos ao mundo. Nos 12 anos que fomos quase vizinhos, até que meus tios se mudassem para o interior de São Paulo, a diversão era invariavelmente futebol – em suas diversas formas. Futebol de botão, futebol de meia no corredor, com bola de tênis, futebol entre times imaginários, no vídeo game e nas horas de engarrafamento voltando do colégio e lendo e ouvindo notícias sobre os torneios em andamento.
Entre as quatro linhas da formação de uma cultura inútil inimaginável, sobrava pouco tempo para o jogo em si, na grama e de chuteiras. Ao menos para mim.
Gustavo intensificou a prática do esporte bretão em sua mudança, jogando torneio pelo colégio, por times amadores locais e sei lá mais onde. Um esforço que não passava de brincadeira até uma viagem ao México, cerca de dois anos atrás.
Dando uma de João sem braço imenso, Gustavo fez um teste em alguns times da cidade de Puebla. E em um deles, logo o mais importante, foi aprovado. Por problemas de acerto com a diretoria, não ficou jogando por lá. Mas a impossibilidade causada por atitudes suspeitas dos afilhados de Jorge Campos era o de menos, Gustavo já tinha o que queria: a aprovação.
E foi nisso que se fiou para investir e correr contra o tempo, que já da sinais de passagem lá pelos 20 anos, quando o jogador não explode. Dedicou-se ao treino e aprimoramento e foi convidado por um empresário para uma temporada em Caicó. Uma espécie de vestibular da bola para ele e um punhado de amigos, também escolhidos a dedo na cidade dele. Se vingará eu não sei, mas acompanharei de perto. E se você leitor quiser, pode acompanhar junto. Seja por curiosidade, por diversão ou para entender que nem só de roubalheira pro Corinthians e salários milionários vive o nosso futebol.
- Ficha Técnica
O próprio Gustavo fez sua ficha antes de partir para Caicó.

- O Time
O Corintíans de Caicó, sem o H, em português mesmo. O time tem alguma relevância na região e no Rio Grande do Norte. Claro que o América de Natal denuncia que o futebol potiguar não anda uma maravilha, mas isso pode até ajudar, já que será mais fácil pegar uma titularidade nessas condições. Aliás, segundo apurei, o time tem alguma tradição em treinar jogadores para times maiores. O mascote deles é o galo, e até aparece em alguns escudos mais antigos do time.

Como não poderia deixar de ser, bati um papo com ele antes da viagem, tirando algumas dúvidas e traçando perspectivas do mais novo meia atacante do mercado.
A Vida Mata a Pau: Qual a importância da Copa RN?
Gustavo: É grande, pois o campeão (ou vice, no caso de América e ABC serem campeões), terão lugar na copa do Brasil ano que vem, e o vice na série C do Brasileiro. Além disso, permite que as equipes do interior, principalmente, tenham atividade no segundo semestre, já que apenas ABC e América ainda estão disputando competições.
AVMAP: Diga o nome de 10 times do RN:
Gustavo: America, ABC, ASSU, Alecrin, Macau, Potiguar de Mossoró, Potyguar de Currais Novos, Potiguar de Paranamirim, Baraúnas, São Gonçalo, Santa Cruz.
AVMAP: Já saber o Hino do Corintians de Caicó?
Gustavo: Ainda não, mas procurarei me informar.
AVMAP: Como entrarás em contato com a família?
Gustavo: Via telefone e internet, emails.
AVMAP: Tem internet em Caicó?
Gustavo: Sim. É uma das maiores cidades do estado e a maior da região do Seridó.
AVMAP: Caneleiro ou Cordeirinho?
Gustavo: Fair Play, porém posso me tornar agressivo caso seja necessário.
AVMAP: Qual teu Pass. Acuracy?
Gustavo: costumo errar poucos passes no jogo. Creio que está por volta dos 80%, mas espero elevar bastante este percentual. O bom passe é uma das minhas principais virtudes no futebol.
AVMAP: Algum recado para os leitores?
Gustavo: Espero que vocês gostem de acompanhar a copa RN 2007 e esse meu começo de trajetória no futebol. Vamos torcer para que o Coríntians consiga sagrar-se campeão gurizada! Toshiro pode esperar novos terremotos em breve.
- Curiosidade Final
Mesmo que meu primo ainda não saiba, existe uma doutrina chamada Caicocentrismo. Mesmo que peque pela criatividade, os defensores de que tudo começa por lá parecem estar armados com bons argumentos, como a lista de atrações do município:
* Carne-de-Sol.
* Festa de Santana.
* Clube Atlético Corintians (o original).
* Uma sombra numa pé de acácia na Av. Cel Martiniano.
* Jogo de bozó nas calçadas.
* Calor da bexiga taboca.
Levei fé.
Texto surrupiado de forma leviana e sem qualquer explicação do insuperável mestre Eduardo Menezes.
O cara entorta um "zagueiro equatoriano" (duas palavras que não cabem em uma mesma frase) na linha de fundo e dá um bico rumo ao nada, que por sorte desvia no zagueiro e sobra para outro jogador concluir para o gol. Resultado:
Pelas manchetes, percebemos que Juan é o único que mantém a sanidade mental.
Numa análise fria do jogo, o Equador foi o vencedor moral. Nas duas únicas vezes que chegou ao ataque no primeiro tempo, teve um pênalti sonegado e uma clara chance de gol invalidada por um impedimento inexistente. Com 1 X 2 no primeiro tempo, a torcidinha vip do Maraca iria para casa ainda no intervalo, criticando a ausência de Kerlon no selecionado.
-Aguinaga

Aqui temos a prova de que os EVENTOS marcados pelo Impedimento não são FALÁCIAS como foi divulgado pelos nossos inimigos na mídia.
Os encontros realmente acontecem e onde quer que nossos leitores se encontrem podemos vê-los desfraldando a bandeira do Impedimento e lutando até a morte por nossos ideais.
Na foto, Izabel e Lila, desbravam o Maracanã para assistir ao jogo entre Fluminense e Corinthians. Diz que no gol de empate dos paulistas, Izabel mostrou uma camiseta com os dizeres "Biro-Biro no céu e Impedimento na terra". Depois do jogo, apesar dos esforços de Lila, Izabel não quis esquentar a chapa em um baile funk.
Sensacional. Obrigado pela colaboração, gurias. E mandem mais.
Saudações,
Douglas Ceconello.
O incrível gol do Lawi F.C.
Em 11 de outubro, o Lawi Futebol Clube, do município de Teutônia, no Vale do Taquari, completa 50 anos de fundação. Com o objetivo de entretenimento dos moradores da Linha Winck, localidade antes pertencente a Estrela, em 1957 um grupo de amigos fundou a agremiação, que ao longo de sua história conquistou alguns títulos, atuando em campeonatos
municipais e regionais de amadores. Atualmente estão em atividade as categorias de aspirantes, titulares e veteranos. Uma das histórias da vida do clube, que a tradição oral manteve como verdade, é a de seu fundador Ewaldo Walter, que também era um dos atleta
do time em seus primeiros tempos. Pois numa partida de futebol de um domingo ventoso, Ewaldo cobrou um escanteio e a bola, leve, ganhou altura, rodopiou no vento e voltou em direção do ponteiro Ewaldo. Este, que avançara para a grande área, só teve o trabalho de cabecear para fazer o mais incrível gol da história do clube. O juiz teve um momento de
indecisão, mas validou o gol.
Colaboração de Nelmo Mädke, de Porto Alegre
Foto: arquivo pessoal de Nelmo Madke
Publicado na seção Seção Almanaque Gaúcho na Zero Hora desta segunda-feira (8/10).
Os torcedores da Geral do Grêmio se auto-denominam "borrachos". E nas vezes que compareci ao setor, pareciam esforçar-se para fazer jus ao apelido, não só pelo gigantesco número de ébrios, mas também pelas faixas e cânticos fazendo referência ao tema.
Não sei qual é a vantagem disso. Seria uma tentativa de emplacar uma alcunha do tipo "leprosos", "canalhas", "milionários"? Se sim, a idéia é pouco criativa: "vamos beber até cair e fazer merdas capazes de prejudicar o clube, para que sejamos conhecidos como borrachos".
Mas a infeliz idéia não é exclusiva. Ontem, vi pela televisão a torcida do Inter com uma enorme faixa estilizada, e os dizeres "Estamos Todos Bêbados". Pergunto novamente: pra que esta bobagem? Na verdade, até faz sentido a tentativa de perder os sentidos (sic), já que a qualidade de ambos os times e deste campeonato que disputam é risível. Só o que falta agora é a brilhante discussão para saber quem foi pioneiro nesta idéia genial.
Minha solidariedade à torcida cruzeirense, que poderia ainda acalentar o sonho do título não fossem as duas derrotas em jogos como local na semana passada. Isto porque o São Paulo desandou de vez e ontem perdeu a segunda seguida, reabilitando o rival Corinthians na fuga do rebaixamento. Em confronto direto pela Libertadores, o Palmeiras não deu qualquer chance para um Grêmio irreconhecível, enquanto o Inter cumpriu sua obrigação.
Às vezes parece que a gente implica, mas Rogério Ceni anda fora de si. No clássico de ontem, contundiu-se ao término do primeiro tempo, mas permaneceu em campo durante toda a partida, mancando após cada lançamento ou chute na bola, em atitude que não posso considerar menos que EMO. Enquanto isto, Felipe se desdobrava para garantir a inviolabilidade da meta corintiana. No final, ainda tocou uma corneta de leve. Ao ser interpelado sobre sua árdua tarde, respondeu: "eu trabalhei mais, mas a que foi lá entrou".
No Palestra, o time paulista não deu chances para o Grêmio e marcou muito cedo, com Caio, de falta. Saja falhou, mas antes disto havia feito duas grandes defesas. Rodrigou anotou o segundo e, durante praticamente todo o jogo, os palmeirenses estiveram próximos de alargar. Valdívia joga muito, é um demônio com a bola no pé, mas gosta de se fazer de donzela e reclamar que apanha. Dribla, apanha, não reclama e SEJE HÔME, Valdívia. Nisto não incluo o lance de Gavilán, que parece realmente ter passado dos limites. Ainda não vi. A boa notícia para o Grêmio é que há apenas três times para duas vagas, pois os que vêm abaixo não mostram forças para subir de forma consistente.
No Beira-Rio, o Inter venceu o América em jogo apenas razoável. Como acontece com as equipes onde o entrosamento ainda é falho, os colorados apresentam altos e baixos com uma intensidade assustadora. Às vezes as coisas engrenam, o time é veloz e prático; em outras, apaga e cede espaços infinitos ao adversário. Bom ver Fernandão voltando a marcar de cabeça no Beira-Rio e jogar com alguma qualidade. Parece estar finalmente recuperado, mas infelizmente já estamos em outubro. Guiñazu simplesmente joga demais, é titular absoluto e candidato a ídolo. Jorge Luís, que estreou, foi bem. Tem qualidade no passe e no cruzamento, é rápido e não deixa tantos espaços atrás. E olha temi pela catástrofe quando soube de sua escalação.
E o Botafogo é a presença da várzea na Primeira Divisão. Ontem chamou Cuca de volta. Realmente, nestas três partidas com Mário Sérgio o time caiu muito de produção se compararmos com a grande apresentação diante do River. Cuca parece ter aderido à onda de miséria espiritual do Botafogo e nem deve se dar conta do quão ridículo está sendo. O Rebaixamento está chamando, já que a diferença da equipe para a parimeira das almas danadas é de apenas cinco pontos, nada se comparada à sede botafoguense pela falência existencial.
Saudações,
Douglas Ceconello.
O futebol anda numa fase tão pastel de rodoviária que às vezes me pergunto qual é a motivação que os torcedores ainda encontram para se emocionar. Uma das coisas que há tempos deteriora o sentimento é a ausência dos ídolos, dos heróis, que vão para a Europa ainda naquela fase do "manhê, vem limpá". Mesmo os melhores jogadores que os clubes criam não chegam a ocupar o posto de ídolo da massa. Quando muito, transformam-se em fenômenos de marketing. Mas há raríssimas exceções, e creio que são elas as responsáveis pelo não esmorecimento total da emoção.
Na sexta-feira da outra semana, no começo da noite, fui a um mercado comprar o que se precisa nestes dias: latas de cerveja e um pacote de Doritos. Estava no caixa, pagando minhas preciosas compras, que somavam 10,75. A atendende pergundou se eu tinha 75 centavos e estendi a mão para mostrar que não tinha. Ela perguntou se uma daquelas moedas miúdas não era de 25. Já meio incomodado, respondi que: "se eu disse que não tenho é porque não deve ser, né, moça?". Atendentes de mercados, fica a lição: nunca contrariem um homem comprando cerveja numa noite de sexta.
Bem, as coisas já estavam na sacola, eu aguardava a nota, quando minha visão periférica denunciou que alguém entrava no mercado. Olhei de relance, olhei para a sacola e imediatamente voltei minhas atenções para o cara que se aproximava, reconhecendo-o de imediato. Senti um calafrio. Abandonei o caixa e meio sem jeito o abordei, largando uma pergunta retórica que tinha a missão apenas de parar a marcha do cidadão.
- Fabiano?
- Oi, cara. Tudo bem?
Em todos os dias de treino que fui ao Beira-Rio, como jornalista ou a passeio, nunca costumei me espantar com o fato de falar com jogadores, mesmo os de grande nome. Geralmente penso apenas que ali está um profissional muito bem pago para representar o Inter e que se ele assim não o fizer terá que acertar as contas com a torcida. Não sou deslumbrado com este tipo de coisa, talvez porque isto esteja acontecendo no presente, que tem menos impacto do que as épocas passadas. Talvez daqui a uns 10 anos eu pense que entrevistei o Alexandre Pato, fenômeno, e então ache isto sensacional. Vai saber.
Mas ali estava eu, paralisado como um guri de 10 anos estaria diante de um ídolo intocável. Como um católico deve se sentir ao encontrar uma autoridade religiosa. De imediato imaginei-o vestindo uma camisa vermelha, que certamente tinha o mítico 7 às costas. Ali estava o homem que venceu jogos que valeram como títulos. O último grande ponteiro do futebol gaúcho, talvez do Brasil. O cara que mesmo gordo, decadente, machucado e fora de forma, anos depois de seu auge ainda fazia o Grêmio temer.
Pensei em dizer que era grato por tudo que ele fez, por ter me dado alguns dos dias mais emocionantes da vida. Mas exatamente o quê? Que imagem poderia representar isto tudo? Poderia ser a sensacional virada contra o Flamengo em 1996, no Maracanã. Ou o Gre-Nal da final do Gauchão de 1997, quando, agarrado ao arame farpado, explodi de euforia num Beira-Rio lotado num julho de renguear cusco. Poderia ser o inesquecível clássico dos 5 a 2, um dos maiores jogos do Inter de todos os tempos.
Mas não foi nada disto. O que me veio à cabeça foi simplesmente Fabiano sendo lançado na ponta-direita de um jogo qualquer e partindo como um tanque para cima do adversário apavorado, enquanto a geral do Beira-Rio toda se levantava e produzia um urro abafado. E por isto me senti grato. Por inúmeras vezes Fabiano partir pela ponta do gramado do Beira-Rio, em movimentos brutos e rápidos que pareciam querer dizer apenas que é bonito de se ver futebol, que nós estávamos juntos amassando todo mundo no tapete verde do Gigante. Tive vontade de agradecer por ter me levantado da geral inúmeras vezes para ver a camisa 7 em disparada derrubando constelações de zagueiros. Perdido, sabendo que era um grande momento, mas não querendo tornar a situação contrangedora, dei andamento ao curtíssimo diálogo.
- Ahn...bom te ver por aí.
- Valeu, cara. Obrigado.
Trocamos um breve aperto de mão e cada um seguiu seu caminho neste mundo de zagueiros e enormes faixas de gramados a serem exploradas.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Apenas para dizer que desejamos um final de semana de plena realização para todos.
Nenhum propósito nesta reunião entre a dupla Gre-Nal, a Federação Gaúcha e o secretário de Segurança, José Francisco Mallmann. No fim das contas ficou decidido que a Brigada Militar continuará fazendo a segurança no Beira-Rio e no Olímpico até o final do ano porque receberá UMA VIATURA como pagamento.
Primeiro a Secretaria de Segurança afirmou que não continuaria mandando tantos policiais para os campos porque os jogos tirariam o efetivo das ruas, como se chovesse policiais em Porto Alegre nos dias sem futebol. A idéia era usar um brigadiano para cada mil torcedores. Grêmio e Inter afirmaram que estão protegidos por uma decisão judicial. A Secretaria de Segurança treplicou declarando que cobraria pelos serviços. Ou seja, se entrar uma graninha, azar que a BANDIDAGEM FAÇA SUA ORGIA (a/c Mendelski).
É um tema que merece discussão urgente e mostra a falência do Bovinão, como diz o pessoal da Nova Corja/A verdade. Ao fim da reunião de hoje, vieram com aquela balela de que todos cederam. Se todos cederam, é muito KY. Na verdade, a Secretaria de Segurança aceitou uma migalha, UMA ÚNICA VIATURA, que deve sair por uns 50 mil, e se deu por contente, pois também não deve ser do seu interesse prolongar o mal-estar com os clubes.
A Brigada ficou como os times do Interior, que vão pedir patrocínio para um fazendeiro e saem carregando uma ovelha viva numa Saveiro. Estou pensando em mandar um e-mail para a Segurança pedindo que mandem um policial dar umas bandas aqui perto de casa. No final do ano, juro que dou um carrinho de mão para a brigada.
E posso dar até uns sacos de cimento se o próprio secretário vier rezar embaixo da minha janela.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Muitos torcedores têm raiva do Corinthians e desejam ver o clube queimar nas mais ardentes labaredas - depois de 2005, principalmente os colorados - mas ninguém pode negar que a vingança veio a cavalo.
Pois vejamos a maldição que se estabeleceu no clube após a confusão no Brasileiro de 2005. No jogo contra o River Plate, já no mata-mata da Libertadores, ficou claro que uma Grande Depressão Alvinegra sucederia a época de enxurrada dos petrodólares e dos craques.
Há muitos indícios da peste desabou no Parque São Jorge após a venda de corpo e alma ao russos. Cito alguns:
1. Fuga de craques, encabeçados por Tevez, todos levados pela mão de Kia.
2. Ver o Inter, vice-campeão daquele campeonato, levantar a Libertadores, principal sonho corintiano, logo no ano seguinte.
3. O tão odiado São Paulo ganha absolutamente tudo.
4. O rebaixamento, assim como a África do Sul, é logo ali.
5. Como se não bastasse sua demência senil, Dualib ainda se propõe a levantar mais e mais suspeitas.
6. Nelsinho "Cabeção" Baptista.
7. O atual presidente do clube afirmou que era PALMEIRENSE até os nove 9 de idade. Não é nem 5 ou 6, mas NOVE. Com esta idade todos já estamos chorando nas derrotas, felizes nas vitórias e criticando o esquema usado pelo técnico.
Mesmo com um arsenal tão violento, não tenho dúvidas de que, para mim, a pior CHAGA é a última.
Saudações,
Douglas Ceconello,
Em 1989, em Buenos Aires, terminou empatada uma partida entre os Argentinos Juniors e o Racing. O regulamento obrigou a defini-la por pênaltis.
O público assistiu de pé, roendo as unhas aos primeiros tiros de doze passos. A torcida gritou gol do Racing. Em seguida veio o gol do Argentinos Juniors, aclamado pela torcida da outra arquibancada. Houve ovação quando o arqueiro do Racing se lançou contra uma trave e desviou a bola. Outra ovação felicitou o goleiro do Argentinos, que não se deixou seduzir pelas caretas e esperou a bola no centro do arco.
Quando foi cobrado o décimo pênalti, houve um ou outro aplauso. Alguns torcedores abandonaram o estádio depois do vigésimo gol. Quando foi cobrado o pênalti número trinta, as poucas pessoas que ficaram dedicaram a ele alguns bocejos. Os chutes iam e vinham , e o empate continuava.
Após quarenta e quatro pênaltis, terminou a partida. Foi o recorde mundial de pênaltis. No estádio já não havia ninguém para celebrá-lo, e nem se sou quem tinha ganhado.
Mais um relato de Eduardo Galeano, em Futebol ao Sol e à Sombra.
Saudações,
Douglas Ceconello
Hoje pela manhã, já quase meio-dia, tentei entrar na sede do Esporte Clube Bento Gonçalves, mas a responsável sentia o estômago lhe chamar para o almoço. Tentarei descobrir algo sobre o clube nas próximas horas, e estou na expectativa de que aconteça alguma pelada nos próximos dois dias.
O amigo Daniel Casso deve me esclarecer sobre a história do clube, bem como me manter informado sobre o calendário futeboleiro da cidade. Tudo isto como um formidável desculpa para tomarmos um veneno na infalível noite sepeense. Ontem teve festa no Clube do Comércio, amanhã há um baile que vai escolher duas dançarinas para algo que não me ficou claro. Pretendo comparecer, tirar fotos e ser expulso. Hoje à noite vou à festa dos 50 anos da Cooperativa Tritícola Sepeense - Cotrisel. Escrevi o texto da revista comemorativa dos 50 anos da entidade e lá estarei para brindar com todos. Genial demais.
Para mim, São Sepé continua sendo uma cidade com maioria absoluta de colorados. Esta foi a impressão que me ficou desde a primeira visita. É impressionante como a rivalidade Gre-Nal também é muito acirrada. Em todo lugar que há uma bandeira de Inter ou Grêmio, outra do rival é colocada imediantamente do lado, seja em casa ou apartamento. Bonito de ver. Na outra vez em que estive por estas bandas, estávamos em Formigueiro, numa reunião da cooperativa. Paulo Santos, diretor da Cotrisel, me apontou um CANHÃO e disse: "quando o Inter foi campeão em 1979, levamos este canhão para o centro da cidade, colocamos pólvora e começamos a dar tiros para comemorar". Chorei fogos de artifício.
Chama a atenção como os motoristas são dementes em São Sepé, apesar dos relativamente poucos carros que transitam pela cidade. Ninguém faz questão de parar em lugar nenhum, não há qualquer respeito pelos pedestres. Como as ruas são bem largas, atravessá-las é uma aventura constante. Hoje pela manhã precisei apressar o passo no susto para não ser erguido por um Opala.
Bem, por enquanto é isto. Tenho uma mulher para entreter, uma cidade para caminhar e uns bares que merecem ser desvendados.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Abaixo seguem os vídeos enviados para nosso breve concurso. Há coisas genias e outras mais geniais ainda.
Votem durante todo o dia. O nome de quem enviou foi omitido para evitar pressão em familiares e amigos. O vídeo vencedor será aclamado o maior de todos os tempos da história universal e quem o enviou ganha uma fita VHS de Top Gun para curtir com a (o) patroa (ão).
Segue:
Este vídeo, pelo conjunto da obra, merece estar na seleção dos melhores. Atenção para os melhores momentos: trocadilho do Léo Batista, entrevista fantástica de Cocada, Andrade pronunciando algum dialeto qualquer e Romário e Renato Gaúcho soltando pérolas.
http://www.youtube.com/watch?v=34sQ4JJ_41I
***
O contestado, desastrado e injustiçado Martin Palermo marca um gol de placa narrado por um argentino de ascendência turca.
http://www.youtube.com/watch?v=R-2mFP5KRnc
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O vídeo abaixo apresenta a subida do Tigre para a primeira em 1979, na Argentina. Destaque para a impagável trilha sonora.
http://br.youtube.com/watch?v=e9LhO1dkQMU
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Colômbia afunda as calça da Argentina nas Eliminatórias para a Copa de 1994. Era o começo da grande decepção da seleção cafetera, um dos maiores times de todos os tempos.
http://www.youtube.com/watch?v=sYFLi7d4JJQ
***
Um clássico do futebol sul-americano e mundial. Zandona coloca Edmundo para dormir seu sono mais profundo.
http://www.youtube.com/watch?v=7b8fdmI2LWw
***
Festa pincharrata em 2006 após uma virada espetacular sobre o Boca Juniors, com direito a golaço de Pavone e delírio vermelho e branco nas arquibancadas.
http://www.youtube.com/watch?v=KkSWuF9l6RM
***
Uma das correrias mais famosas do futebol. Rivelino toma um sufoco dos uruguaios e acaba esfolando a bunda na escadaria do vestiário. Depois ainda há um final de felicidade duvidosa.
http://www.youtube.com/watch?v=eCJObVMNOWI
Saudações,
Dougla Ceconello.
Cedendo à pressão de nossa horda de leitores, propomos a realização de um concurso com os vídeos mais espetaculares sobre o nobre esporte da bola no pé.
O esquema é o seguinte: mandem o dito vídeo para impedimento@gmail.com com uma breve descrição, até cinco linhas, mais ou menos. O prazo vai oscilar com duas possibilidades. Até as 20h de terça-feira ou quando chegarmos a 20 e-mails. Depois disponibilizo aqui todos eles e vamos à votação aberta, porque aqui somos sérios.
Como critérios únicos, o vídeo deve envolver ao menos um time sul-americano e não pode envolver Inter ou Grêmio. Quem desrespeitar isto, acordará abraçado com uma cabeça de cavalo. Devo adiantar que vídeos sobre confusões, brigas e correria terão minha especial simpatia, mas, na verdade, isto quer dizer NADA, e lances bonitos ou compactos de enfrentamentos clássicos também serão tolerados.
Era isto. Youtubem-se e comecem a rezar.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Nunca se esqueçam: na sexta-feira só não vale ficar igual ao Vanucci. Porque ninguém quer virar comida de leões, e a África do Sul é logo ali.
Não consigo evitar de rolar de rir quando vejo o botafoguense anão tendo um APARTHEID NEURONAL, mostrando uma muito falsa irritação com a campanha brasileira e o título da itália. Nenhuma palavra do que ele fala tem qualquer nexo com nada já dito no mundo. No outro dia, afirmou que tinha tomado uns remedinhos e uma garrafa de vinho.
Mas também não podemos negar a maestria do cara em tomar um foguete cavalar e aparecer para apresentar um programa na TV. No rádio até passa, consegue-se ludibriar os ouvintes. Mas na televisão é preciso muita cara dura.
Impedimento apóia Vanucci.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Felipão estava com tanta saudade do seu tempo de bandido do interior gaúcho que resolveu descontar no zagueiro sérvio Dragutinovic.
Ele sentou a mão no defensor, que tentou reagir mas foi parado por aquelas pessoas sem graça que costumam impedir as brigas dentro de campo. Sorte de Felipão, que posou de galo (não que ele não seja) e nem precisou correr (não que ele fosse correr).
Reparem que temos um problema conceitual. Geralmente se fala em violência fora (negativa) e dentro (positiva) de campo. Mas Felipão não é torcedor nem jogador, mas sim técnico, o que deixa o conflito na zona do limbo das trangressões futeboleiras.
Impedimento apóia Felipão (mas eu adoro quando ele não ganha, e sei que é rancor).
(e gora só uso parênteses em 2009, já que os odeio e resolvi usá-los apenas como açoite intelectual e punição contra a minha própria pessoa por tudo que já fiz contra nosso amado idioma)
Saudações,
(Douglas Ceconello).
Estiquei minha estada na capital missioneira para conferir o embate entre os postulantes a vaga no Gauchão 2008: SER Santo Ângelo x Sapucaiense. Só a título de curiosidade, a Sociedade Esportiva e Recreativa Santo Ângelo surgiu, em 1989, da fusão dos 3 clubes existentes na cidade: Tamoio, Grêmio e Elite. Sobre o Sapucaiense só posso dizer que é o time daquela cidade do Zoôlogico que fica entre Porto Alegre e Novo Hamburgo.
Sabe-se lá por que, o jogo estava marcado para as 15h00 sob uma lua que faria Sepé Tiaraju rejeitar o jogo para descansar sob a sombra de um pé de Cinamomo. Mas como indiada pouca é bobagem, rumamos assim mesmo para o Estádio da Zona Sul, eu e meu primo, munidos das latas de bereja que sobraram da churrascada habitual de domingo. Ao chegarmos lá, encontrei um camarada de outras jornadas que insistiu para que fôssemos nas cadeiras. Pensei comigo R$ 8,00 para torrar na Lua de Sepé ou R$ 20,00 para ficar na área coberta das cadeiras? R$ 8,00, é claro. Então o novo comparsa propôs que caso eu fosse nas cadeiras, ele bancava a cerveja no decorrer da partida. Acatei de imediato, óbvio.
Meu primo prefiriu ir nas arquibancadas mesmo e encontrar os amigos da extinta Barra Brava Missioneira.
Fui logo me abancando enquanto o parceria providenciava as Bavarias, quentes. O jogo começou com ambos os times correndo muito, mas sem muita objetividade. Qualquer zagueiro besta que inventa de sair jogando com classe, deveria fazer estágio em partidas válidas pelo Gauchão. Só tenho pena dos gandulas que, a cada 2min, tinham que buscar as bolas fora do estádio dada a quantidade de balões de ambas as partes.
A SER tentava atacar, pressionava, mas faltava o principal: chutar em gol. As esperanças de gol do time missioneiro concentravam-se em Quito e Evandro Brito. O primeiro, destaque nas últimas partidas, me fez lembrar Pedro Junior, fosse pela extrema dificuldade em dominar a bola, fosse pela completa incapacidade de finalizar em gol. Já Evandro Brito, baixinho e atarracado, cancheiro véio do futebol gaúcho, me lembrou Claudio Pitbull: esforçado e peleador, brigava em vão com o zagueiros e não ofereceu risco em momento algum para a defesa do Zoologico.
Nesse cutuca mas não vai, o Sapucaiense assutava nos contra-ataques, que não resultavam em gol graças aos milagres do zagueiro missioneiro, Carlão, o melhor em campo.
Há essa altura eu já tinha abdicado de assistir o jogo e me concentrava nos comentários do TIOZÃO que estava na volta.
- Porra, o Quito não tá correndo nada! Corre seu corno! Agora no intervalo ele toma umas cachaça e volta a mil, tu vai ver só.
Antes de findar o primeiro tempo, o juiz não deu dois pênaltis claríssimos para o Supucaiense. Ao apito do juiz, aquela cena clássica de Gauchão: jogadores do Zoo botando aquela pressão no árbitro, jogadores da SER tirando as caras, Brigada Militar e cachorrada entrando em campo, enfim, estava feito o bochicho, para delírio da torcida e satisfação eterna desse que vos fala.
Terminada a confusão, na saida de campo para os vestiários, o juiz, cercado pelo batalhão de choque foi ovacionado pelos torcedores. O TIOZÃO seguia dando show nos comentários:
- Ô brigadiano, segura bem esse ROTIVAILI aí! Não vá soltar no meu juiz!
O segundo tempo não teve grandes surpresas. A SER insistia nas bolas aéreas sem nenhum sucesso, ao que o TIOZÃO mestre comentava comigo:
- O Aílton está mais bêbado que eu! O que adianta meter bola alta ali no Evandro Brito se o zagueiro deles é uma taquara??? É um REPOLHO contra uma taquara, não vai ganhar nunca.
Pra não dizerem que é mentira aí está o resumo da pelada:
http://www.youtube.com/watch?v=qqzmlhOzVWs
Fabrício Maraschin, o Fino.
- Representante do Impedimento em Santo Ângelo e do Santo Ângelo no Impedimento.

Você já declarou sua independência hoje? Se não, corra e faça como nossos nobres compatriotas fotografados em toda sua espontaneidade BRAZUCA.
Eu mesmo agora estou indo ali na margem do Rio Gravataí para empunhar um espeto com uma picanha e gritar "Cerveja ou chopp!".
Saudações,
Douglas Ceconello.

Não foi por falta de torcida que o Nueva Chicago foi rebaixado.
Cortesia do assíduo leitor Paulo Roberto Sanchotene, que certamente pretendia adocicar nossa visão e tornar mais leves nossas árduas horas.
Sanchotene, "larápio" na visão de seus algozes nos comentários, alerta ainda para a cara do juiz, que parece estar voltando de um churrasco para apitar o jogo e sair imediatamente para outro churrasco.
Agradecemos pela colaboração.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Em 1974, depois de subir muito, Jean Marie Faustin de Godefroid Havelange conquistou a cúpula da FIFA. E anunciou:
– Vim vender um produto chamado futebol.
Desde então, Havelange exerce o poder absoluto sobre o futebol mundial. Com o corpo grudado no trono, rodeado por uma corte de vorazes tecnocratas, Havelange reina em seu palácio de Zurique. Governa mais países que as Nações Unidas, viaja mais do que o Papa, e tem mais condecorações que qualquer herói de guerra.
Havelange nasceu no Brasil, onde é dono da Cometa, uma das principais empresas de transporte rodoviário interurbano, e de outros negócios especializados na especulação financeira e na venda de armas e seguros de vida. Mas suas opiniões são muito pouco brasileiras. Um jornalista inglês, do Times de Londres, lhe perguntou:
– O que mais lhe dar prazer no futebol: a glória? A beleza? A vitória? A poesia?
E ele respondeu:
– A disciplina.
Este idoso monarca mudou a geografia do futebol e transformou-o num dos mais esplêndidos negócios multinacionais. Em seu mandato, dobrou a quantidade de países nos campeonatos mundiais: eram dezesseis em 1974, serão trinta e dois em 1998. E pelo que se pode adivinhar através da neblina dos balanços, os lucros que esses torneios rendem multiplicaram-se tão prodigiosamente que aquele famoso milagre bíblico, o dos pães e os peixes, parece piada.
Os novos protagonistas do futebol mundial, países da África, Oriente Médio e Ásia, dão a Havelange uma ampla base de apoio, mas seu poder se nutre, sobretudo, da associação com algumas empresas gigantescas, como a Coca-Cola e a Adidas. Foi Havelange quem conseguiu que a Adidas financiasse a candidatura de seu amigo Juan Antonio Samaranch à presidência do Comitê Olímpico Internacional. Samaranch, que durante a ditadura de Franco soube ser homem de camisa azul e braço estendido, é desde 1980 o outro rei do esporte mundial. Ambos manejam enormes somas de dinheiro. Quanto, não se sabe. Eles são muito recatados em relação a isso.
Páginas 142 a 144 de Futebol ao Sol e à Sombra (L&PM Pocket, 2004 - 230 páginas), de Eduardo Galeano. Quando fala de futebol, Galeano é respeitável. Esse livro tem muitos textos geniais, sempre vale a pena relembrar.
Amanhã tem mais.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Paradas, apoiando-se no alambrado, dezenas de pessoas aproveitam uma tarde vagabunda e olham atentamente o campo deserto do gramado suplementar do Beira-Rio. Pacientemente, dedos trançados nas grades, elas aguardam a chegada parcial dos jogadores, que treinarão movimentações táticas e conclusões. Não é véspera de jogo decisivo nem o dia seguinte de uma vitória significativa.
Quando boa parte do grupo de atletas já corre pela grama tipo bermuda, um senhor pára ao meu lado e diz, olhando para frente:
- Olha a barriga desse Pedro. No Vitória, corria e fazia, jogava bem. Aqui, a noite pegou ele.
Aguardei um instante para confirmar que o instigado era eu, pois no aperto da grade era difícil saber quem falava com quem.
- Deve conhecer cada palmo da Goethe - disse, tentando novamente iniciar a conversação
Percebendo minha receptividade, o senhor de boné e rosto franzido afirmou que os jogadores de times pequenos não sabem aproveitar as chances, se deslumbram com a estrutura dos clubes grandes. Apontou aqueles que mandaria embora e outros que merececiam continuar no Inter. Utilizando argumentos convincentes, previu que se o time do Beira-Rio passar 2005 sem algum êxito, um mínimo de mais dez anos será necessário para alguma tentativa de redenção. Fixou os olhos no gramado e ficou perdido em divagações, acompanhando o desempenho dos jogadores em chutes e cabeceios. Subitamente, virou-se para mim.
- O que tu faz?
Ao ser informado de que eu estudava Jornalismo, seu Altemir, surpreso, afirmou: “Então, tu precisa ser um jornalista de impacto”. E, desdobrando um exemplar do Diário Gaúcho, procurou os textos dos colunistas esportivos. “Olha, se tu pegar os jornais do mês inteiro, vai ver que é sempre a mesma coisa. Tu vai ter que fazer diferente, porque os meus filhos não lêem esse tipo de coisa. Esses caras do rádio e da TV não vão durar para sempre. Olha o Neto, o que é aquilo?”
Depois de mais uns instantes de conversa, criticava com autoridade os jogadores e lembrava de bons tempos idos. Eu tapava o sol com a mão e olhando o campo por baixo. Ofereci uma carona até a Avenida Protásio Alves, onde ele pegaria o ônibus para o Bairro Mário Quintana. Acomodado e dispensando de todas as formas o uso do cinto de segurança, disse que os jovens não se interessam mais por rádio ou jornais, principalmente pelo jornalismo esportivo de futebol. “Mas esses caras do rádio não vão durar para sempre”, fazia questão de frisar, como se tivesse informações cabais sobre uma situação que se revelaria num futuro próximo.
Pai de um talentoso zagueiro de oito anos de idade, Seu Altemir teme que as crianças percam o interesse pelo futebol. “Hoje é muito melhor ler as notícias sobre basquete ou vôlei”. Quando desembarcou na Avenida Ramiro Barcellos, perto do Hospital de Clínicas, despediu-se de forma simpática. “Foi bom falar contigo, mas não esquece o que eu te disse. Sorte”. E se foi embora, preocupado com o futuro do futebol e torcendo pelo fim dos “caras do rádio”.
****
Texto escrito em agosto de 2005 sobre uma passagem ocorrida em algum mês do primeiro semestre do mesmo ano. Do nada, achei por aqui. Não publiquei em lugar nenhum e depois esqueci. Agora que me deparei com ele, achei legal compartilhar. Grande pessoa, o Seu Altemir.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Loucura sem precedentes. O advogado Nelson Paviotti só usa as cores verde, amarela, azul e branca desde a Copa de 1994. Antes das quartas-de-final contra a Holanda, ele prometeu que se o time de Parreira fosse campeão, só se vestiria assim morrer.
Segundo ele, não é sacrifício cumprir o prometido porque "estamos falando das cores que simbolizam o Brasil", e o desempenho da $eleção nos Estados Unidos "trouxe mais otimismo e o patriotismo que faltava ao país". Ele esqueceu de citar que o time de Parreira trouxe muitas outras coisas, muitas das quais quase ficaram presas na alfândega.
A matéria toda é um primor e aconselho fortemente a leitura, mas o final é essencial para o ensinamento do bom jornalismo. Já encaminhei para as faculdades, sugerindo um seminário para cada parágrafo. Juntos, formarão a disciplina de "Desconstrução objetiva da realidade nacional". Segue:
O fusca do advogado, ano 1982 e batizado de Fafá de Belém, não escapou da promessa. As cores da bandeira estão na lataria, interiores e no verde musgo do insufilme. O motor 1.600 cc também recebeu retoques de tinta.
Uma foto da cantora Fafá de Belém vem colada na traseira do veículo abaixo da inscrição "Consulte sempre um advogado". A artista Fafá foi associada popularmente aos modelos de fusca fabricados com lanternas mais avantajadas.
Paviotti é fã da cantora Fafá de Belém e admira sua participação ativa na história do Brasil. "Meu sonho é um dia conhecê-la pessoalmente", confessa. Ele destaca o engajamento da cantora no cenário político como no período das Diretas Já e a sua homenagem emocionada durante visita do papa João Paulo II.
O outro carro de Paviotti, um fusca 1972, não escapou da obsessão. Batizado de Romário, o veículo aguarda uma revisão, mas não será aposentado, assim como o atacante da Copa de 94.
Adepto das manifestações de alegria, Paviotti costuma ser visto nas ruas de Campinas durante os desfiles de Carnaval. Certa vez, em concentração no City Bar, Paviotti chegou vestindo um modelo árabe com muitos panos verde, amarelo, azul e branco.
O fusca Romário, convocado ao desfile noturno das escolas de samba, foi pintado com os nomes dos jogadores na lataria. "O nome do técnico era no motor, para aquecer. O jogador da defesa, no teto. Os da linha, no capô. O goleiro nas duas portas para não deixar abrir o gol", conta o advogado.
Muita delícia, não? Não sei quanto a vocês, mas a mim ele lembrou o VISCONDE DE SABUGOSA.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Romário não se cansa de ser homenageado. Desta vez, foi agraciado com uma estátua de bronze em São Januário. Merecido. Mesmo tendo jogado por Flamengo e Fluminense, o atacante quase aposentado disse que a estátua está no lugar certo, perto do campo onde sempre amou atuar. Tá, muito bonito, mas agora pára.
Saudações,
Douglas Ceconello.

UFA!. Depois de momentos de extrema angústia, muitos cigarros e clicadas em atualizar, eis que ressurgimos do inferno. Não dá nada que perdemos milhões dos nossos patrocinadores. O que importa é colocar logo no ar os palpites da Loteca para que todos corram à lotérica mais próxima e fiquem livres para as sacanagens de sexta-feira. O concurso 278 paga a miséria de R$ 250 mil, que serão integralmente investidos por nós na aquisição de reforços para o Esportivo.
Então vamos logo antes que os sistemas da Califónia peguem fogo novamente.
1 BOTAFOGO/RJ INTERNACIONAL/RS DOM
Coluna do meio. Jogo totalmente imprevisível, com dois times buscando o gol. Aposto no empate, mas é possível que qualquer um vença. 2 a 2.
2 PALMEIRAS/SP FLAMENGO/RJ DOM
Coluna 1. A grande pergunta é se Caio Júnior vai engraxar a prancheta de Jejão ou se Jejão vai engraxar os óculos de crítico de teatro de Caio Júnior. O Flamengo venceu duas seguidas. Três seria contrariar a lógica. E chegou a hora do Palmeiras vencer o trauma de jogar no Palestra. 2 a 1.
3 CRUZEIRO/MG FLUMINENSE/RJ DOM
Coluna do meio. Chegou a hora de o Cruzeiro tropeçar. O Fluminense ainda merece um mínimo de respeito. Mas são dois clubes que costumar me ferrar nas apostas. Já perdi vultuosas somas por culpa deles. 1 a 1.
4 GOIÁS/GO SÃO PAULO/SP DOM
Colunas do meio e 2. Apesar da boa campanha, o Goiás é um time bem vagabundo. O São Paulo também não enche os olhos de ninguém, mas será o vencedor, caso haja um.
5 CRICIÚMA/SC PORTUGUESA DESPORTOS/SP SÁB
Coluna 1. Barbada. O PODER DO CARVÃO anula os adversários. E a Portuguesa não subirá nesta temporada. 2 a 0.
6 SANTOS/SP SPORT/PE SÁB
Coluna 1. O Santos vence apertado. Aliás, jogos na Vila Belmiro contra adversários médios ou pequenos são palpites quase certos, mas estes dias o Náutico provocou inúmeros suicídios de apostadores. A moça esbela e loira da lotérica me disse que muita gente deixou de acertar por causa daquele jogo. Eu menti para ela que tinha sido um deles. 1 a 0.
7 NÁUTICO/PE ATLÉTICO/MG DOM
Coluna 2. O Náutico já fez sua parte e o Galo ainda está sobre o efeito da Terapia do Joelhaço imposta por Émerson Leão. 1 a 2.
8 CORITIBA/PR SANTA CRUZ/PE SÁB
Coluna 1. Barbada. Coritiba goleia sem piedade. 3 a 0.
9 FORTALEZA/CE MARÍLIA/SP SÁB
Coluna 2. Vitória do Marília, que faz grande campanha mas precisa se recuperar da derrota em casa para o Coritiba. 1 a 2.
10 PONTE PRETA/SP REMO/PA SÁB
Coluna do meio. A Ponte Preta adora tropeçar em casa nos momentos mais inoportunos. 1 a 1.
11 ATLÉTICO/PR FIGUEIRENSE/SC SÁB
Coluna 1. O Atlético está com a corda no pescoço e esta é a hora de vencer. O Figueirense é um adversário convidativo para uma recuperação. 2 a 0.
12 GRÊMIO/RS PARANÁ/PR SÁB
Coluna do meio. O Paraná não costuma tomar muitos gols, o Grêmio não costuma marcá-los. Empate em zero.
13 VASCO DA GAMA/RJ AMÉRICA/RN DOM
Coluna 1. Bom, talvez seja o jogo mais fácil da rodada e, por isto mesmo, o mais perigoso. Mas não há como, de qualquer forma, nem sob tortura, acreditar no América de Christmas. 3 a 1.
14 JUVENTUDE/RS CORINTHIANS/SP DOM
Coluna do meio. Ô joguinho fiadasputa. Mas o Corinthians já venceu uma fora, é provável que se resguarde, enquanto a equipe polentudista não conseguirá vencer por ruindade mesmo. 0 a 0.
Corram às lotéricas, paquerem as atendentes e pensem positivo na hora preencher os espaços.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Há exato um ano, também por volta das dez da manhã, eu acordei com a coluna estropiada no sofá. A primeira coisa que pensei foi que não queria ter acordado, se pudesse pularia aquele dia e despertaria apenas em 17 de agosto. Acho que fazia algum frio, certamente chovia, mas de forma preguiçosa. Liguei no Sportv, que já estava transmitindo direto do Beira-Rio.
No curto tempo em que permaneci deitado, pude perceber o quão diferente seria aquele dia. Nada mais precisava ser feito até que Elizondo erguesse o braço por volta da meia-noite. Nada podia seri feito. Qualquer coisa que não considerasse o embate gigantesco entre Inter e São Paulo não constava na angustiada pauta do dia.
Mas era preciso - e inevitável - pensar. Dois grandes panoramas se colocavam e aguardavam as nuanças que nunca permitem flertar com advinhações. Um era O desafogo, tão grande e tão feliz que se confundiria com um sonho de um sono bêbado. O fim da maldita flauta de não passar do Mampituba, com milhares de bônus extras, já que passaríamos também do Rio da Prata, da Cordilheira dos Andes, da Tríplice Fronteira, do Tietê, e sei lá que mais. O outro era o lado negro da força, o pavor, o medo e a necessidade de se continuar vivendo depois de uma derrota. A derrota.
A única certeza era que seria desfeito o estado profundo de ansiedade pelo qual estava passando há semanas. Impossível não imaginar os diversos desfechos cabíveis para aquela noite perdida nos séculos, pequeno espaço de tempo que ainda servia de obstáculo para o passo mais alto do Colorado e sua multidão de doentes incuráveis. Uma noite de agosto para o mundo. A noite para nós.
Fui cedo para o estádio, fiz questão de percorrer a pé os cerca de 4 quilômetros que separavam o trabalho da arena dos prazeres desconhecidos. Tentava registrar tudo, o momento, as pessoas, as bandeiras nas janelas, os ambulantes, a comoção da torcida nos menores gestos. Eu tinha que gravar aquilo tudo, era meu dever passar todas as impressões no futuro breve e no futuro distante, tamanho era o privilégio que sentia por viver aquele momento tão aguardado desde sempre, tão sonhado, pensado e ansiado desde tempos imemoriais, começado pelos irmãos Poppe, escapado de Falcão e desperdiçado por Nílson.
Entrei no portão 2 quando faltava pouco para iniciar o jogo. Tantas pessoas aglomeravam-se naquele setor que a arquibancada inferior apresentava vazios. Dividi com mais duas pessoas um lugar onde eu não cabia. A tensão no estádio era visível e representava-se poeticamente na colcha de fumaça dos fogos que se colocava no limite superior do estádio. A torcida queria gritar, mas não conseguia, era sufocada por cada mínimo movimento no campo. Como a vantagem era do Inter, os 90 minutos serviam bascamente como uma contagem regressiva infernal.
Ali estava eu, entre 57 mil colorados, no mesmo estádio em que vi uma partida contra o Esportivo em 2002, num frio de rachar, quando ganhar um Gauchão já estava mais do que bom. Eu contra o Confiança. Eu contra o Gama. Pois. Quando o intervalo chegou e nos passou a falsa impressão da tranqüilidade, um guri de uns dez anos olhou para seu pai, com os olhos faiscantes e todo o assombro do mundo na voz: "pai, a gente vai ser campeão da América...". Mas ele não era bobo, não queria dar mole para o azar e resolveu não enfrentar sozinho o segundo tempo. E sumiu. Depois de instantes, o pai percebeu a ausência e se apavorou. ""Tu viu ele? Cadê o guri?". Procuramos entre pernas e vultos, eu achei. O piá estava sentado uns degraus acima, com a cabeça baixa. Nas mãos firmes, um santinho, que, vejam só, tinha mesmo a estampa de uma santa. Eu quis entrar no concreto. "Pelo amor de Deus, não acabem com a vida desta criança", pensei.
O jogo recomeçou. Lá pelas tantas, o São Paulo empatou, Tinga marcou e foi expulso, o ferrolho foi armado. Faltavam 20 desgraçados minutos. O São Paulo empatou de novo. E os oito minutos seguintes foram o maior desafio ao entendimento sobre o funcionamento dos relógios e do tic-tac dos ponteiros em todos os tempos. Todos vestíamos camisas 3 e 4, comemorando e nos aliviando até com arremessos laterais. E veio aquela seqüência de escanteios nascidos no inferno. Teu time precisando não levar gol. Final de Libertadores. Se mira o se toca?. 48 do segundo tempo. Lembrei de um torcedor no final de um jogo contra o Cruzeiro em 2002, resultado que praticamente rebaixava o Inter. Ele carregava um cartaz: "Colorado até o fim". É isto, meu velho. Nunca me esqueci do teu cartaz e sempre te respeitei por ele. Por tudo que houve e haveria de sagrada, que a bola explodisse no quarto de círculo, e todas as outras sumissem. Até hoje me pergunto como sobrevivi àquele jogo, 93 minutos de taquicardia. Então, Elizondo ergueu seu braço sagrado, e o que senti foi O alívio. Fracassos, pequenos colorados tristes, Felipão e Olímpia, tudo arrancado das costas.
Não pensava em fazer festa, simplesmente tinha racionalizado demais, queria aproveitar tudo, olhar ao redor, ver as mínimas reações em todos os semblantes. Queria sentir a leveza e a resposta dos músculos que relaxavam como se eu tivesse consumido 30 quilos de Dorflex. Mais do que cair na farra, eu tinha a missão de chegar em casa e dar um abraço no meu pai. O abraço no sortudo filho da puta que trabalhou de garçom na Churrascaria Saci de 1973 a 1981. Em 2005, ele tinha sido consumido pelas chamas com a perda do título brasileiro. "Eu estive nos três, mas queria que tu e teu irmão vissem". Pois é, ficamos sem aquela taça, não vimos. Mas nada nunca vai pagar o que ouvi já na madrugada do dia 17, no meio de um tríplice abraço: "Isto nem eu tinha visto, e estamos vendo juntos!".
Fui dormir às seis da manhã, reconstruindo mentalmente todo aquele dia, todos os anos desde 1986, quando comecei a sentir o futebol, mastigando com calma cada derrota e pensando "puta merda, como a gente se ferrou", e ria. Tudo estava justificado. Então dormi, já ansioso para acordar pela manhã, pegar um café e abrir o jornal.
Saudações,
Douglas Ceconello.
O futebol carioca consegue ser engraçado mesmo quando seus personagens se desentendem. "Renato tem de engraxar minha prancheta", afirmou Jejão Santana sobre as recentes declarações de Renato Gaúcho, treinador do Fluminense.
O comandante tricolor afirmou dia desses que nunca tinha visto O Poderoso Jejão levantando uma taça de campeão. Ao melhor estilo "assim magoa o papai", Joel rebateu as críticas: "É só ver os números. Ele tem de engraxar minha prancheta", afirmou, em tom de GALHOFA.
No fim, todos aderiram ao espírito da Cidade Maravilhosa. Renato havia afirmado que conquistou muitos títulos como jogador, ao que Jejão respondeu: "Se ele conquistou muitos títulos como jogador, tem de ver o outro lado. Veja aí quantos títulos eu já conquistei. Foi uma brincadeira sadia dele, não vi maldade", concluiu o técnico que certa vez, quando treinava o Inter, disse que era igual ao Schumacher: só gostava de andar na frente. Largou o Inter quase rebaixado.
A esta hora é provável que os dis estejam bem instalados numa mesa de uma calçada qualquer, degustando chopps com bolinhos de bacalhau e falando mal da imprensa.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Richarlyson falou no Fantástico, tentando dar um fim à polêmica em que está envolvido. É óbvio que não encerrou nada, nem conseguirá por muito tempo. Porque o tema é um dos maiores tabus do futebol e acabou envolvendo - de forma voluntária ou não - mais gente.
Primeiro faço questão de dizer que o meia são-paulino está jogando muito, talvez passe pela melhor fase da carreira. O que ele faz, com que parte do corpo faz e com quem escolhe fazer é problema dele, e deve ser compreendido. Assim seria se ele fosse político, lixeiro, pedreiro, dramaturgo. Ou jogador de futebol.
Toda esta situação gerou coisas constrangedoras. Richarlyson acionou na justiça o dirigente palmeirense José Ciryllo Júnior, que teria feito declarações preconceituosas. Assisti aquele programa, e percebi que o velhote entrou muito mais como vítima do que como algoz. Porque Milton Neves e seus asseclas claramente sugeriam que o jogador possivelmente gay era Richarlyson, mas, malandros que são, não explicitavam. Então perguntaram ao cartola palmeirense se no Palestra havia algum atleta homossexual. O cara afirmou, quase inocentemente: "o Richarlyson quase foi do Palmeiras". E todos caíram na gargalhada. Era uma armadilha só não mais boba do que o dirigente.
Depois veio aquela sentença do juiz-dinossauro Maximiano Junqueira, que ao invés de propor um desfecho acabou tentando apagar o incêndio com gasolina. Um descalabro, realmente. Engraçado, é verdade, mas absurdo. Não me surpreendeu em nada, vivendo num país onde parlamentares serram pessoas ao meio, advogados mancomunam-se com presidiários e magistrados vendem sentenças para qualquer vagabundo do crime organizado.
A história toda é rica em palhaçada, humor involuntário, moralismo barato e preconceito pesado. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o comentário de Juca Kfouri ontem no programa Linha de Passe, da Espn Brasil, de que a torcida Independente do São Paulo estaria ignorando o jogador e nem citava seu nome na tradicional saudação feita aos atletas antes dos jogos. Confesso que fiquei triste e, talvez pela primeira vez desde que a história começou, me senti solidário ao jogador. Porque deve ser difícil para um atleta ser vaiado por ter um desempenho ruim, mas não ter seu nome sequer citado por sua torcida por um motivo destes é uma maldade muito grande. E justamente ele, que há tempos está no São Paulo, já teve momentos importantes, parece sempre jogar com gana. Coitado.
Sei que para os são-paulinos esta história deve ser difícil de engolir, pois caiu como uma luva para as intenções dos rivais futebolísticos, sempre atentos e gozadores. Não é de hoje que o São Paulo é tido pelos outros torcedores como time de bambis. Eles percebem no clube do Morumbi uma homossexualidade futebolística.
Preciso dizer, caros são-paulinos, que imolar ou ignorar Richarlyson não vai aliviar a barra de vocês, porque, pasmem, a gozação e a imposição do adjetivo "bambi" tem muito pouco a ver com a opção sexual. É mais por uma frescura e aristocracia barata que o clube do Morumbi faz questão de ostentar. É por ser o mais rico, por já ter perdido decisões para todos os outros, por ter um goleiro que bate faltas e canta Nando Reis, por firmar contratos com a Turma do Pernalonga. É por faltar alma nesta torcida de final de Libertadores.
Para encerrar, apenas uma questão: por que vocês não ignoraram Rogério Ceni quando, num ato falho generoso com os rivais, ele disse que o time BAMBEOU ao não conseguir segurar um resultado? Porque ele cobra faltas? Porque canta Nando Reis? Ou porque ele é branco? Bem, mas daí já estamos mudando de preconceito e seria necessário outro post.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Morri, ressuscitei, morri e nunca mais voltarei. O jornalista Luís Carlos Reche em chamas na abertura do programa Preliminar, às 13h15, na Rádio Guaíba AM, saudando o Dia dos Pais: "Por mais CRÁPULA e SEM-VERGONHA que ele seja, tente esquecer isto ao menos hoje e se reaproxime, tente dar um abraço nele. Só quem já perdeu, sabe o valor".
E depois de tocar uma música muito constrangedora, ele emenda: "E o paizão Abel está de volta". Único jornalismo possível.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Definitivamente, o Inter é um clube que tenta fazer do absurdo um método. Menos de quatro meses depois de deixar o clube, o admirável, impagável e por vezes intragável Abel Braga está de volta.
A decisão de demitir Gallo pagou a todos de surpresa, sua queda era esperada apenas em caso de uma derrota para o Goiás amanhã. Depois de permanecer em Porto Alegre, negar algumas propostas, viajar pelo mundo e acordar ao meio-dia, Abel Braga volta ao clube onde teve um passado remoto trágico, um passado recente brilhante e um passado imediato ridículo.
Considero um erro. Abel Braga deveria ser entendido como uma página virada na vida do clube, uma bonita trama de ascensão, queda e redenção. O Inter deveria partir para algo novo, pois Abel saiu muito desgastado do clube. Ao invés de sair por cima, em dezembro de 2006, ele permaneceu para escalar Michel e deixar Pato no banco.
Já em 2005 temi que Abel Braga estragasse um projeto iniciado em 2003, que culminou com o vice-campeonato do conturbado Brasileiro de 2005 e com a vaga na Libertadores. Mas estava escrito em alguma parte do concreto do Beira-Rio que Abelardo retornaria para viver os dias mais felizes dos colorados.
Vejo Abel Braga como uma pessoa admirável, gosto de sua sinceridade e da doação com que dirige seus clubes. Me emociono com suas demonstrações de amor pelo Inter, acredito nelas, nunca vou me esquecer dele saltando sobre um monte de jogadores no Gre-Nal do século, nem do estado de pré-enfarto captado pelas câmeras na final da Libertadores. Mas ele é louco, e geralmente toma decisões muito absurdas, fechando os olhos para as escolhas razoáveis.
Quando saiu do Inter no meio deste ano, achei que já tinha ido tarde, que o clube tinha estragado todo o planejamento para 2007, mas fiquei preocupado com o substituto, e até acreditei em Gallo como um bom nome, o que se mostrou errado no médio prazo. Se o Inter estivesse num mau momento, mas Gallo fosse racional para manter um time e escalar certo, acho que deveria ter continuado. Mas ele mostrou ser ainda mais louco que Abel, e pediu para ser demitido.
Agora aí está Abel de novo. Nem sei o que falar direito, mas acho um erro, uma situação meio varzeana. Giovanni Luigi perde força na direção do futebol, pois havia deixado claro que Abel mandava no vestiário. Não sei onde vamos parar, nós colorados, mas será em algum lugar entre o 4-2-4 ensandecido e a disputa pelo tetracameponato.
Saudações,
Douglas Ceconello.
É nosso dever moral manifestar extrema discordância em relação a esta lista ignorante sobre os jogadores mais temidos da história do futebol. Como se não bastasse a presença de um espanhol - logo, maior perdedor do esporte - no topo da lista, também são escassos os sul-americanos e não há qualquer brasileiro.
A maioria dos citados não tem qualquer relevância e certamente é produto de marketing. Dar voadora em torcedores não é um motivo para ser temido, mas sim ridicularizado. O negócio é fazer o adversário tremer e, depois disso, sim, expandir o horror para qualquer canto do estádio, QUIÇÁ da SOCIEDADE. Tivessem um pouco mais de sabedoria colocariam todo o time do Estudiantes da década de 1960. Está aí uma idéia, fazer uma lista de agremiações.
Apenas para citar alguns dos que passaram pelas bandas de Brasil, senti absoluta falta de Dinho, Figueroa e dos irmãos Pontes. Também poderíamos citar Rincón, que está encarcerado por ligações com o narcotráfico, e Mancuso. Na América do Sul, Schiavi dos tempos do Boca, Simeone e outros tantos.
Mas tudo bem. É uma lista feita por lunáticos mesmo, não merece muita atenção. Prefiro o excelente texto que o Alexandre Rodrigues escreveu sobre o assunto.
Fiquem à vontade para apontar os seus malditos.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Até que enfim. O Conselho Deliberativo do Corinthians afastou Alberto Dualib e Nesi Curi, respectivamente presidente e vice do clube. O próximo passo é oficializar as acusações e partir para a investigação. Se Dualib renunciar, eleições serão convocadas em 30 dias. A torcida corintiana aprovou.
Dualib foi afastado por, no mínimo, 60 dias. Caso não renuncie, Clodomil Orsi, que assumiu na segunda-feira após solicitação de afastamento de Dualib e Curi, permanece à frente do clube, e dependerá do Conselho aceitar o pedido de impeachment. Uma comissão com 5 conselheiros será formada para colher provas contra a administração, que serão somadas às denúncias do Ministério Público e da Polícia Federal.
Aos gritos de "Fora Dualib", cerca de 600 torcedores fizeram muito barulho e depois comemoraram a decisão. Até levaram para o local uma cadeia móvel, onde colocaram pessoas identificadas como Kia Joorabchian, Carla Dualib e Wadih Helu.
Apenas desejo que tenham a mesma postura quando aparecer o próximo playboy usando cinco identidades e disposto a investir mundos e fundos no time sem prestar qualquer esclarecimento sobre a origem da grana.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Dunga convocou os 22 jogadores que integrarão a seleção brasileira na BATALHA contra a Argélia. Camus confirmou presença no gol. O anão safado muito reclamou, mas acabou abrindo las pernitas e chamando o vice-campeão mundial de clubes Ronaldinho e Kaká. O time brasileiro enfrenta os argelinos em 22 de agosto, na França. Hoje foi confirmado mais um amistoso, este um pouco mais decente, contra os mariachis do México, em 12 de setembro.
Segue a relação dos caçadores de níqueis da CBF e os comentários por posição.
Goleiros
Doni (Roma-ITA)
Júlio César (Inter de Milão-ITA)
Doni não merece ser titular nem da VIDA DELE. Além disso, tem cara de cachorro de desenho animado. Júlio César é um bom goleiro.
Laterais
Daniel Alves (Sevilla-ESP)
Gilberto (Hertha Berlin-ALE)
Kléber (Santos)
Maicon (Inter de Milão-ITA)
Maicon tanto faz como tanto fez. Mas Gilberto está muito velho e Kléber só serve para amistosos porque é baita pipoqueiro. Daniel Alves merece a famosa seqüência de jogos.
Zagueiros
Alex Silva (São Paulo)
Juan (Roma-ITA)
Lúcio (Bayern de Munique-ALE)
Naldo (Werder Bremen-ALE)
Não vejo muitos motivos para Alex Silva ser convocado. Gosto dos outros três defensores.
Volantes
Fernando (Bordeaux-FRA)
Josué (São Paulo)
Lucas (Liverpool-ING)
Mineiro (Hertha Berlin-ALE)
Barbarica. Do Fernando eu nem sei o que falar. Josué só funcionava com Mineiro, que é bom jogador, mas também meio ancião. Lucas merece, deve ser titular nos próximos anos.
Meias
Diego (Werder Bremen-ALE)
Elano (Manchester City-ING)
Júlio Baptista (Real Madrid-ESP)
Kaká (Milan-ITA)
Ronaldinho (Barcelona-ESP)
Diego e Júlio Baptista são boas alternativas. Elano não faz qualquer sentido, jogadorzinho meia-boca. Senti falta de Andershow e Daniel Carvalho. Kaká e Ronaldinho mostram que atualmente são maiores que a seleção e podem fazer Dunga de gato e sapato. Será que não poderia esperar um pouquinho mais para chamá-los, quem sabe fingir que estava brabinho e que tem alguma autoridade? Por outro lado, não os culpo. O respeito que eles demonstram pela seleção é exatamente o que ela merece depois que virou um bazar de brinquedinhos brilhantes que corre o mundo.
Atacantes
Rafael Sobis (Betis-ESP)
Robinho (Real Madrid-ESP)
Vagner Love (CSKA Moscou-RUS)
Cadê o Afonso? Já foi vendido? O Robinho eu já esperava, já que ele representa toda a famigerada malemolência do futebol braisileiro. Mas todos sabemos que ele rende mais quando Diego chega infiltrando por trás. Vagner Love não faz sentido algum. E, Sobis, bem não vejo ele jogar há algum tempo, não sei como está. Mas tenho um compromisso de sempre elogiá-lo pelos próximos 90806 anos.
Quem se morram todos, no mais.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Sem dúvida, este zagueiro do time júnior do Cruzeiro é quem mais entende o Armando Nogueira. Tem é que dar espetáculo, nem que seja para perder. Lance espetacular, melhor só se fosse com o Robinho.
Era a final da Taça Belo Horizonte, no último domingo. No tempo normal, houve empate de 1 a 1. Na decisão por pênaltis, o Flamengo levou o título.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Que Alexandre Pato seria negociado ontem, os mais atentos sabiam. O que pegou a todos desprevinidos foi a exigência do Milan de levar o atacante imediatamente. Mais um fato que comprova a natureza absolutamente sodomita dos negócios no futebol atual.
Mas a princípio era simples assim: quem pagasse a multa, levava. O Milan pagou a rescisão de 20 milhões de dólares e tem o direito de contar com Pato agora. No entanto, um acordo entre Inter, o jogador e seu empresário, Gilmar Veloz, desencadeou um leilão pelo atleta. Na Itália, especula-se que o Inter tenha levado 22 milhões de euros. Que trabalhão dá ser empresário, hein, Gilmar Veloz? Na minha condição de sócio, exijo saber qual é o exato valor e onde será investida esta grana - tá, esta parte é piada.
Mas, dentro da ótica dinheirista, o clube de Milão faz muito bem, preserva seus interesses. Mesmo que Pato só possa atuar a partir de janeiro, ele tem apenas 17 anos. Neste tempo de folga, quando participará apenas de alguns amistosos, o jogador poderá se adaptar ao país e a sua língua, e não correrá o risco de ser seqüestrado, baleado ou quebrado neste estranho território chamado HEMISFÉRIO SUL.
Alexandre Pato tem tudo para ter uma carreira excepcional, pode se tornar um jogador de exceção. Qualidade, velocidade, força física, chute potente, capacidade de improviso e bom cabeceio. Após o deslumbramento inicial, embaixadinhas e algumas firulas desnecessárias, ele aprendeu a se comportar como aquilo que esperávamos: um goleador que usa sua técnica com o único objetivo de marcar gols. Hoje o que poderia ser considerado supérfluo no seu estilo praticamente inexiste. Mostrou isto nos dois últimos jogos em que foi às redes, contra Paraná e Corinthians. Um toque na bola, não raro já driblando o zagueiro, e a paulada fatal. Matadores de verdade não pensam na hora de marcar gols. Pato é assim, e que vai acontecer nos próximos anos só NERO sabe, mas o guri tem tudo para ser um fenômeno.
É claro que esta atual situação não deixa de dar muito nojo . Pato surgiu em novembro de 2006, fez apenas 27 jogos com a camisa do Inter, perdeu alguns meses nas seleções sub-vida adulta e no banco do Abelão, e já se vai para outras bandas. O torcedor não quer saber de euros, dólares, Berlusconi ou CLAUDIA CARDINALE, ele está preocupado com quem vai fazer os gols, já que Christian anda numa fase (terminal) de TRANCA-RUA, Fernandão ainda se recupera do CÚBIS e Iarley não é exatamente um matador. Quem sabe 1 milhãozinho para ter Sóbis de volta? Conhecendo a direção atual, é mais crível aguardar ALE MENEZES.
Agora só resta lembrar, caros amigos.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Para que os dirigentes do Atlético-PR acabem de uma vez com essa frescura, uma amostra do que é violência dentro do campo, em jogo entre Argentina e Peru pelas Eliminatórias para a Copa de 1986. O resto é "vem cá, minha nêga".
O que aconteceu no jogo do Olímpico no último sábado esteve absolutamente dentro da normalidade. Mas os jogadores levaram azar. Jogadas bem mais grosseiras acontecem trolhocentos milhões de vezes e quase todos saem ilesos. É claro que neste conceito não incluo lances como o do vídeo abaixo. Sensacional, por sinal.
Para mostrar que não se trata de perseguição contra os paranaenses, vejam este vídeo abaixo, onde o defensor chega em Anderson de forma dura, mas não desleal. O ex-jogador do Grêmio se lesionou e ficou um baita tempo parado. Acontece.
E agora, de uma vez por todas, parem com esta choradeira, porque já está ficando constrangedor. Que gente fresca, é só dar uma apertadinha, escorrer um sanguinho, e a gritaria está formada. O vôlei é logo ali, e tem uma rede no meio para proteger.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Ele está de volta. Ele não fica desempregado.
Ganhar títulos estaduais por todos os clubes grandes do Rio de Janeiro garantiu emprego até o fim da vida para o Tio Jejão, que retorna ao Flamengo e aumenta o horror da torcida rubro-negra, rumo ao rebaixamento.
Há técnicos bons e ruins. Há ainda os que não são técnicos, e nesta última categoria está Joel Santana, acompanhado por Oswaldo Oliveira, Levir Culpi e outros menos cotados. Tio Jejão faz o estilo "paizão", mima os jogadores e fala coisas como "assim papai não gosta", "assim papai fica triste". Isto pode funcionar com alguns pirralhos carentes e de repente até une o grupo, mas nunca vai fazer times vencedores. Sempre serão um bando de chorões unidos.
Acompanhado de sua infalível prancheta, o poderoso Jejão tentará colocar o Flamengo no rumo, ao menos salvar o time da Gávea da Segunda Divisão. Pobre torcida flamenguista. Recém estamos na 15ª rodada e as perspectivas mais otimistas já se resumem a uma vaga na Sul-Americana.
Dou oito rodadas para que seja demitido.
Saudações,
Douglas Ceconello.

Como não preenchi a prancheta de mensagens desejando bons augúrios ao mais recente migrante gaúcho na terra das araucárias, durante a confraternização da última semana, torno público meu desejo de uma excelente estada.
Mal sabem os paranaenses, mas terão a honra de receber como morador em sua capital o notável Vitor Vecchi, também conhecido como Navarro Montoya, Woody Allen, Jesus Cristo, Meu Irmão Mais Velho, entre outras alcunhas menos votadas.
Em busca de novos investimentos, para lá viajou quem mais entende de futebol sul-americano por estas bandas. Tivessem noção do que isso significa, teriam recebido-o com pompas na entrada do Estado. Já recomendei a Vecchi que compre o terreno ao lado da Arena para impedir a conclusão do estádio.
Em suma, desejo muito sucesso nesta nova empreitada, cujo secreto objetivo provavelmente é a aquisição do Paranavaí. Será bastante mais sem graça andar por aí sabendo que não nos encontraremos em algum boteco, mas sei que há bons motivos - fortuna, sucesso e felicidade. Bem, amigo, fique na buena.
Saudações,
Douglas Ceconello.
A final da Copa da Ásia será entre Arábia Saudita e Iraque, duas seleções comandadas por técnicos brasileiros, respectivamente o onipresente Hélio dos Anjos e o para mim muito desconhecido JORVAN Pereira.
Não deixa de ser curioso, principalmente pelo Hélio dos Anjos, o técnico mais infeliz do futebol brasileiro. Não que ele seja muito ruim, na verdade ele é até melhor do que muitos que andam por aí. Acontece que ele chama a desgraça por onde quer que passe. Sempre que eu via um jogo na televisão e um time precisava fazer um gol no final para não ser rebaixado - ou levava um gol no final e era erbaixado - as câmeras apontavam para a beira do campo e ali estava Hélio dos Anjos, se escabelando, suando como um porco condenado. Muita desgraça para uma pessoa só.
Agora os dois técnicos brasileiros vão decidir quem será o campeão da Ásia. Ontem, durante as comemorações pela classificação iraquiana, dois carros-boma explodiram e mataram ao menos 50 pessoas. O humor negro fica por conta do colunista de Zero Hora Mário Marcos de Souza, que dias atrás falava sobre a paz que reinava no Iraque devido à classificação do país para as semifinais, concluindo com aquela conversa mole de que "só o futebol é capaz disso". Nada pára a demência. É muita pretensão achar que o futebol seria capaz disso.
Saudações,
Douglas Ceconello.
Depois de uma já interminável lenga-lenga de dois meses dizendo que ia, acabarei fondo nesta quinta-feira a caminho das terras do Paraná, erguidas do Aqüífero Guarani a base de erva-mate e farinha de mandioca...
Desde 25 de maio, venho anunciando e me despedindo de quem posso pelos caminhos a pé e a base de transporte público e carona, e agora chegou a hora.
Para tanto, como última atividade na cidade, chamo a quem quiser para reunir-se a este pobre animal na noite de 4a., 25 de julho, data de algumas efemérides importantes.
A pátria galega, o Apóstolo Tiago, São Cristóvão, os colonos alemães e a JU comemoram suas datas do ano neste dia. Para completar, a primeira visita do Grêmio ao cenário de sua mais épica e mais esculhambada página da história.
Em 26 de novembro de 2005, no estádio dos Aflitos, no Recife, este clube e seus jogadores da época protagonizaram a maior vitória de todos os tempos numa cancha de futebol na história do esporte.
Não quero me prolongar demais nos fatos do passado porque sei que alguns colorados hão sempre de tentar minimizar aquela conquista.
De toda sorte, será neste 25 de julho, com um outro Náutico - Grêmio nos Aflitos, que me despeço da cidade natal e dos seus recantos e das suas moças e de tudo mais de vez.
A partir das 19h, estarei bebendo no Nico, aquele em frente ao Zaffari da Lima e Silva, onde ainda se pode tomar uma garrafa de vinho por 10 pila com uma comida de igual preço, o carreteiro, no caso. Tem também o inusitado CHOPP DE VINHO, mas só comparecendo ao Nico pra saber como ele é.
A gurizada que for colorada e ainda assim tiver gosto de me ver compareça antes ou depois da sua vitória ante o futuro rebaixado Paraná.
E a gurizada que se ajoelhou antes do Galatto se atirar pra esquerda no segundo penal, que chutou de canhota junto com o Anderson, e que perdeu a voz se esgoelando pelas janelas, portas e ruas da cidade, estarei esperando por vocês.
Saúdos, Vitor VEC

Dominado pelo espírito dos profetas, tentarei dar seguimento aos infalíveis prognósticos da Loteca, concurso número 274, que prevê a razoável soma de R$ 250 mil ao vencedor.
1 - GRÊMIO/RS - FLAMENGO/RJ
Coluna 1. Grêmio não dará chances ao claudicante Flamengo, que deve chegar no quarto final do campeonato ainda lutando para não cair, como é costume. ainda mais agora, que perdeu Clayton. hrhs
2 - CRUZEIRO/MG - SÃO PAULO/SP
Coluna do meio. Este jogo é imprevisível, assim como o Cruzeiro, que começou mal o campeonato e já está lá em cima. O São Paulo perdeu em casa, não é a mesma criança de 2006, mas fará de tudo para encher o saco no Mineirão. Prevejo bom jogo, com 35 arremessos laterias para os mineiros e 27 para os paulistas.
3 - VASCO DA GAMA/RJ - ATLÉTICO/MG
Coluna 1. Vasco ganha certo, com três gols de bicicleta do Perdigão. O Galo começa a lutar de forma desesperada para não cair.
4 - PARANÁ/PR - PALMEIRAS/SP
Coluna 2. Dois times que vivem em crise de identidade, não sabem qual é a sua missão no campeonato. Mas o Palmeiras se sai melhor, acredito.
5 - CRICIÚMA/SC - VITÓRIA/BA
Coluna 1. Grande duelo pela Segunda Divisão. Mesmo com toda sua malemolência e sincretismo religioso, os baianos vão sucumbir ao poder do Heriberto Hülse.
6 - SANTOS/SP - FIGUEIRENSE/SC
Coluna 1. Santos fácil, com dois de Mengálvio e um de Serginho Chulapa.
7 - AMÉRICA/RN - ATLÉTICO/PR
Coluna do meio. América parindo um continente para não perder e Atlético sem saber como ganhar. Uma meia zebra na rodada.
8 - CORITIBA/PR - BARUERI/SP
Coluna 2. Possível zebra da rodada. COXA BRANCA se abre para a volúpia do interior paulista.
9 - MARÍLIA/SP - CEARÁ/C